Adoção do trabalho em casa tende a ser acelerada no Brasil

Carlos Teixeira
Radar do Futuro

Um dos itens aprovados pela reforma da legislação do trabalho adotada pelo governo Michel Temer e acatada pelo Congresso Nacional, a regulamentação do teletrabalho – o trabalho em casa – chega no momento em que a questão já soma algumas experiências capazes de sinalizar tendências. Certamente, no Brasil, as perspectivas são de aumento dos casos de empresas que vão incorporar ou adotar a iniciativa. No exterior, há grandes corporações que começam a questionar resultados obtidos e reverter projetos de liberação dos empregados para o trabalho remoto.

Na prática, a adesão das empresas à prática do home office no Brasil evolui a passos lentos. Uma pesquisa realizada pela SAP Consultoria RH em 2015, 37% das corporações do país já permitem que os funcionários trabalhem de casa. Uma evolução lenta, já que apenas um ponto percentual maior do que o registrado em 2014, quando a primeira edição do levantamento foi realizada. Nas empresas em que o home office está instituído, um em cada 13 trabalhadores (7%) pratica a modalidade.

Mas o quadro deve ser de aceleração. A entrada em vigor da nova regulamentação vai estimular o surgimento de iniciativas como a do Estado de São Paulo. A administração estadual resolveu testar a alternativa criando regras para o funcionamento do home office para o servidor público. O decreto especifica que os meios de controle do horário de trabalho dos servidores serão feitos por meio da produtividade, ou seja, as metas quando não atingidas podem ocasionar faltas injustificadas.

As leis aprovadas definem que o contrato de trabalho deverá especificar quais atividades do empregado poderão ser feitas na modalidade do teletrabalho. A alteração do trabalho em casa para presencial – na empresa – pode ser feita por acordo mútuo entre empregado e empregador. Em caso de decisão unilateral do empregado pelo fim do teletrabalho, o texto prevê um prazo de transição mínimo de 15 dias. A compra e manutenção de equipamento para o chamado home office devem ser definidas em contrato.

Pelas novas regras, a alteração do trabalho em casa para presencial pode ser feita por acordo mútuo entre empregado e empregador. Em caso de decisão unilateral do empregado pelo fim do teletrabalho, o texto prevê um prazo de transição mínimo de 15 dias. A compra e manutenção de equipamento para o chamado home office devem ser definidas em contrato.

Experiências frustradas

Nem tudo são flores no processo de adoção do home office. No início deste ano, a IBM determinou a 2 mil trabalhadores dos EUA que não podiam mais trabalhar em casa. Outros 2 mil foram avisados de que deveriam se deslocar para os escritórios com mais freqüência. A decisão coincide com um momento em que a gigante da tecnologia contabilizou 20 trimestres consecutivos de quedas de receita. Mesmo reconhecendo, em um relatório de 2012 vantagens do trabalho flexível, agora a IBM espera que reunião dos funcionários favoreça a rapidez, produtividade e criatividade.

Uma empresa de relações públicas com sede em Nova York, também nos Estados Unidos, reverteu recentemente o processo. Em 2016, o proprietário, Richard Laermer, decidiu deixar seus funcionários trabalharem em casa regularmente. Acabou concluindo que a experiência não deu certo. Funcionários indisponíveis, até mesmo o dia inteiro, contribuíram para a reversão. O estopim final foi provocado pela recusa de um deles de abrir mão de planos pessoais de lazer no horário de serviço. Em dez meses ele eliminou o benefício e agora exige que todos os seus funcionários estejam no escritório todos os dias.

Enquanto o teletrabalho, o termo guarda-chuva para qualquer trabalho que ocorre fora do escritório tradicional, cresceu nos últimos 20 anos, alguns escritórios estão repensando políticas amplamente amplas. O trabalho flexível permanece popular em muitas organizações, mas a maioria das empresas quer trabalhadores no trabalho, pelo menos, alguns – se não a maioria – do tempo. Mais de 60 por cento das organizações pesquisadas pela Sociedade de Gestão de Recursos Humanos deste ano disseram que permitem algum tipo de teletrabalho, acima de 20 por cento em 1996. Mas o teletrabalho vem em muitos sabores, e 77 por cento das organizações não deixam as pessoas trabalharem Casa em tempo integral. A maioria dos empregadores permite o trabalho remoto ad-hoc para a pessoa que precisa ficar em casa para o encanador ou aguardar um pacote.

Tecnologia como programas de bate-papo e software de colaboração tornaram possível o trabalho remoto para muitos trabalhadores de colarinho branco nas últimas décadas. Os empregados adoram a flexibilidade, muitas vezes classificam -no em pesquisas de benefícios. Os pais, em particular, dizem que é “extremamente importante”, uma pesquisa Pew 2013 encontrada . Os pesquisadores argumentaram que o horário de trabalho não convencional poderia até ajudar a reduzir a diferença salarial.

Em uma tentativa de atrair e reter funcionários – e reduzir os custos imobiliários – as empresas permitiram um trabalho mais remoto, e os funcionários se aproveitaram. Ao mesmo tempo, o trabalho também se tornou mais baseado em equipe. Apenas 38 por cento das empresas são “funcionalmente” organizadas hoje com trabalhadores agrupados por tipo de emprego, uma pesquisa da Deloitte de 2016 encontrada . A maioria inclui grupos colaborativos que se deslocam dependendo do trabalho. Deloitte descobriu que uma organização da Califórnia era composta por mais de 30.000 times em constante mudança. “Eu acho que é por isso que estamos vendo o trabalho remoto voltar”, disse Erica Volini, líder dos EUA no Capital Humano da Deloitte. “Para trabalhar em equipes, você precisa de um maior nível de colaboração”. Algumas organizações encontraram as políticas de trabalho-de-casa mais indulgentes, mantendo os trabalhadores muito isolados para esse tipo de trabalho. Essas empresas “chegaram ao extremo no trabalho virtual”, acrescentou Volini.