O futuro do varejo de livros físicos: oportunidade para sobrevivência

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Desde o início da quarentena, o mercado editorial vem passando por transformações no modo de venda tradicional
Desde o início da quarentena, o mercado editorial vem passando por transformações no modo de venda tradicional.

Carlos Teixeira
Jornalista I Radar do Futuro

Veremos um renascimento das livrarias pequenas, especializadas em uma ou duas categorias de livros. Por exemplo, uma loja que só venderá livros de gestão, carreira e negócios. Ou outra exclusiva para negociação de obras infantis. O foco propiciará um atendimento de excelência e uma disponibilidade de títulos bastante completa, ou seja, nestas livrarias menores a experiência do cliente será muito agradável.

A projeção é do book advisor Eduardo Villela, especialista que possui uma longa carreira no mercado editorial. Responsável pelo lançamento de mais de 600 livros de variados temas, entre eles comportamento e psicologia, gestão, negócios, universitários, técnicos, ciências humanas, interesse geral, biografias e ficção infanto-juvenil e adulta, ele acredita que o futuro para o crescimento e a recuperação do varejo livreiro está ligado também ao incentivo e interesse da população pela leitura.

Para que a demanda seja efetivamente maior, entretanto, é muito importante que editoras e livrarias se unam para realizar campanhas de valorização da leitura e dos livros. Eduardo Villela não tem tem dúvidas de que ainda existe um futuro promissor para a venda de livros. “As pessoas não deixarão de ler e as livrarias não vão acabar no Brasil. Ocorre é um processo de transformação do modelo de negócios atual, que está chegando à exaustão por conta da concorrência com a internet e de mudanças no comportamento de compra dos leitores.

Após a recente reabertura do comércio, as livrarias seguem na esperança de um futuro melhor para as vendas do varejo de livros físicos, mesmo com dados pouco animadores. Segundo a pesquisa feita pela Nielsen Book para a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL), com a soma dos dados de 2019 e dos anos anteriores, o mercado editorial retraiu 20% desde 2006, acentuado com a crise, a partir de 2015. Lembrando que as principais livrarias do mercado, Saraiva e Cultura, entraram em processo de recuperação judicial.

A Saraiva teve ao todo 13 lojas fechadas entre maio e junho e a rede de livrarias que, no passado recente já foi a maior do país, encolheu para 62 lojas em 19 estados. A varejista, em recuperação judicial desde 2018, lançou um plano de divisão de suas lojas em dois grupos e, vender um deles, pode ser uma alternativa. Para o Book Advisor Eduardo Villela, o declínio da Saraiva é uma realidade do mercado editorial brasileiro: “A empresa já vinha enfrentando queda de receitas e resultados em função de um modelo de negócios inviável para o momento atual. Mesmo com a flexibilização do comércio, a rede só terá chances reais de recuperação se reinventar sua forma de atuar no mercado”.

Acredito que as megastores, verdadeiros hipermercados de livros, com um atendimento ao cliente de baixa qualidade e com problemas de gestão de estoques desaparecerão em questão de pouco tempo. A avaliação é o resultado de exemplos como o fato, bastante comum, em que o consumidor procura um determinado livro e não encontra. E isso justamente em uma livraria que se propõe a ter obras de todas as categorias disponíveis.

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