Mercado brasileiro de café em cápsulas cresceu 52,4% em dois anos

As pequenas marcas de café em cápsulas ganham cada vez mais espaço no mercado brasileiro e impulsionam o aumento do consumo do produto. O volume de vendas no país cresceu 52,4% entre os anos de 2013 e 2014. Atualmente são mais de 70 empresas atuantes nesse segmento com seus próprios produtos, frente a oito companhias que atuavam até 2014.

A avaliação do segmento integra o mais recente Relatório Internacional de Tendências do Café, elaborado pelo Bureau de Inteligência Competitiva do Café, da Universidade Federal de Lavras – UFLA, uma das dez instituições fundadoras do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café. O estudo apresenta periodicamente análises, destaques e tendências do agronegócio café, em nível mundial, com foco na produção, indústria e cafeterias, entre outros setores e temas. 

A expansão das vendas de café em cápsulas se beneficia da expiração das patentes de grandes marcas. As pequenas empresas se utilizam da vantagem para comercializarem do sistema de doses com menor preço para serem usadas em máquinas de outras marcas. Assim, as cápsulas tornaram-se uma opção interessante para as pequenas empresas atenderem de forma satisfatória os consumidores que se interessam cada vez mais por cafés de alta qualidade, além de proporcionar a sensação do consumo semelhante às cafeterias, tanto no conforto do lar como no momento em que acharem mais conveniente. 

Cafés com propriedades funcionais – Outra tendência observada pelos analistas do Bureau é a do café funcional, ou seja, que possui ingredientes saudáveis acrescidos à bebida. Nessa linha, destaca que, em alguns países, foram lançadas as seguintes bebidas: café enriquecido com magnésio para reduzir o cansaço e a fadiga especialmente para os consumidores acima de 40 anos; café com ingredientes que ajudam a combater a insônia; blend específico para os ciclistas; café com propriedades que promovem rápida recuperação após exercícios físicos e oferece alto desempenho para os atletas. Nesse contexto, o Relatório aponta que o patrocínio de marcas de café em eventos esportivos vem se tornando comum, o que demonstra que o uso dessa estratégia de marketing promove ganho de visibilidade e popularidade das marcas.

Segundo o documento, após o fim do Acordo Internacional do Café, em 1989, a cafeicultura de muitos países africanos declinou e em outros o crescimento ficou abaixo da média mundial. América e a Ásia lideraram o crescimento, graças à expansão da produção no Brasil e no Vietnã. Nesse país asiático, a produção cresceu o dobro da média mundial em 10 anos, crescimento superior ao do Brasil no período. Os dois países, juntos, produzem cerca de metade de todo o café do mundo.

A produção de ambos cresceu constantemente ao longo dos últimos 25 anos, exceto por períodos de clima adverso para a cafeicultura, e provavelmente continuará aumentando por mais algum tempo. O terceiro maior produtor mundial, a Colômbia, após duas décadas de declínio, também voltou a crescer. O Bureau destaca também que, no momento, não há competidores capazes de ameaçar a liderança desses três países. No entanto, ressalta que a China começa a se destacar na produção de café arábica – em 2013 sua produção foi de 1,95 milhão de sacas – e que possui potencial para se tornar grande produtora de café, com estimativa 4,1 milhões de sacas até 2020.

O relatório afirma que, segundo dados da OIC, o consumo de café é maior do que a oferta e que as cotações internacionais do grão caíram ao longo do ano passado devido à desvalorização da moeda brasileira. Além disso, as exportações nacionais bateram recorde em 2014 e, em 2015, também registrarão excelente resultado. Nesse contexto, o Relatório ressalta, ainda, que as exportações de conilon, mesmo com queda na cotação interna, nunca estiveram com os preços tão elevados, em valores nominais, e que o Brasil continuará abastecendo vigorosamente os importadores.

Relatório Internacional de Tendências Competitiva do Café – Faz parte do Plano de ação do projeto do Consórcio Pesquisa Café denominado “Criação e Difusão de Inteligência Competitiva para Cafeicultura Brasileira”. O projeto é financiado pelo Fundo de Defesa da Economia Cafeeira – Funcafé, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, e tem o objetivo de monitorar, analisar e difundir informações e indicadores relevantes para a competitividade da cafeicultura brasileira, bem como propor soluções estratégicas para os problemas enfrentados pelo setor.

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