Coleta de informações semanais feita pelo Economista Paulo Roberto Bretas

A conquista da medalha de prata, na final da disputa individual geral da competição feminina da ginástica artística, por Rebeca Andrade, nas Olimpíadas do Japão, representa um sopro de esperança para a parte da população que sofre com os problemas acumulados pelo País. A esportista é mais uma representante das mulheres, negras, pobres e lutadoras que superam todos os tipos de desafios. Mas ainda nesta mesma semana, dois acontecimentos preocupantes. A plataforma Lattes, sistema de registro dos currículos e trajetórias dos cientistas brasileiros, saiu do ar. Para completar, um incêndio atingiu um galpão da Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Dois fatos que confirmam os impactos negativos do corte de investimentos em infraestrutura pública e que tendem a deixar uma herança negativa para o futuro do Brasil.

notas econômicas
foto da ginasta rebeca Andrade
Foto: Ricardo Bufolin/CBG -Fotospublicas.com

O Meio Ambiente Importa: O jornal britânico Financial Times, porta-voz da City londrina, publicou em editorial, no dia 14 de julho, que “é hora de os investidores enviarem um sinal de US$ 7 trilhões para Brasília de que, a menos que o desmatamento diminua, eles se desfarão dos seus ativos”. A crítica não é nova. O que a diferencia é vir é de um influente porta-voz da comunidade financeira internacional e refletir o que se verifica nos números sobre investimento externo no Brasil: o País deixou de ser atraente para o capital internacional. (Carta Capital)

Estoques das Indústrias: Em meio às projeções de maior aquecimento econômico nos próximos meses, com possibilidade de maior demanda, os estoques da indústria de transformação até junho de 2021 operavam no limite, sem recuperar patamar pré-pandemia. O alerta é da pesquisadora Claudia Perdigão, da Fundação Getúlio Vargas, que elaborou estudo sobre o tema, com base em dados da Sondagem da Indústria da FGV. O atual cenário reflete combinação de custo de produção mais alto, em especial a energia, em ambiente de falta de insumos. Isso desestimula estocagem alta entre as indústrias. (Valor)

Clientes Vulneráveis: Clientes considerados especialmente vulneráveis, seja em razão de idade, renda ou nível de endividamento, contarão com um olhar mais cuidadoso dos bancos. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entra em vigor neste mês um normativo do Sistema de Autorregulação Bancária que prevê a oferta de produtos e serviços mais adequados às necessidades e aos interesses dos consumidores com esse perfil. (Valor)

Relatório do FMI 1: As diferenças nas campanhas de vacinação contra a covid-19 estão aumentando as divergências no ritmo de recuperação da economia global, aponta o Fundo Monetário Internacional (FMI) em um relatório divulgado dia 27-07-2021. Embora tenha mantido a previsão de expansão do PIB mundial em 6% em 2021, a entidade agora estima que os países avançados crescerão neste ano 0,5 ponto a mais do que o previsto em abril. Para os emergentes, porém, a estimativa foi reduzida em 0,4. A tendência se repete em 2022, segundo a nova edição do Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês) do FMI. Para o próximo ano, a previsão de crescimento da economia global passou de 4,4% para 4,9%. No entanto, enquanto a revisão para cima nas estimativas das economias avançadas foi de 0,8 ponto, a dos emergentes foi de 0,2.


Relatório do FMI 2: Ainda que tenham sido afetados por problemas ocorridos na Ásia, os países latino-americanos tiveram suas previsões de crescimento elevadas pelo FMI, em parte devido aos resultados melhores do que o inicialmente calculados pela entidade no primeiro trimestre deste ano. A estimativa para o PIB do Brasil, por exemplo, passou de 3,7% de 5,6%. Para o México, a alta foi de 5% para 6,3%. (Valor)

Exportações para América Latina: A retomada das economias locais, a desvalorização do real e a possibilidade de brechas nas cadeias globais têm ajudado as exportações brasileiras a ganhar terreno nos países latino-americanos em 2021, sobretudo pela venda de bens duráveis e de capital, como veículos e máquinas. Pode ser um movimento importante para a manufatura nacional, que perdeu espaço nos últimos anos com as vendas chinesas à região, mas o cenário ainda é de muitos desafios para que se possa pensar em uma recuperação estrutural desses mercados. (Valor)

Investir em Ações: Investir em ações cada vez mais tem se popularizado. Em quatro anos, a Bolsa brasileira dobrou de valor e chega perto da marca de quatro milhões de investidores. (Estadão) (Meio)

Produção de Máquinas e Equipamentos: O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Jose Velloso, prevê aumento entre 18% e 20% na produção de máquinas e equipamentos no país em 2021 ante o ano passado, quando o crescimento foi de 5%. De acordo com o executivo, o setor está apto a suprir demanda interna, nos próximos meses, e os empresários já estudam investimentos para aumento de produção. (Valor)

Financiamento Habitacional: A Caixa afirmou que liberou um volume recorde de R$ 65,4 bilhões em crédito imobiliário no primeiro semestre, um crescimento de 36% na comparação com o mesmo período de 2020. A carteira de crédito habitacional do banco alcançou o volume de R$ 528,9 bilhões, um crescimento de 9,4%.

Pessoal Ocupado no Comércio: Antes mesmo da pandemia, o pessoal ocupado nas empresas comerciais brasileiras já tinha recuado em 2019 e ainda não recuperara as perdas da recessão brasileira iniciada em 2015. Os dados da Pesquisa Anual do Comércio (PAC) 2019, divulgados pelo IBGE, mostram que houve retração de 0,4% no número de trabalhadores deste setor em 2019, frente a 2018, para 10,167 milhões de pessoas. (Valor)

Número de Empresas no Comércio 1: Pelo sexto ano seguido, o número de empresas ligadas ao comércio caiu em 2019, segundo a Pesquisa Anual do Comércio (PAC), divulgada pelo IBGE. O ano de 2019 foi marcado pela redução de 5% nesse número, que chegou a 1,434 milhão. O indicador recua há seis anos seguidos, desde 2014, quando a economia brasileira já dava sinais de desaceleração. (Valor)

Número de Empresas no Comércio 2:Os números de 2019 da pesquisa apontam, ainda, uma redução de 11% no montante de companhias comerciais no país frente a 2010, quando existiam 1,540 milhão delas. A pesquisa contabiliza também o número de unidades locais dessas empresas, que era de 1,597 milhão em 2019, 3% abaixo de 2018, 8,1% inferior a 2014 e 2,6% menor que em 2010. (Valor)

Finanças Públicas

Contas Externas 1: O Brasil registrou um superávit em suas transações correntes de US$ 2,791 bilhões em junho, conforme divulgado pelo Banco Central (BC). O resultado ficou bem abaixo da previsão da autoridade monetária, que estimava um superávit de US$ 6,5 bilhões nas contas externas do mês. Em junho de 2020, o saldo da conta corrente foi positivo em US$ 3,056 bilhões. (Valor)
Contas Externas 2:Para 2021, o BC calcula superávit em conta corrente de US$ 3 bilhões, conforme divulgado pela autoridade monetária no último Relatório Trimestral de Inflação. A estimativa para o mês de julho é de superávit de US$ 1,3 bilhão em conta corrente e de entrada líquida de US$ 4,7 bilhões em Investimentos Diretos no País (IDP). (Valor)

Reavaliação do Déficit em Transações Correntes: O Banco Central também reavaliou o déficit em transações correntes de2020. Com a revisão, o saldo negativo cresceu US$ 1,8 bilhão, alcançando US$ 25,9 bilhões, passando do equivalente de 1,7% do PIB para 1,8%. A revisão é ordinária e realizada duas vezes por ano. (Valor)

Investimentos Diretos no País (IDP) 1: O ingresso líquido do IDP somou US$ 174 milhões em junho, também muito abaixo da estimativa da autoridade monetária para o mês, que era de entrada líquida de US$ 2,5 bilhões. Em junho do ano passado, por sua vez, o IDP tinha somado US$ 5,165 bilhões. Fazem parte do IDP os recursos destinados à participação no capital e os empréstimos diretos concedidos por matrizes de empresas multinacionais as suas filiais no país e vice-versa. O retorno de investimento brasileiro no exterior também integra essas estatísticas. (Valor)

Investimentos Diretos no País (IDP) 2: Nos 12 meses encerrados em junho, o IDP somou US$ 46,629 bilhões, ou 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 3,38% do PIB vistos até maio. O montante é mais do que suficiente para cobrir o déficit em conta corrente de 1,27% do produto nos 12 meses. (Valor)

Bom Desempenho Fiscal dos Estados 1: O ministério da Economia elevou para R$ 29,3 bilhões a projeção de superávit primário dos Estados e municípios neste ano, número bem acima da meta indicativa para 2021 – saldo positivo de 200 milhões. A estimativa anterior já mostrava uma expectativa favorável para os governos regionais, um superávit de R$ 22,7 bilhões. O quadro tem sido impulsionado pela disparada na arrecadação do ICMS e também pela contenção de gastos com pessoal determinada pela Lei Complementar 173, aprovada em meio à pandemia e que congelou os vencimentos dos servidores dos entes até o fim do ano. (Valor)

Bom Desempenho Fiscal dos Estados 2: O ICMS, principal imposto dos Estados (compartilhado com as prefeituras), está tendo forte expansão, impulsionado pelo “boom” de commodities, a alta da inflação interna e o próprio crescimento econômico. Além disso, o tributo tem forte peso em combustíveis e energia, itens com preços em alta este ano. (Valor)

Dívida Pública Federal 1: A Dívida Pública Federal (DPF) subiu 3,07% em termos nominais na passagem de maio para junho, somando R$ 5,329 trilhões. Considerando os números revisados do Plano Anual de Financiamento (PAF), a DFP está abaixo dos novos limites, que variam entre R$ 5,5 trilhões e R$ 5,8 trilhões no ano. (Valor)


Dívida Pública Federal 2: Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) registrou alta de 3,29% em junho, para R$ 5,103 trilhões. Já a Dívida Federal Externa somou R$ 226,67 bilhões (US$ 45,31 bilhões), o que representa baixa de 1,77% na comparação com os números de maio. (Valor)

Dívida Pública Federal 3: A participação de investidores estrangeiros na dívida mobiliária federal interna (DPMFi) caiu em termos percentuais de 9,87% em maio para 9,71% em junho. Em valor absoluto, a fatia saiu de R$ 487,83 bilhões para R$ 495,42 bilhões. (Valor)

Dívida Pública Federal 4: O custo médio acumulado nos últimos 12 meses do estoque da DPF fechou junho em 7,18%, uma queda em relação ao índice de 7,34% ao ano registrado em maio. Já o custo médio da dívida mobiliária interna fechou o mês em 7,66%, depois de marcar 7,55% ao ano no mês anterior. (Valor)

Inflação

Construção Civil 1: O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) desacelerou a 1,24% em julho, de 2,30% em junho, informou a FGV. Com este resultado, o índice acumula alta de 10,75% no ano e de 17,35% em 12 meses. Em julho de 2020, o índice subiu 0,84% no mês e acumulava alta de 3,95% em 12 meses. (Valor)

Inflação do IGP-M: A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou para 0,78% em julho, após se situar em 0,60% em junho, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). No ano, o indicador acumula elevação de 15,98% e, em 12 meses, alta de 33,83%. Em julho de 2020, o índice havia subido 2,23% e acumulava alta de 9,27% em 12 meses. (Valor)

Ambiente Social, Emprego e Renda

Covid Cresce Entre os Jovens: Um reflexo da imunização das pessoas de mais idade é que as mortes por Covid-19 têm se concentrado em faixa etárias mais jovens. Nos primeiros sete meses deste ano, o número de óbitos de pessoas entre 30 e 49 anos triplicou, num crescimento muito maior que entre outras faixas. Além de uma tragédia humanitária, é um problema econômico, pois esse é o grupo etário considerado mais produtivo na população. (Globo) (Meio)

Confiança do Consumidor: Impulsionada por avanço da vacinação contra a covid-19, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV subiu 1,3 ponto entre junho e julho, para 82,2 pontos. Com a elevação, o indicador se posicionou para o mais elevado nível em nove meses. (Valor)

Poupança como Aprendizado da Crise: Pela primeira vez, o maior interesse do brasileiro é poupar para formar uma reserva de emergência. O resultado veio da pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que apontou que as reservas passaram a ser destino de 27% das economias dos entrevistados no ano passado — alta de 10 pontos percentuais em relação a 2019. Enquanto o sonho da casa própria caiu para segundo lugar, de 35% das economias em 2019 para 26% do total em 2020. (UOL) (Meio)


Direitos dos Trabalhadores de Aplicativos: Alternativas crescentes em meio ao desemprego, as plataformas começaram a sair em defesa de aposentadoria e piso salarial para os trabalhadores por aplicativo. O iFood é a primeira a se posicionar a favor, individualmente, mas segundo a Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O), que representa mais de 150 aplicativos, esse debate também já acontece com as empresas associadas. A regulamentação é complexa porque engloba diferentes perfis, desde entregadores até manicures, motoristas e médicos. A discussão com o governo é criar uma modalidade de “microempreendedor digital”, semelhante ao atual MEI, mas que melhor agregaria uma contribuição conforme o que o trabalhador ganha. (Estadão) (Meio)

Endividamento das Famílias: O chefe do departamento de estatísticas do Banco Central (BC), Fernando Rocha, afirmou que o endividamento das famílias atingiu em abril o maior patamar da série histórica. O indicador, que mede a relação entre o saldo das dívidas das famílias no mês de referência e a renda acumulada em 12 meses, estava em 58,5% no mês. O BC divulgada o indicador com atraso em relação às estatísticas de crédito. (Valor)

Trabalho Intermitente: Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério da Economia, mostram que o país gerou em junho 7.648 novos postos de trabalho intermitente, modalidade criada pela reforma trabalhista que permite jornada em dias alternados ou por horas determinadas. O número é resultado de 20.889 admissões e 13.241 desligamentos. No chamado regime de tempo parcial, foram registradas 17.066 admissões e 14.042 desligamentos, gerando saldo de 3.024 vagas. (Valor)

Garantia Provisória de Emprego: O Caged mostrou, em junho, que o total de vínculos com garantia provisória do emprego devido ao Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) era de 3.558.835. Esse número cai progressivamente e, em dezembro, devem ser 1.270.971 vínculos com estabilidade. (Valor)

Carteira Assinada 1: O mercado de trabalho brasileiro registrou em junho a abertura de 309.114 vagas com carteira assinada. Com isso, o saldo de contratações no semestre ficou positivo em 1.536.717 postos, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério da Economia. (Valor)

Carteira Assinada 2: No acumulado do ano, foram 9.588.085 contratações e 8.051.368 desligamentos. O resultado é melhor que o registrado no mesmo período de 2020, quando foram fechadas 1.198.363 vagas. (Valor)
Carteira Assinada 3: O salário médio de admissão ficou em R$ 1.806,29 em junho, trouxe o Caged. Em comparação com maio, houve queda de 0,09%. (Valor)

Desemprego no Brasil: A taxa de desemprego no país atingiu 14,6% no trimestre encerrado em maio de 2021. A taxa ficou acima do verificado no trimestre móvel anterior (encerrado em fevereiro, de 14,4%) e abaixo do resultado de abril (14,7%), mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (Valor)

População Ocupada e Força de Trabalho: A população ocupada (empregados, empregadores, funcionários públicos) no trimestre móvel encerrado em maio era de 86,7 milhões de pessoas. Isso representa alta de 0,9% em relação ao trimestre móvel anterior, encerrado em fevereiro (809 mil pessoas ocupadas a mais). Já a força de trabalho – que soma pessoas ocupadas ou em busca de emprego, com 14 anos ou mais de idade – estava em 101,502 milhões. (Valor)

Rendimento Médio Real Habitual: De acordo com dados da Pnad Contínua, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores (considerando a soma de todos os trabalhos) foi de R$ 2.547 no trimestre móvel até maio de 2021, ante R$ 2.573 no trimestre móvel anterior (-1%) e R$ 2.632 em igual período do ano anterior (-3,2%). (Valor)

Governo e Ambiente Político

A Difícil Perda de Poder: Correndo por fora, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta podar o futuro Ministério do Emprego e Previdência, que será entregue ao hoje secretário-geral Onyx Lorenzoni. Sob o argumento de dar à nova pasta uma “estrutura mais enxuta”, ela ficaria sem áreas chaves, como a assessoria parlamentar, e sem o polpudo FGTS, do qual Guedes não quer abrir mão. (Folha) (Meio)

Campanha de Lula: Pautas econômicas e sociais, como educação e saúde. Esse é o foco das campanhas de Lula (PT) e Ciro Gomes (PDT) para conquistar — no caso de Lula, reconquistar — o voto conservador, particularmente evangélico. A tendência com isso é que pautas identitárias, em especial a agenda LGBTQIA+, devem ser deixadas de lado na corrida eleitoral. (Folha) (Meio)

Heil Hitler: Pegou muito mal entre a comunidade judaica o encontro do presidente Jair Bolsonaro com a deputada alemã Beatrix von Storch, vice-presidente do partido de extrema-direita Alternativa pela Alemanha (AfD, em alemão). Além de ser famosa por posições xenófobas e antissemitas, ela é neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças de Adolf Hitler. (Poder360) (Meio)

Entrega da Alma: A minirreforma ministerial para dar mais poder ao PP (e ao Centrão) foi consolidada ontem. O presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro e aceitou o convite para assumir a Casa Civil. O objetivo da nomeação seria aparar as arestas entre o Executivo e o Legislativo, mas o futuro ministro tem participação em pelo menos uma delas. Ele é um dos signatários do manifesto de presidentes de partidos contra o voto impresso, bandeira de Bolsonaro. Criticado pelo ex-presidente Lula — cujo governo foi apoiado pelo PP de Nogueira, aliás — por nomear um líder do Centrão, o presidente disse a uma rádio que estava entregando a “alma do governo” (a Casa Civil) ao senador. (Globo) (Meio)

O PP Pode se Arrepender: A adesão completa ao governo continua provocando calafrios em parte do PP. Segundo o Radar, deputados que estão visitando as bases durante o recesso estão assustados com a rejeição ao presidente Bolsonaro. Segundo um deles, “90% do eleitor de direita gostaria de uma opção diferente”. (Veja) (Meio)

Sérgio Abranches: “O presidencialismo de coalizão não é um ecossistema propício para mudanças tardias de ministério que buscam fortalecer presidentes politicamente fracos. Ciro Nogueira foi para o Gabinete Civil não para dar a maioria a Bolsonaro, coisa que não conseguiria, mas para aproveitar-se pragmaticamente do poder e do controle sobre políticas públicas. É, em boa medida, um voo solo.” (Meio)

Nova Velha Política com Centrão no Poder: Nem bem conseguiu a mão, a Casa Civil, o Centrão quer o braço. O bloco parlamentar estaria se movimentando para recriar (e ocupar) o Ministério do Planejamento, que englobaria a Secretaria de Orçamento Federal (SOF). Seria um duro golpe no ministro Paulo Guedes, cuja pasta da Economia já foi fatiada para a recriação do Ministério do Trabalho. Há uma grande expectativa em relação ao envio do projeto de Orçamento da União para o ano que vem, que tem de acontecer até o fim de agosto. Por enquanto, Guedes resiste. Vale lembrar que o Centrão já controla, via Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, o chamado orçamento secreto. (Estadão) (Meio)

Mais um Ministério Criado: Bolsonaro publicou dia 28-07-2021 a MP que recria o Ministério do Trabalho e nomeou o ex-secretário-geral da Presidência Onyx Lorenzoni para a pasta. O novo ministro traz para si a gestão milionária do FGTS e do FAT, que antes estavam com Guedes, e ainda vai ter centenas de cargos para preencher por indicação. (UOL) (Meio)

Briga com o Supremo: O Supremo Tribunal Federal (STF) reagiu com dureza incomum a mais uma afirmação do presidente Jair Bolsonaro de que a Corte o impediu de agir contra a pandemia. A conta oficial do Supremo no Twitter publicou um vídeo explicando a decisão sobre a autonomia de estados e municípios, acompanhado do seguinte texto: “O STF não proibiu o governo federal de agir na pandemia! Uma mentira contada mil vezes não vira verdade!” (Folha) (Meio)

Liberdade de Expressão no Brasil: Em todo o ano de 2020, o presidente Jair Bolsonaro fez, em média, 4,3 declarações falsas ou enganosas por dia. As 1.682 falas contribuíram para o agravamento da pandemia no país, mas não só. Na avaliação da organização não governamental Artigo 19, a desinformação, somada a ataques a jornalistas, também contribuíram para a deterioração de direitos de expressão e informação no país. (Valor)

Ambiente tecnológico

Inteligência Artificial e Tomada de Decisões: À medida que as tomadas de decisões se tornam mais complexas com o avanço da tecnologia, as empresas têm recorrido cada vez mais aos dados e às análises para melhorá-las. Inteligência artificial (IA) aplicada aos negócios significa mais customização de modelos em larga escala, cruzamento e análise de diferentes indicadores, permitindo a detecção de tendências e antecipação de demandas que podem influenciar na jornada do consumidor. Mas para ter retorno sobre o investimento, é necessário criar um planejamento para saber como, quando e como usar a IA na tomada de decisão. (Meio)

Sony de Volta: Quatro meses na após encerrar as atividades no Brasil, a Sony está de volta. Ao menos, parcialmente. Os seus fones de ouvido, do tipo “in-ear” e modelos Bluetooth, voltarão a ser vendidos pela empresa de eletroeletrônicos Multilaser. A parceria pode se estender para outros produtos da marca, mas por enquanto a Sony ainda continua fora do Brasil em categorias como TV, câmeras e dispositivos de áudio. (Link) (Meio)

Toshiba de Volta: E depois de cinco anos fora, a japonesa Toshiba também voltou ao país, mas agora pelas mãos de empresas chinesas e oferecendo uma linha de eletrodomésticos direcionada ao consumidor de alto padrão. (Folha) (Meio)
Ambiente Empresarial

Confiança na Construção Civil: Influenciado por uma melhora das expectativas para os próximos meses, o Índice de Confiança da Construção aumentou 3,3 pontos em julho, para 95,7 pontos, o maior nível alcançado pelo indicador desde março de 2014, quando marcou 96,3 pontos, informa a FGV. (Valor)

Lucro dos Bancos: Os grandes bancos de capital aberto devem mostrar um salto de quase 60% nos lucros do segundo trimestre de 2021. A recuperação da economia ajuda, mas o principal fator é a base de comparação fraca, já que no mesmo período do ano passado os resultados foram reduzidos pelos bilhões de reais em provisões constituídas para lidar com a pandemia. A despeito do crescimento na última linha dos balanços, a tendência é que as margens financeiras permaneçam sob pressão. (Valor)

Home Office 1:O Brasil foi um dos países que menos adotou o home office na América Latina durante a pandemia. Embora o trabalho remoto venha em queda desde o segundo semestre de 2020, saltou de uma média de 3% para algo entre 20% e 30% nos países latino-americanos. No Brasil, no entanto, essa taxa chegou no máximo em 16% entre abril e junho do ano passado. (Valor) (Meio)

Home Office 2:33,8% das empresas já preveem voltar ao trabalho presencial nos escritórios apenas em 2022, enquanto 66,2% já voltaram ou esperam que isso ocorra ao longo deste ano. Ainda assim, o home office veio para ficar: mesmo com o avanço da vacinação, 87,3% dos entrevistados disseram que suas empresas manterão um sistema híbrido. (Estadão) (Meio)

Statup de Educação: A maior startup de educação do mundo chegou ao Brasil. A indiana Byju’s Future School oferecerá aulas de programação remotas para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos. Para quem está disposto, o curso de 18 meses custa R$ 500 por mês. (Globo) (Meio)

Vendas da Ambev: O volume de cerveja da operação da Ambev no Brasil registrou um crescimento de 12,7%, para 20,22 milhões de hectolitros, no segundo trimestre de 2021. O volume é 10,9% superior ao do mesmo período de 2019 e 14% acima de 2018. A empresa atribui o aumento das vendas aos lançamentos, que representaram mais de 20% do faturamento, liderado pela Brahma Duplo Malte, destacou a empresa em seu relatório de resultados. (Valor)

Ambiente Internacional

Redução Gradual de Estímulos: O Federal Reserve (Fed, banco central americano) indicou que a economia dos Estados Unidos progrediu em direção às suas metas de emprego e inflação do banco central, e as autoridades deram uma dica de que poderiam começar a reduzir suas compras de ativos ainda este ano. O Fed disse que vai continuar a avaliar os progressos na economia nas próximas reuniões. (Valor)


Notas econômicas

Fontes: Jornal Valor, Folha, Estadão, IstoÉ, Veja, Canal Meio Newsletter, Carta Capital, Poder 360, UOL e G1.

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