Formação no exterior: como será o intercâmbio do futuro

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Mulher com mala diante de painel de voos de aeroporto- foto: Pixabay
O desenvolvimento de tecnologias e de meios de comunicação digital altera o perfil do mercado de intercâmbio e formação no exterior

Com o isolamento social, aplicado por recomendação da OMS, as experiências imersivas de intercâmbio presencial deverão ser afetadas

Alfredo Freitas *

A pandemia deve alterar, para sempre, a forma como as pessoas vivenciam o intercâmbio e formação no exterior. Os efeitos do isolamento impulsionaram os já expressivos investimentos em tecnologia educacional. Investimentos globais nas chamadas edtechs atingiram US$ 18,66 bi, em 2019. A estimativa era que o setor alcançasse US$ 350 bi até 2025. O mundo pós-pandemia deve fomentar, ainda mais, este crescimento e alterar de forma permanente experiências de intercâmbio e formação continuada no exterior.

Cresceu, nos últimos três anos, o volume de aplicativos que ensinam idiomas, a realização de aulas virtuais, o desenvolvimento de ferramentas de videoconferência e softwares de aprendizagem online. Essa é uma realidade que deve ganhar um novo impulso no futuro próximo devido à pandemia. Uma realidade que alterará de forma significativa o campo da educação.

O mercado brasileiro de educação estrangeira cresceu 23% nos últimos anos e alcançou a marca inédita de 302 mil estudantes segundo a Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta). Numa reflexão sobre este cenário percebo que as experiências de intercâmbio estudantil e formação continuada no exterior estão entre as principais áreas que deve sofrer alterações devido à pandemia.

Para além do maior número de pessoas em busca de ensino via internet, já vivenciamos hoje, também, um endurecimento das normas que permitem estudantes estrangeiros ingressarem em países usualmente procurados para estudo, como os EUA, por exemplo. Nos próximos anos, devido à pandemia, a proporção de estrangeiros estudando via internet deve passar por um aumento significativo, inclusive nos Estados Unidos.

Com o isolamento social, aplicado por recomendação da OMS, as experiências imersivas de intercâmbio presencial deverão ser afetadas. Haverá uma diminuição expressiva do interesse por parte de estudantes, inclusive brasileiros, em se expor aos riscos, não apenas da pandemia, mas também de uma experiência de intercâmbio restrita, devido ao isolamento social. Ou seja, as pessoas devem procurar outras alternativas para o desejado diploma do exterior.

Diante disso, o ensino superior nos EUA que já tendia, segundo dados da Education Data Organization, a um perfil mais remoto que presencial tem se adaptado cada vez mais. Em 2017, a Organização registrou um total de 19,7 milhões de alunos matriculados em cursos de instituições de ensino superior no país. Destes, 6,6 milhões eram matriculados em alguma modalidade de educação a distância / ensino online.

Os números mostram que 2,2 mi estudantes cursavam a graduação eram exclusivamente matriculados em cursos a distância / online. Entre eles 142.840 estudantes viviam fora dos Estados Unidos. Um número que deve aumentar. Por outro lado, segundo o relatório da Organização Open Doors, divulgado no fim do ano passado, 1.095.299 de estrangeiros estudavam presencialmente nos Estados Unidos no ano letivo que terminou em meados de 2019. O resultado é um recorde histórico que deve demorar a ser superado.

Já é muito grande o número de estudantes estrangeiros que busca formação continuada nos EUA de forma remota. As vantagens são inúmeras: menor custo, não abandono ou interrupção da carreira profissional no Brasil, não distanciamento da família, adequação da metodologia de aprendizagem ao ritmo do aluno, entre outras. Acredito que, de modo geral, as pessoas vão procurar mais esta modalidade online para seguir obtendo formação e titulação de universidades no exterior.

Na Ambra University, por exemplo, que embora seja uma Instituição credenciada nos Estados Unidos, oferece cursos, em português e tem histórico de formação de brasileiros via internet. Estes brasileiros receberam diploma americano. Há mais de 10 anos as nossas escolas de negócios e estudos legais formam brasileiros que gostariam de obter um diploma americano e, inclusive, revalidá-lo no Brasil.

Sem dúvidas, o momento pós-pandemia exigirá criatividade para o profissional que pretende seguir o percurso ascendente para formação e conhecimento. É preciso aproveitar o momento para conseguir uma formação no exterior, inclusive, de forma remota. A pandemia não precisa ser um momento de paralisia para a formação profissional, ao contrário, o momento pode e deve ser estimulante.


  • Alfredo Freitas é diretor de Educação e Tecnologia da Ambra University

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