A energia solar fotovoltaica é a terceira fonte de energia renovável mais importante do mundo, em termos de capacidade instalada, e fica atrás apenas da hidráulica e eólica
A energia solar fotovoltaica é a terceira fonte de energia renovável mais importante do mundo, em termos de capacidade instalada, e fica atrás apenas da hidráulica e eólica

Alessandra Grisolia
Jornalista I Radar do Futuro

Em tempos de crise financeira e de crescente preocupação com as questões ambientais é cada vez maior o investimento em energias renováveis, entre elas a fotovoltaica, ou seja, energia elétrica produzida a partir da luz solar.  Trata-se de uma tecnologia de grande valor para a preservação do meio ambiente, por ser renovável e inesgotável. É, também, uma energia limpa, que não gera poluentes para o meio ambiente, contribuindo, assim, para a redução de gases de efeito estufa na atmosfera.

A energia solar fotovoltaica é a terceira fonte de energia renovável mais importante do mundo, em termos de capacidade instalada, e fica atrás apenas da hidráulica e eólica. China, Japão e Estados Unidos são os mercados de energia solar que mais crescem. A Alemanha, por sua vez, é o maior produtor mundial da tecnologia, contribuindo com quase 6% da sua demanda de eletricidade.

Projeções

A projeção é que a capacidade instalada de energia solar aumente em 44% no Brasil em 2019, atingindo a marca dos 3,3 GW, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Por sua vez, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê que até 2024 mais de um milhão de brasileiros vai gerar a própria energia.

De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2030 a tecnologia ocupará 10% da produção energética do País. A expansão será puxada pela geração distribuída, que visa atender à demanda de casas, comércios e indústrias. O governo estima que o mercado movimente U$ 100 bi até 2040.

Vantagens

Entre as principais vantagens da energia solar está a redução dos gastos com energia elétrica, que varia de 50% a 95%. Econômica desde o primeiro dia de uso, a energia solar fotovoltaica tem custo menor que a da rede elétrica e, consequentemente, o investimento em instalação de painéis solares é pago em forma de economia na conta de luz. Outro benefício é, sem sombra de dúvida, que um imóvel com a tecnologia instalada é mais valorizado que outro sem.

Apesar de ter um investimento inicial relativamente alto para os padrões brasileiros, o sistema oferece baixo risco, com retorno financeiro rápido, se for considerado o aspecto da autonomia energética. Outra vantagem é o baixo custo na manutenção dos equipamentos para geração de energia a partir da luz solar.
É, ainda, uma fonte de energia que atende locais remotos ou de difícil acesso, onde a energia hidrelétrica não chega ou onde existem dificuldades para instalação de torres e cabos de energia elétrica, pois a instalação de painéis em pequena escala não obriga a enormes investimentos em linhas de transmissão.

Desvantagens

As desvantagens do sistema fotovoltaico são mínimas, se comparadas com os seus benefícios. Uma delas é que podem ocorrer variações de quantidade de energia gerada em função da situação climática ou em locais onde os painéis solares não estejam ligados à rede de transmissão de energia, uma vez que à noite não existe produção. Além disso, em regiões de latitudes médias e altas há quedas bruscas de produção de energia durante o inverno.
Outro fator negativo é que, em comparação aos combustíveis fósseis e a energia hidrelétrica, as formas de armazenamento de energia solar são pouco eficientes.

Como funciona

Os raios solares incidem sobre placas fotovoltaicas (feitas de silício ou outro tipo de semicondutor) instaladas onde há alta incidência solar, como telhados e fachadas. Aquecidos, os elétrons do material entram em movimento gerando eletricidade, sendo necessário um inversor de frequência para converter a energia contínua em corrente alternada. A área utilizada para instalação dos painéis varia de 8 a 24 metros quadrados.

Durante o dia, parte da energia produzida é consumida na residência e o excedente é repassado para a rede da concessionária. À noite, quando há maior consumo de energia, os créditos acumulados durante o dia são usados.
No final do mês é feito um balanço entre energia gerada e utilizada, permitindo que o consumidor pague apenas a diferença. Mas, se o sistema produziu mais energia do que foi consumido, há acúmulo de créditos a serem usados no futuro.

Custo

O custo para instalação do sistema varia de acordo com tamanho, complexidade e qualidade dos componentes, e o investimento médio é de R$15 mil a R$20 mil. As placas devem passar por manutenções periódicas, para que o equipamento funcione adequadamente, a fim de evitar gastos adicionais e garantir mais economia na conta de luz.
Contexto interno

O Brasil, que integra a Agência Internacional de Energia (AIE), que visa desenvolver energias renováveis e reduzir a emissão de gases de efeito estufa, é propício para utilização de energia fotovoltaica, já que tem alta incidência de raios solares. Dados da Aneel revelam que o País possui 2.354 usinas geradoras centralizadas em operação, com capacidade instalada de 1,9 GW, o que representa apenas 1,17% de toda a matriz energética interna.

Impulsionado por fatores como seca, crise do setor energético, aumento da tarifa de luz e demanda pela diversificação da matriz energética, a energia fotovoltaica teve crescimento recorde em 2018.

Liderança mineira

Segundo a Aneel, Minas Gerais lidera o ranking dos estados e representa 23,91% de todo o potencial de geração distribuída (GD) do Brasil. O Estado contabiliza 9.922 instalações em residências, comércios indústrias e áreas rurais, sendo em sua maioria em moradias.

Os estados com maior potência instalada para geração fotovoltaica são, respectivamente: Minas Gerais (137 MW), Rio Grande do Sul (26 MW), São Paulo (24 MW), Ceará (13 MW) e Santa Catarina (12 MW).
Incentivos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece linhas de crédito para pessoas físicas interessadas em microgeração de energia solar. Nos financiamentos pela instituição as taxas do empréstimo variam de 4,03% e 4,55% ao ano, com prazos de carência de 3 a 24 meses e 12 anos para pagar.

Por sua vez, a Caixa Econômica Federal (CEF) financia sistemas fotovoltaicos residenciais em até 20 anos, pelo cartão Construcard. E o Banco do Brasil disponibiliza financiamento para implantação da tecnologia em áreas urbanas para pessoas físicas e jurídicas.

Outros bancos e programas públicos também fornecem linhas de crédito para expandir a utilização da energia fotovoltaica na construção civil comercial e residencial em alguns estados brasileiros. Vale ressaltar que a tecnologia é promissora no mercado da construção civil no Brasil, por diversos fatores: grande incidência de raios solares, conscientização da sociedade sobre a importância das medidas sustentáveis e vantagem econômica. Além disso, as construtoras recebem incentivos fiscais ao optarem pela energia solar, por meio de linhas de crédito específicas.