Os avanços tecnológicos possibilitam o monitoramento permanente e à distância da saúde dos pacientes

A evolução da inteligência aritificial, incorporada aos equipamentos, muda a prática da medicina dos próximos anos. Profissionais devem reforçar a habilidade de empatia com clientes

Carlos Plácido Teixeira
Editor – Radar do Futuro

Em 2022, ao se formar em medicina, Abel Filho retinha na memória pessoal menor quantidade de informações sobre anatomia, fisiologia, sinapses, patologia, bioquímica e biofísica, entre outros conhecimentos sobre o corpo humano, do que Abel Pai, médico formado nos distantes anos de 1980. A consciência disso não preocupava o recém-formado.

Desde a segunda parte dos anos 2010, quando Abel Pai iniciou o curso, a evolução das tecnologias da informação vinha reduzindo a dependência do conhecimento acumulado na memória humana pelos profissionais da área médica. Em 1985, Abel Pai estudava em livros caros, grande parte importados. O acesso ao conhecimento científico novo dependia exclusivamente de revistas especializadas. O esforço de atualização era não só difícil mas, também, caro.

O filho contou com o acesso à internet e com as inovações tecnológicas que alteraram o acesso ao conhecimento e à prática médica. Em 2019, todo diagnóstico levantando com pacientes já passava a contar com a inteligência artificial, com a capacidade de processamento disponível no ambiente mágico das redes informatizados e com as informações disponíveis na internet. A evolução dos marcadores biológicos, propiciada pela biotecnologia, ampliou a oferta de informações de um simples exame de sangue.

Até os primeiros anos do século, o médico típico, como o pai de Abel, contava com conhecimentos acumulados na memória pessoal para realizar os seus diagnósticos e prescrever tratamentos. Era uma questão de necessidade. Os profissionais que sobressaíam frente aos demais eram aqueles capazes de identificar doenças raras, graças ao investimento maior em estudos.O esforço do profissional resultava em diferenciações e, consequentemente, no reconhecimento de pacientes e do mercado de uma forma geral.

A tecnologia mudou o quadro. Em 2022, certamente, os laboratórios de análises clínicas estarão vivendo uma crise. Qualquer consultório terá os recursos necessários para realizar exames de sangue ou urina. Até mais ainda. O exame indicará até mesmo dados de DNA para a identificação de doenças raras.

O avanço da tecnologia altera os procedimentos de diagnóstico, de análise e dos tratamentos. Parte substancial ficará a cargo dos computadores, dispositivos e robôs. As condições de trabalho levarão médicos e profissionais da saúde a fortalecer a interface emocional. Eles terão um papel cada vez maior de relacionamento interpessoal.

A educação médica terá de lidar com a integração destas novas tecnologias de forma rápida e eficiente e a sociedade terá de se adaptar aos novos modelos de cuidados com a saúde.