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Rodrigo Correia da Silva
Estamos todos em casa há bastante tempo. A pandemia causada pelo Coronavírus nos obrigou a mudar muitos de nossos hábitos e também a criar outros. O Brasil está entre os países cujo povo mais se preocupa com a pandemia. Uma pesquisa feita pela consultoria global Kantar mostrou que, em abril, éramos a segunda nação com maior preocupação em relação à crise sanitária, perdendo apenas para a China.
Por conta disso, boa parte dos brasileiros de fato ficoum em casa para evitar que o novo coronavírus se espalhasse ainda mais. Assim, as compras online passaram a fazer parte da rotina do dia a dia.
Preocupados com a saúde, a venda de itens relacionados a esse segmento da economia cresceu. De acordo com a pesquisa Termômetro do Consumo, da Kantar, 78% dos brasileiros estão procurando sair de casa somente para o necessário, além de estarem mais preocupados com a saúde.
Só nos dois primeiros meses do ano, em comparação com mesmo período em 2019, 748 mil lares a mais compraram analgésicos, 330 mil passaram a comprar vitaminas (a C, principalmente) e 224 mil foram em busca de antigripais, informa a Meio e Mensagem.
E quando a pandemia estiver sob controle?
Muito se tem falado sobre como será o mundo quando a pandemia estiver sob controle ou tiver sido debelada – só quando uma vacina chegar ao mercado. Muitos especialistas têm se debruçado sobre esse assunto para pensar o que deverá mudar com base nos novos comportamentos que temos adotado na quarentena. Uma coisa é certa: as relações de consumo não deverão ser mais as mesmas. Isso é o que o presidente da Locomotiva, Renato Meirelles, tem refletido.
Primeiro: a quarentena estimulou os consumidores a refletirem mais sobre o que compram e até a alterar os produtos que compram, priorizando determinados itens em detrimento de outros. Mais do que isso: os consumidores têm se mostrado mais pacientes com a entrega. Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), cujo título é Novos Hábitos Digitais em Tempos de Covid-19, mostrou que, devido ao aumento da demanda no comércio eletrônico, os prazos para entrega aumentaram.
Apesar disso, 57% dos consumidores vêm considerando esse aumento aceitável. Nesta quarentena, as compras de muitas categorias passaram a ser mais planejadas e, com isso, um prazo de entrega mais alongado se tornou aceitável, segundo Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).
Assim como itens relacionados ao lazer (e-books, streaming de música e vídeo), os relacionados à saúde tiveram um crescimento expressivo. Só para que se tenha uma ideia, a busca por máscaras cresceu 412%, de acordo com a pesquisa O Legado da Quarentena para o Consumo, feita em maio de 2020, na Suprevida o pico de crescimento de valor transacionado entre março e maio deste ano foi de 200%.
Tendências para o consumo pós-pandemia
Especialistas afirmam que leva em torno de 66 dias para uma pessoa adquirir um novo hábito e seguir com ele quando não obrigado. O tempo em que boa parte do mundo permaneceu em casa – três ou mais meses em praticamente todas as cidades que adotaram o isolamento – seria suficiente, em tese, para a incorporação de novos hábitos.
À pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto FSB Pesquisa investigou a forma como o brasileiro pretende se comportar após o fim das medidas de isolamento social. Os dados mostram que a maioria da população pretende mudar seu comportamento num mundo pós-COVID. Pouco mais de 2/3 dos brasileiros pretendem mudar seu dia a dia e 26 % falam em adotar uma rotina totalmente diferente.
Acredita-se que presenciaremos algumas mudanças importantes. Veja só:
- Marcas que foram devidamente testadas deverão ganhar destaque
Antes da COVID, a maioria de nós, consumidores, gostava de novidades. Uma parcela significativa de nós buscava em marcas ou produtos coisas que eram diferentes, inovadoras, modernas. A experiência do confinamento fez que com os consumidores passassem a dar mais atenção ao que foi devidamente testado e comprovado. Afinal, muitas marcas prometem e não entregam, não é mesmo?
Isso significa, segundo analistas de pesquisa da Evercore, que será mais difícil o lançamento de novas marcas nesse cenário e mais fácil que os consumidores permaneçam leais às marcas/empresas que eles testaram e aprovaram. Não estamos abertos a coisas novas — passamos de uma mentalidade de ganho para uma mentalidade de manutenção, o que é importante para muitas marcas perceberem, segundo Simon Moore, CEO da Innovation Bubble, empresa de ciência comportamental, ao Meio e Mensagem.
Essa será uma oportunidade importantíssima para as empresas melhorarem ainda mais a sua relação com o consumidor e oferecer a ele uma experiência de compra que fará com que ele volte mais e mais vezes. Está havendo uma mudança real de comportamento e empresas que conseguirem se relacionar bem com os clientes neste momento terão uma grande vantagem no pós-crise, segundo avaliação do presidente da SBVC à Agência Brasil.
- Conforto da oferta digital
Não tem jeito. A aquisição de produtos pela internet tenderá a se fortalecer e a crescer ainda mais no pós-pandemia. Um dado interessante veio do estudo da SmartCommerce, plataforma de comércio eletrônico para marcas de produtos embalados.
Embora tivéssemos a impressão de que o e-commerce era algo já bem estabelecido no Brasil, o que os dados mostram é que quase 40% dos atuais compradores online fizeram sua primeira compra em março. Ou seja, são marinheiros de primeira viagem. Os dados mostram também que consumidores mais velhos podem ter ficado desconfortáveis com a compra de mantimentos ou outros produtos online, mas o Coronavírus os forçou a ficar confortáveis. As pessoas são forçadas a fazer coisas novas e isso vai acelerar a transformação digital, segundo a análise de Paul Marsden, psicólogo de consumo da Universidade de Artes de Londres, ao Meio e Mensagem.
- Itens de primeira necessidade e não essenciais
O que a quarentena mostrou é que o foco dos consumidores se dirigiu aos itens de primeira necessidade, como alimentos e produtos relacionados à saúde. Produtos não essenciais, como artigos de luxo, calçados etc. tiveram uma redução nas vendas.
Acredita-se que essa tendência deverá ser mantida, até porque uma parcela significativa da população teve queda em seus rendimentos, o que se reflete na preferência pela compra de itens essenciais.
- A telemedicina deverá vir para ficar
Médicos e outros prestadores de serviços médicos têm oferecido seus serviços online. Especialistas estimam que a telemedicina vá continuar como uma tendência no cenário do pós-pandemia, especialmente porque os relatos dos usuários é de que essa forma de prestação de serviços funciona – ao menos para situações não emergenciais.
A nova postura traz ganhos, porém, também apresenta riscos. Estar inserido em um ambiente digital não significa renunciar à segurança e cautela com o fornecedor. O cuidado com as pessoas é, e sempre será, o ponto principal a ser levado em consideração. A gestão de produtos é uma das grandes responsáveis por garantir a integridade dos pacientes.
Mais do que nunca, a mudança de comportamento no segmento da saúde é visível e necessária, mas mesmo com a inserção cada vez maior da inovação nessa área, é importante que sejam utilizados canais que se mostrem confiáveis e que atendam os critérios de conformidade, validação e rastreabilidade como oferecem as plataformas e os ecossistemas de fornecimento dedicados à saúde.
Escrito por Rodrigo Correia da Silva, CEO da Suprevida
Rodrigo Correia da Silva é CEO Fundador da Suprevida, primeiro ecossistema Plug&Play que conecta consumidores, profissionais de saúde, fornecedores de produtos para saúde e informação de saúde e bem estar. Atuou por 20 anos como advogado e consultor no setor saúde, Mestre pela PUC/SP, Professor do MBA/FGV, liderou os Comitês de Saúde da Amcham e a Filial São Paulo da Britcham. Ao longo da vida além do Correia da Silva Advogados fundou e geriu a Certame e a Linkup, mais recentemente Cofundou a Startup SaaS RCX2-Riskmaster.
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O que estudos sobre futuro são e não são
O que influenciadores dizem sobre o futuro

Carlos Teixeira
Jornalista I Futurista – Radar do Futuro
Para quem se interessa em entender o futuro, vale a pena acompanhar e ampliar as reflexões sobre o papel e os sinais espalhados pelos influenciadores digitais, os líderes de audiência dos anos 2010. Seu filhos adolescentes, netos ou sobrinhos ou algum jovem próximo a você são os seguidores de tais pessoas que conseguem atrair legiões nas mídias digitais, em canais como YouTube, Twitter e Instagram. E que apontam para uma sociedade mais conservadora em questões políticas, econômicas e sociais.
Segundo a pesquisa “Influenciadores Digitais”, do Instituto QualiBest, os líderes das mídias sociais são, hoje, a segunda fonte de informações para a tomada de decisão na compra de um produto. Eles são referência para 50% dos 3022 que participaram do estudo. Perdem em poder de indução de decisões apenas para amigos e parentes, citados por 56% dos respondentes. Para Daniela Malouf, diretora-geral do Instituto QualiBest, blogueiros, youtubers e podcasters que já estão próximos de tomar a liderança absoluta nos corações e mentes dos internautas.
Segundo a pesquisa mais recente sobre os maiores influenciadores do Brasil – realizada em março e maio deste ano, 71% das pessoas seguem algum influenciador. Entre as mídias sociais, Facebook e Youtube ainda são as mais utilizadas – 92% e 90%, respectivamente. E também as mais preferidas – com o Instagram em terceiro lugar, nas duas categorias.
Perigos da influência
Indicado como influenciador digital pelo Instituto QualiBest, em uma categoria de ciência e curiosidades, o neurocientista Pedro Calabrez aproveitou o momento para identificar os riscos envolvidos na relação entre pessoas com algum nível de carisma e seus seguidores. Em um vídeo publicado no Youtube, sob o título “Os perigos da influência“, o professor especializado em comportamentos cita experiências clássicas na área de psicologia para apontar tendências inerentes à humanidade de seguir pessoas de referência.
A preocupação é justa. Afinal, assinala Calabrez, as experiências descritas no vídeo reforçam a compreensão de que o ser humano tem uma forte vocação a seguir “comportamentos de manada”. “Quando gostamos de algo ou de alguém reduzimos o nosso senso crítico”, afirma, propondo que as pessoas precisam lutar contra a irracionalidade de alguns comportamentos.
A preocupação é ainda mais justa quando se percebe que o médico Denis Furtado, o “dr. Bumbum”, denunciado pela imprudência e morte de uma bancária, fez fama na internet, com um contingente considerável de seguidores. Assim como Júlio Cocielo, 25 anos, um jovem que causou polêmica ao postar um comentário racista durante a Copa do Mundo de Futebol, no Twitter.
Ele disse que o jogador da seleção francesa Kylian Mbappé, que é negro, “conseguiria fazer uns arrastão top na praia”. Foi uma referência ao jogo entre França e Argentina da Copa do Mundo, no qual o atacante fez dois dos quatro gols da vitória francesa — o placar final foi 4 a 3 para o time europeu.
O post foi condenado por internautas, que vasculharam o perfil de Cocielo e encontraram mensagens ofensivas de anos anteriores. Em 2013, o mesmo influenciador publicou, em mais uma mensagem repleta de preconceitos, que só seria possível deixar de fazer piadas de negros caso eles fossem exterminados.
Foi necessário um escorregão maior para que os patrocinadores dos espetáculos protagonizados por tais pessoas concluíssem que mantinham atores de baixa qualidade em seu elenco de apoiados. Alguma coisa deu errada para os dois. O médico e o racista. Porém, não e possível deixar de levar em conta que o modelito que mistura preconceitos e culto a celebridades prossegue como padrão de comportamento social, capaz de sinalizar muito sobre o que vem por aí.
Contrapontos da diversidade
Eles são muitos. E compartilham a liderança das listas com artistas e esportistas. Gente que sabe explorar o vazio de conteúdos com piadas, ironia e ódio forma um contingente enorme nas mídias sociais. Mas há algo de novo no ambiente. Há pouco mais de uma década, a maior parte da população tinha acesso a uma quantidade mínima de referências entre celebridades. Mais exatamente, algumas poucas pessoas eram reconhecidas como famosas para tribos restritas. Era o ator da novela, o político, o empresário rico, os cantores e cantoras definidos pela indústria cultural. Nada mais.
Hoje, como vantagem inegável, entre os influenciadores é possível encontrar, além do neurocientista Pedro Calabrez citado acima, filósofos, sociólogos, cientistas políticos, economistas e psicólogos dispostos a apresentar conceitos e ideias. Especialistas que atendem a anseios por respostas para angústias, interesses por conhecimentos e posição política, entre outras demandas. Mas que estão em posições de desvantagem dos rankings de mais seguidos.
O perfil diverso dos influenciadores diante dos seguidores — ou influenciados — revela que encontraremos uma população mais complexa do que as definições disponíveis, e limitantes, sobre gerações do milênio ou “x” ou “y” ou “z”. Haverá os radicais, os de direita ou de esquerda. Os intelectuais e os pragmáticos. Mas há uma forte tendência de aumento do conservadorismo, uma contradição frente ao aumento do acesso a informações propiciado pela internet. Algo que fica bem evidente quando se avalia os líderes de audiência atuais.
Uma pesquisa apresentada em abril pelo Ibope reforça a tese de que o País se torna mais conservador, principalmente entre os mais escolarizados. E entre os que possuem cursos universitários. A proporção da população defensora de teses moralistas e punitivistas para solucionar os problemas do mundo saltou de 49% em 2010 e chegou a 55% em 2018. Não existem dados que confirmem a conclusão, mas os resultados parecem coerentes com o aumento do poder de interação dos influenciadores.
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