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Ambiente social em 2021 e adiante: soluções mágicas não existem

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Como será o comportamento do brasileiro no ambiente social do segundo ano de privações impostas pela pandemia

Carlos Plácido Teixeira
Jornalista – Radar do Futuro

Faça meditação, recorra a um psicólogo. Aprenda a olhar o por do sol. Curta as coisas belas da natureza. Relaxe, pois em 2021 devemos continuar dominando nossas angústias, tanto as existenciais como aquelas do cotidiano. Urge compreender que as soluções para o combate ao Covid-19 e suas variações não virão na velocidade que consideramos ideal. Mesmo com a vacina, continuamos, pelo menos os que não são negacionistas, usando máscaras, evitando aglomerações e higienizando as mãos e coisas com frequência por mais algum tempo. O que pode se estender até o final do ano.

O avanço rumo ao controle total da pandemia ocorrerá de forma gradual. E diferente de uma região do planeta para outra. Os países ricos saem na frente. Mesmo assim, avanços mais significativos devem ocorrer apenas a partir do segundo semestre. Países dos grupos mais pobres tendem a levar mais tempo para superar a crise. No grupo que inclui os latino-americanos e africanos, o Brasil deve ter dificuldades extras, por conta da forma como o governo Bolsonaro administra a questão, como se não houvesse um mal a ser combatido.

Os brasileiros conviverão, nos próximos meses, com a terceira onda de mudanças de comportamento em relação à pandemia. Houve o ciclo iniciado em março de 2020, em torno da busca pelo normal, quando ocorreu o susto da emergência do vírus, até a ordem do isolamento determinada por estados e municípios. Então, de uma forma geral, as pessoas tinham expectativa de que o processo seria transitório, de curta duração, até a criação de uma vacina ou que o vírus perderia a sua força de propagação rapidamente. A adoção de um programa de imunização em massa reabriria as portas para o mundo externo.

O sacrifício coletivo e algumas demonstrações de solidariedade da classe média contribuíram para a sensação de que construiríamos um mundo melhor, um “novo normal”. O acesso às tecnologias de comunicação possibilitou a adaptação mais rápida a um novo ambiente de convívio e produção, compensando em parte os relacionamentos diretos.

Na segunda etapa, com o prolongamento das exigências de isolamento e de distância social, grupos crescentes de pessoas foram aderindo aos movimentos de insatisfação com a falta de soluções, que levaram não só às restrições de convívio mas, também, à impossibilidade de trabalhar. Foi o momento, a partir do segundo semestre e especialmente com as festas de final de ano, em que grande parte da população perdeu a crença de que haverá uma nova realidade. Retomaram, então, o velho normal, frequentando os ambientes de sempre. As ilusões sobre um processo civilizatório não se confirmaram. Além das festas em famílias e em ambientes fechados, as praias no final de semana, os bares, as academias, os espaços de coworking e as compras nos shoppings e grandes centros de compras. Inicialmente de máscara, depois nem isso.

A perspectiva de estouro dos casos no início deste 2021, superando mais de 200 mil mortos e o caos nos sistemas de saúde, com ausência do auxílio emergencial que manteve milhões de brasileiros em condições de sobrevivência, vai inaugurar a terceira fase da história da pandemia no Brasil. Ela terá a marca da busca de construção de padrões baseados na experiência e na redução de expectativas. Não será nem o velho normal, nem o novo imaginado anteriormente. Será algo que tende a explorar soluções mais individuais ou de pequenos grupos, em um ambiente de restrições. É a construção do padrão pessoal, que reconhece a instabilidade e a desconstrução de certezas.

CERTEZASINCERTEZASSUPOSIÇÕES
Crescimento econômico lento
Desemprego, aumento da miséria
Pressões sociais crescentes
Radicalizações políticas
Imunização: quando?
E se aumentar o número de mortes e doentes sem atendimento?
Impactos da pandemia seguem durante o ano
Insatisfação crescente – com tudo
Desalento
Radar do Futuro

Cenário 1: incertezas permanecem

O que acontecerá caso a perspectiva mais negativa de mortes e colapso do sistema de saúde se confirme como resultado das aglomerações nas festas de final de ano? E se não houver uma campanha de imunização urgente? Tendemos a ver, como uma das possibilidades de futuro de curtíssimo prazo, a aceleração da “era do desalento”, um processo que, na verdade, já vinha ocorrendo anteriormente. Ao lembrar o ano passado, pensamos que muitos de nós fomos pacientes, solidários e comportados, mas não adiantou. Nos revoltamos, e não resolveu também. E que uma parte da população manteve atividades, alguns até sem respeitar as regras de afastamento ou de uso de máscaras.

O que será do futuro, então? Com fluxos e refluxos das doenças e de suas consequências, o sentimento de vulnerabilidade cresce, reafirmando as incertezas e a dificuldade de enxergar saídas futuras para a vida. Crianças e adolescentes não retornarão para as escolas, assim como seus pais seguirão com restrições ao convívio em ambientes de trabalho e de lazer. As relações de trabalho são mais precárias, assim como a vida e sociedade. Um trabalho desenvolvido pela consultoria de tendências WGSN para a UnimedBH identifica uma “ansiedade financeira” acompanhando os brasileiros, como um sentimento chave. “Está claro que uma recessão econômica está sendo estabelecida ou acirrada, o que irá afetar os mercados e os consumidores em diferentes níveis, mesmo em países em que as previsões são mais otimistas”, avalia o estudo.

Cenário 2: vacinação antecipada

No cenário mais positivo no Brasil, a vacinação começa a ocorrer ainda nos primeiros meses do ano, superando as dificuldades colocadas no caminho pelo governo Bolsonaro. Os acontecimentos registrados no exterior, onde a vacinação foi iniciada, mas mesmo assim houve a necessidade de adoção de medidas radicais, como o lockdown no Reino Unido, demonstram que a situação não será resolvida rapidamente. Ainda haverá dificuldades a superar. E o ciclo de imunização deverá continuar durante todo o ano.

Isso significa que a sociedade ainda conviverá com fluxos de abertura e fechamento de atividades. A impaciência vai aflorar em discussões, por exemplo, sobre a retomada das aulas presenciais e do fim de exigências do trabalho em casa. E restrições a viagens internacionais. Um ambiente ainda negativo, que tende a ser agravado pela percepção de que as políticas públicas voltam a priorizar a “agenda liberal”, sem medidas de apoio para a população de baixa renda.

Adapte-se ou sofra. Reconheça que os desafios ainda permanecem. Para a psicóloga e professora do Centro Universitário Tiradentes (Unit/AL), Camila Carnaúba, em 2021 será necessário criar novos hábitos nas áreas de ambientes, emoções, pensamentos e comportamentos. é essencial perceber como lidamos com nossos sentimentos. “É fácil encontrar na internet exercícios de respiração e mindfulness (atenção plena), porém sempre é adequado – e um sinal de força, coragem e amor próprio – procurar ajuda de profissionais se perceber que precisa de ajuda especializada” diz a especialista.

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