Em 1980, aos 24 anos, eu desisti de frequentar as aulas do curso de matemática na Universidade Federal de Minas Gerais. Não era a minha praia. A gota dágua para o abandono definitivo do curso que, reconheço, não me deixava minimamente animado, foi dada por uma pergunta feita a algum colega: O que é variância? O sujeito respondeu algo como “a soma dos quadrados dividida pelo número de observações do conjunto menos uma. A variância é representada por s2”.

A resposta deve ter sido algo assim. A minha pergunta era, na verdade, sobre o significado da tal variância. Não obtive resposta. O colega tinha a fórmula decorada. Não o conceito. A ausência da aplicação possível da fórmula colaborou para a minha percepção de que não teria condições de permanecer ali, naquele lugar, onde a capacidade de guardar fórmulas era mais importante do que qualquer coisa. Acabei procurando novos mares e embarquei no curso de comunicação social. Em jornalismo, mais especificamente. 

Se há algo presente na minha história, e entre os cursos de matemática e de comunicação, é a certeza de que a sociedade não é delimitada por fórmulas prontas. Este é o desafio mais profundo de ser jornalista. Algo que foi expandido pelo meu interesse antigo em trabalhar com projeções de tendências. Para ser um “futurologista”, assim como para ser um jornalista, não basta ter fórmulas prontas.

É preciso ir além de somatórios, senos, consenos e logarítmos. Gente é mais que isso. Muita gente, então, é infinitamente isso. São as relações entre as pessoas que vão determinar a forma como o futuro vai ser conduzido.

 

 

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