Não pense os centenários exclusivamente pelo viés tradicional. Eles ainda surpreenderão. foto: Pixabay
Não pense os centenários exclusivamente pelo viés tradicional. Eles ainda surpreenderão.

Carlos Teixeira Editor I Radar do Futuro
Carlos Teixeira
Editor I Radar do Futuro

Você fica sabendo que o aniversário da tia-avó de da mãe do seu amigo foi um sucesso. A estrela da festa completou 100 aninhos com uma festa de verdade. Sem qualquer sinal de enfermeiros, cuidadores e cadeiras de rodas. Sem ambulância na porta. Sem padres e rezas. Presentes apenas os parentes, alegria e o deslumbramento com a saúde da aniversariante, responsável por animar os parentes mais desanimados para a dança comandada por um DJ.

Tudo bem que, hoje, a tia-avó da mãe do amigo é uma exceção. Assim como a mãe do mesmo amigo. Prestes a completar 90 anos, ela revela boa saúde para continuar a ser livre, sem gente se intrometendo com a vida dela. Apenas agora passou a tomar um remédio para pressão. Apenas por precaução. O coração segue batendo em bom estado, como uma herança familiar.

Histórias de centenários que vivem com qualidade de vida tendem a ser mais frequentes nos próximos anos. Uma oportunidade que não se encaixa nos anúncios expostos pelas casas de saúde da “melhor idade”. Pense além dos esquemas  que associam velhice a decadência. Afinal, com os avanços da medicina, estamos cada vez mais próximos de fazer dos 100 os novos 60.

Sinais do futuro

Diversificação pela sobrevivência

Muito além da crise e dos sinais captados pela imprensa tradicional, há mudanças no perfil do negócio chamado comércio. Exemplo: Em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, o Monte Carmo Shopping abriga uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha. É a busca da salvação para o centro de compras inaugurado em 2014, na cidade que tem uma das fábricas da Fiat. A igreja faz parte de novos serviços, ao lado da Faculdade Pitágoras, inaugurada este mês, da agência dos Correios, da Receita Federal e de outras operações, digamos, fora do cardápio tradicional. É a antecipação de uma tendência vigente nos Estados Unidos, onde os malls equilibram comércio, serviços e entretenimento.

Ava está chegando

Você ainda vai se sentir enganado ao conversar com uma imagem e achar que é gente. Afinal, os assistentes digitais estão ficando mais humanos. Isso mesmo. Além de ter uma voz capaz de confundir interlocutores ao telefone, nos smartphones os chatbots começam a ter uma identidade visual. Como a Ava, o avatar de Autodesk Virtual Agent. Com um rosto extremamente realista, voz e um conjunto de “emoções” fornecidas por uma empresa de inteligência artificial neozelandesa e uma startup de efeitos especiais chamada Soul Machines, está aberta a nova temporada da inteligência artificial com cara de gente.

Hotelaria adota a robotização

Um setor que vai apostar alto em substituição de gente por sistemas automáticos e computadores: a hotelaria. Os robôs estão chegando, rápidos, comunicativos, eficientes e sem necessidade de gorjeta. Dois hotéis da marca Hotel Jen, da Shangri-La Hotels and Resorts, estão inovando no atendimento aos hóspedes. Localizados em Cingapura, os empreendimentos adotaram robôs autônomos para fazer entregas no serviço de room service. Para evitar sustos nos corredores, os robôs usam uniformes de mordomos: Jeno, de azul turquesa, e Jena, de cor-de-rosa.

O desafio da biotecnologia

A falta de investimentos de laboratórios brasileiros no segmento, responsável por grande parte das inovações no mundo, ameaça a atividade no País, que ainda se apoia no modelo de genéricos, enquanto a biotecnologia avança no mundo. Há iniciativas no Brasil, mas são precariamente divulgadas. Traço comum a diferentes segmentos nacionais, nos últimos 15 anos os laboratórios nacionais cresceram por meio da cópia de produtos sintéticos que perderam a patente. O setor vai esperar apoio do governo. Que não virá.

Indicadores

Brasil é o oitavo mercado de conteúdo audiovisual para internet

A entrega de conteúdo audiovisual e de outras mídias transmitidas pela internet, denominados de Over the Top (OTT), está apontando para direções cada vez mais promissoras. Uma pesquisa realizada pela consultora Frost & Sullivan mostrou que o Brasil é o oitavo mercado do mundo no segmento. Em 2018, a projeção deverá atingir a marca de US$ 783 milhões na América Latina devido ao uso de novas tecnologias.

Universidade x Judiciário

Imagine que setor ficará mais fortes nos próximos anos. O judiciário ou o ensino superior público? As universidades federais custam 8 bilhões por ano. Só a justiça brasileira custa dez vezes mais: 80 bilhões, sendo 90% só para pagamento de pessoal. O ensino superior é o termômetro do desenvolvimento do País.

Prospectiva: entender os sinais do futuro

Sabe por que não percebemos as mudanças que estão ocorrendo na sociedade ou no planeta? Às vezes, porque as transformações são lentas demais. As mudanças climáticas são o caso mais clássico das transformações excessivamente discretas. Já na década de 1950 existiam os primeiros alertas para o aumento da temperatura da Terra. Agora, chegou o momento das mudanças se acelerarem, exponencialmente.

Quando o cidadão cai na real, os fenômenos climáticos são cada vez mais severos. Como as chuvas de um mês que resolvem cair na cidade em um dia apenas, causando inundações. E tragédias.

Fica a lição da semana para o caçador de tendências: preste atenção nos sinais de longo prazo.

Futuristas

Gerd Leonhard: Humanidade x Tecnologia

Especializado nas mudanças na área de produção e do mercado midiático, com foco nas consequências das novas tecnologias e no conceito de convergência, Gerd Leonhard é um típico pensador da era digital. Hoje, se dedica a divulgar o livro Humanidade x Tecnologia, em que desafia os leitores a fazer um balanço e a repensar a humanidade no mundo pós-humano. A partir de duas décadas viajando pelo mundo e falando sobre cenários futuros em muitas indústrias e culturas, o futurista avalia que, à medida que a tecnologia se desenvolve em um ritmo exponencial e redefine a forma como trabalhamos, vivemos e até pensamos, há uma miríade de perguntas não formuladas que deveríamos ter feito há algum tempo.