Homem trabalha em ambiente residencial - foto: Pixabay
futuro dos profissionais de RH
A pergunta que fica é: Será que nós brasileiros estamos, de fato, preparados para uma rotina de trabalho sem interação com os demais colaboradores de uma companhia?

O futuro do trabalho, imaginado nos últimos anos, para e pelos profissionais de RH, está cada vez mais presente

Carlos Plácido Teixeira
Jornalista I Radar do Futuro

Novos saltos de inovação das tecnologias de informação e comunicação (TIC), aceleração da adoção de recursos de automação, que propiciam mudanças de processos de produção e de estruturas organizacionais, inclusive com descentralização produtiva e automação de funções em todas as áreas. Estas são algumas das variáveis que se combinam como peças de uma engrenagem que vai impactar todo o sistema de administração de profissionais nos próximos anos. Um cenário que certamente será mais evidente quando a pandemia deixar de ser o foco exclusivo do noticiário do dia a dia global.

O ambiente econômico terá mudado substancialmente para quem vê além da fachada das empresas. Nos escritórios, a realidade dos executivos de médio e alto escalão vai consolidar as iniciativas que foram adotadas, nos primeiros momentos da pandemia, como medidas emergenciais. Um exemplo será a adoção de novas distribuições espaciais, que levem em conta que haverá menos gente com mesas cativas e compartilhamento de tempos de atividade. E o trabalho híbrido entre executivos e gestores.

Luiz Eduardo Drouet, Managing Partner na Share RH, salienta que a pandemia acelerou muito o processo de transformação em diferentes aspectos da vida corporativa, desde relações entre empregados e executivos e formato do trabalho. “Aquele futuro do trabalho sobre o qual vínhamos debatendo nos últimos anos está cada vez mais presente, atesta o executivo, graduado em Marketing e especialista em gestão empresarial, gestão de pessoas, metodologias ágeis, tendências, coolhunting e gestão da inovação.

A nova realidade envolve modelos organizacionais mais horizontalizados, menos hierarquia, com mais colaboração, times ágeis, orientados por competências e capabilities, ou seja, a capacidade de contribuir de fato para os desafios das organizações. A transição dos modelos de negócios e de produção vai impactar, por exemplo, na redução dos ciclos de contratações, que serão mais curtos. Vai ser um desafio para o profissional que lida com os recursos humanos. Uma demanda.

Adequação ao futuro

Luiz Eduardo Drouet reconhece que seja pouco pouco provável que alguém tenha previsto a pandemia, um evento fora da curva e sem precedentes para os nascidos nos últimos cem anos. As que não se prepararam para mudanças estão sofrendo mais. Como aquelas focadas em sistemas de controle e sistemas de administração mais ultrapassados. Estão tendo de se adaptar e foram profundamente afetadas em seus resultados.

Mas as organizações que já vinham se preparando para mudanças de cultura sofreram menos os impactos determinados pelo cenário de isolamento e de retração das atividades produtivas. A antecipação em relação a tendências mostrou a sua importância. Empresas que já vinham trabalhando internamente em estratégias inovativas,, com clima organizacional favorável, gestão de pessoas moderna e com práticas avançadas conseguiram se adaptar melhor às condições adversas do ambiente de mercado. O trabalho remoto foi o melhor exemplo de solução rápida. Quem já vinha incorporando o conceito saiu na frente.

O futuro sinaliza que a gestão de pessoas vai envolver menos times orientados por burocracia, por procedimentos que acabam atrapalhando os sistemas de produção. Todas as áreas estão tendo de se transformar. Com as áreas de gestão de recursos humanos não é diferente. Para Eduardo Drouet, a diferença em relação a crises anteriores é o fato de que o profissional teve de assumir novas posturas e percepções.

Em ocasiões no passado, o executivo de RH foi o responsável pela administração dos cortes de pessoas e reestruturação organizacional dos trabalhadores, com foco na eliminação de custos. Agora, teve de assumir papel mais estratégico, assumindo uma agenda de sobrevivência do negócio. Com o prolongamento da crise, é necessário pensar, cada vez mais, como manter as pessoas saudáveis. É necessário considerar a saúde mental dentro das organizações.

O aspecto mais positivo da pandemia foi o fato de que possibilitou um teste intensivo e forçado de pontos fortes e fracos do trabalho em home office, algo que já vinha sendo testado em algumas empresas. A expectativa é de que, quando as restrições de mobilidade forem eliminadas, o modelo híbrido seja mantido como padrão. O sistema é aquele em que parte da jornada é realizada na sede da empresa e outra parte no home office ou escritórios virtuais.

A reflexão para pensar o modelo mais adequado foi acelerada. O home office exclusivo não passou no teste como alternativa para o futuro. E também se consolida a certeza de que não há retorno para o trabalho presencial, mesmo após a pandemia. O híbrido é o modelo que deve ser preservado. Outra tendência acelerada no período, a contratação de profissionais por projetos também ganha força. De tudo, fica a certeza de que o especialista em RH precisará estar atento para não ele mesmo um que vão sentir negativamente os ventos das transformações do mercado.

Entrevista

Luiz Eduardo Drouet
Managing Partner na Share RH

Forças impactantes: profissionais de RH

  • Evolução das tecnologias de informação e comunicação
  • Mudanças organizacionais
  • Mudanças em modelos de trabalho
  • Descentralização produtiva
  • Novos conceitos de gestão
  • Automação de funções

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