Aprendizado por projetos estará no centro das estratégias do ensino superior em 2025
Aprendizado por projetos estará no centro das estratégias do ensino superior em 2025

Carlos Teixeira
Jornalista I Editor Radar do Futuro

Processos educacionais terão o desenvolvimento baseado na análise de problemas e projetos, com apoio de novas metodologias. Exemplos: sala de aula invertida, aprendizagem aumenta-
da e impressão 3D

Em 2025, finalmente, as carteiras escolares, que faziam das escolas algo parecido com os escritórios da primeira parte do século passado, já tinham finalmente desaparecido das salas de aula. Ou seja, aquelas mesas e cadeiras enfileiradas, na direção de um quadro, não serão serão mais parte do cenário dos ambientes de interação entre estudantes e alunos.

Mesmo com toda as resistência de parte dos professores mais conservadores, os espaços onde ocorrem as atividades de ensino parecem grandes ambientes destinados a visitas e lazer. Sofás e mesas em distribuições modulares, que capazes de transformar um ambiente em poucos minutos.

O que possibilitou a mudança da estrutura das salas foi, no final das contas, é, em meados da próxima década, a maturidade total de novos processos educacionais, baseados na adoção de recursos que exploram intensamente as transformações tecnológicas. O professor deixou o centro do poder, como detentor único do conhecimento, para ser um grande líder de processos de busca do aprendizado.

Novas estratégias de ensino e acesso ao conhecimento incluem recursos definidos como sala de aula invertida e aprendizagem aumentada e imersão nas coisas. Mas a lógica das estratégias tem como fundamento essencial a análise de problemas e ensino baseado em projetos. Na verdade, em 2025 propostas pedagógicas inovadoras ganham força graças à maturidade tecnológica, já que começaram a ter suas aplicações desenvolvidas desde a primeira década do milênio.

Seu primeiro projeto

No primeiro dia no curso de Biologia, em 2025, Felipe Lopes não terá uma aula como Breno, seu primo que iniciou o mesmo curso cinco anos antes. Ainda na versão de 2020 do curso, o professor de “biologia celular” entrou na sala de aula e com o mesmo “power point” criado anos antes começa a explicar conceitos.

Apontando para o slide, o mestre dizia que a “biologia celular, ou Citologia, é o ramo da biologia que estuda as células, tanto eucariontes como procariontes, no que diz respeito à suas estruturas internas ou externas, funções, e sua importância na constituição, benéfica ou maléfica, dos seres vivos”.

Já em 2025, espalhados nos sofás e mesas os colegas de Felipe serão desafiados, já no primeiro dia. Ao professor caberá contextualizar uma história e apresentar um problema que levará ao conhecimento necessário.

Por exemplo, ele mostrará que o fato de que, com a biotecnologia suficientemente avançada, generalizada e barata, mesmo um pequeno grupo de pessoas – ou mesmo uma única pessoa – pode ameaçar a sobrevivência da humanidade. E que os criminosos já começaram a explorar o fenômeno, fornecendo acesso a drogas e outras substâncias sem prescrições, por exemplo (como farmácias offshore da Internet das décadas anteriores) – e agora os terroristas também estão fazendo uso delas.

Para compreender, então, o que é a tal da biologia celular, os estudantes serão levados a fazer pesquisas aprofundadas, desde o início, até conseguir entender como se chegou ao momento atual. Então, no sistema de aprendizado por projetos, os alunos se envolvem com tarefas e desafios para desenvolver o projeto.

Protagonismo e senso crítico

A aprendizagem baseada em projetos integra diferentes conhecimentos e estimula o desenvolvimento de competências, como trabalho em equipe, protagonismo e pensamento crítico. Tudo começa com um problema ou questão que seja desafiadora, que não tenha resposta fácil e que estimule a imaginação.

O método faz com que o aluno tenha um papel ativo para o seu aprendizado. O grande elemento facilitador é o acesso a recursos tecnológicos avançados, como a internet em altíssima velocidade, à inteligência artificial, às informações armazenadas da rede global de computação – big data – e a ferramentas como a realidade mista, que integra todos as alternativas de simulação de realidade.

Outro recurso, que será facilitado pelas tecnologias e novos modelos de ensino e de aprendizado e de negócios educacionais, é a introdução do conceito de sala de aula invertida. Também conhecida como flipped classroom, já era considerada uma grande inovação no processo de aprendizagem nos anos 2010. Mas que passa a ser plenamente viável com o amadurecimento de sistemas de comunicação on line e tradução instantâneo, por exemplo.

Como o próprio nome sugere, é o método de ensino através do qual a lógica da organização de uma sala de aula é de fato invertida por completo. A ideia é que, após o aluno da matéria de biologia celular absorver o conteúdo através do meio virtual, ao chegar na sala de aula presencial ele estará ciente do assunto a ser desenvolvido. O estudante terá, então, o local ideal para dar início à interação professor-aluno, sanando todas as dúvidas e construindo atividades em grupo, por exemplo.

Na sala de aula invertida, o professor deixa de ser o grande detentor de conhecimento. Neste caso, ele passa a atuar mais como um mediador que orienta e guia o aluno em um processo de ensino. Os alunos, por sua vez, são ativos, visto que são eles que buscam a informação em um ambiente virtual de aprendizagem.

Tecnologias impactantes

  • realidade mista
  • realidade virtual
  • proliferação de vídeos
  • tradução simultânea
  • inteligência artificial
  • impressão 3D

………………….

“Este artigo é o quarto da série “10 Tendências que afetarão o Ensino Superior até 2025”, produzido pela Nous Sense-Making, consultoria de inteligência estratégica.

Você pode acessar a síntese do estudo clicando abaixo:

10 tendências que afetarão o ensino superior até 2025

Sobre os autores:

Brenner Lopes e Carlos Teixeira integram o time de consultoria da Nous SenseMaking, especializada em Inteligência, Estratégia e Advanced Data analytics – www.nous-sensemaking.com