Articulistas defendem a necessidade de inclusão da resiliência ao acrônimo ESG, que prioriza ações ambientais, sociais e governança

A economia circular encontrou na quarta revolução industrial a "energia" que precisava para causar transformações profundas e romper com o modelo gerador de lixo. Foto: Pìxabay
Foto: Pìxabay

Carlos Pereira, Gisela Caldeira e Bruto Barata *

O Fórum Econômico Mundial publicou recentemente o artigo “ESG is missing a metric: R for resilience”, de co-autoria de Saadia Madsbjerg, do The Rockfeller Foundation, e Judith Rodin, da Prodigy Finance, que defende a inclusão do “R”, de resiliência, ao acrônimo inglês “ESG”, termo que representa um mercado de trilhões de dólares e que significa a adoção, pelas instituições, de critérios de sustentabilidade sob três verticais: ambiente (environmental), social e governança (governance).

Em 2014, com a deflagração da Operação Lava Jato, houve um “compliance booming” no Brasil. Diversas empresas sentiram a necessidade de estarem, cada vez mais, em conformidade com as boas práticas anticorrupção, não bastando, portanto, ter um simples código de conduta ética. Presenciamos, na ocasião, uma corrida pela construção de programas efetivos de compliance.

Em 2020, com o início da vigência da Lei Geral de Proteção de Dados, o mundo corporativo se viu diante da necessidade de revisão das suas políticas de privacidade e da criação de um programa de governança em privacidade de dados. Estava lançada uma nova corrida por melhores práticas em função da necessária adequação à nova lei.

Nesse mesmo ano de 2020, o Brasil iniciou o enfrentamento da maior catástrofe sanitária que recaiu sobre o país. A pandemia da COVID-19 nos fez repensar desde as práticas mais simples do cotidiano até grandes tomadas de decisão pelas empresas. Alguns especialistas afirmam que o salto de desenvolvimento em alguns setores, destacando-se, no ponto, o tecnológico, foi de mais de 10 anos.

Contudo, o crescimento exponencial de alguns setores não significa que todos encontrarão um ambiente favorável para desenvolvimento. A resistência a mudanças revela-se um fator natural quando estamos diante de novos desafios. Se faz necessário quebrar os nossos arquétipos, ultrapassar os paradigmas tradicionais e mirar um futuro sustentável que entrega melhor qualidade para os negócios, para a sociedade e o planeta.

Nesse ponto, destacamos a necessária resiliência que se impõe no momento de implementação do ESG. Existirão barreiras? Sem dúvida. Mas, como afirmou Kenneth Mikkelsen em artigo para a Harvard Business Review, “os melhores líderes são aprendizes constantes”. Saber transpor barreiras e, concomitantemente, criar valor nesse processo é papel fundamental na jornada da sustentabilidade corporativa.

E não pensem que ESG, ou ESGR, se aplica somente às grandes empresas. Assim como a adoção de práticas de compliance e proteção de dados devem se dar em todo o mercado, um olhar dedicado ao ambiental, social e governança também encontra espaço nas pequenas e médias corporações. Independentemente do porte das empresas, há uma cobrança cada vez mais intensa por parte de consumidores, colaboradores, investidores e da sociedade de maneira geral, por uma atuação sustentável, levando em conta os reflextos que as decisões corporativas têm perante a sociedade. Afinal, o planeta somente estará sintonizado com essa nova agenda de desenvolvimento se esse propósito for abraçado por todos.


* Autores

  • Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global e chairman do Conselho das Redes Locais do UNGC na América Latina e Caribe e professor do LinkLei Academy
  • Gisela Gadelha, coordenadora do LinkLei Academy e diretora jurídica e de compliance da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
  • Bruno Barata, coordenador do LinkLei Academy e membro do Grupo de Trabalho Anticorrupção do Pacto Global das Nações Unidas

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