Como em diversos setores da economia, as empresas químicas enfrentam um dos maiores desafios impostos pelo mercado do século 21: compreender e trabalhar com a evolução das tecnologias exponenciais. Manufatura 3D, nanotecnologia, bioinformática, robótica e inteligência artificial são alguns exemplos das tecnologias mais avançadas à disposição da indústria mundial, com características em comum, como a digitalização de processos, o alto desempenho e preços cada vez mais acessíveis. O domínio destas tecnologias oferece diferencial estratégico para as empresas, com potencial para mudanças disruptivas na indústria química. 

As novas tecnologias permitem identificar rotas alternativas e criar produtos e processos mais eficientes e sustentáveis. Em mercado globalizado, a inovação tem papel central nos resultados das organizações. Investir na área de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) pode ser o melhor caminho para descobrir melhores soluções para clientes, fornecedores e demais públicos de interesse.

 

No entanto, a simples atuação da área de P&D pode ser insuficiente para acompanhar a evolução das tecnologias exponenciais nos negócios. Parcerias entre grandes empresas e as startups, com investimentos e apoio interno, são boa opção para descobrir tendências e oportunidades para a inovação. O mercado brasileiro conta com dezenas de programas para capacitação de pequenos empreendedores, onde estes encontram a expertise e o network necessários para expandir os seus negócios. 

Um dos cases de inovação mais bem-sucedidos da indústria química nos últimos anos, o plástico verde, feito a partir do etanol da cana-de-açúcar – matéria-prima renovável – chegou à Estação Espacial Internacional, em 2016, após parceria entre a indústria brasileira e startup norte-americana especializada em impressão 3D. A resina verde é capaz de capturar 2,7 toneladas de CO2 da atmosfera para cada tonelada produzida, contribuindo para a redução da emissão dos gases de efeito estufa.

O polietileno verde está abrindo novas fronteiras de mercado com a colaboração das tecnologias exponenciais. As impressoras 3D são grande oportunidade para a cadeia do plástico e a resina verde já é uma das melhores matérias-primas para a produção de objetos 3D, unindo tecnologia e sustentabilidade. Este exemplo reforça a importância de as empresas encontrarem o seu DNA de inovação, estimulando a criação de produtos e modelos de negócio – em prol de pessoas, organizações e meio ambiente. Esta é parte da fórmula que pode levar a indústria brasileira à liderança de novos mercados no futuro.

Patrick Teyssonneyre é diretor de inovação e tecnologia da Braskem. 

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