o mundo em 2025
Foto: Pixabay

Em 2025, um estudante que tenha se formado em uma universidade será uma testemunha de profundas mudanças na sociedade global

Carlos Plácido Teixeira
Jornalista I Radar do Futuro

Por volta de 2025, o mundo é um trem chegando em uma estação depois de uma viagem repleta de momentos de suspense. Uma história recheada por crises econômicas a pandemias e terremotos causados por novas tecnologias e crises sociais e sanitárias. Um estudante que tenha entrado na universidade no inicio da década será testemunha de acontecimentos que poucos universitários das gerações anteriores terão vivido. Em certa medida, o jovem terá iniciado um curso ainda no formato analógico, mesmo usando recursos tecnológicos, e sairá, na estação da formatura, em um ambiente digital.

Imagine um recém-formado, João, representante da geração digital, nascido no início do século. Quando iniciou sua formação universitária em 2021, o mundo estava ainda tentando superar os traumas deixados pela pandemia da Covid-19. No caso, utilizamos a hipótese de que uma vacina foi desenvolvida e o surto controlado. Além das centenas de milhares de mortes, a crise sanitária deixou um legado de medo quanto ao futuro. Com a possibilidade de repetição de novos surtos. Na economia, o desemprego ficou como marca. Além de incertezas sobre a capacidade de recuperação da economia, algo que persiste durante os anos seguintes.

  • Aceleração da adoção de tecnologias
  • Retração econômica
  • Desemprego / queda da renda
  • Quebra de empresas
  • Insatisfação com sistema político
  • Desalento/incerteza
  • Radicalização

O balanço dos eventos revela que, a partir de janeiro de 2020, ocorreu um teste de fogo da velocidade 4G. O laboratório emergencial criado pelo ambiente pandêmico mostrou a aprovação nos testes de uso das tecnologias e dos modelos de interação de pessoas para o trabalho e para o consumo. A infraestrutura funcionou, mesmo que os usuários das redes tenham reclamado muito da qualidade das conexões.

Ela seria substituída aos poucos, até 2025. No plano inicial das grandes empresas de tecnologia e de seus evangelizadores — os profissionais que fazem a pregação das virtudes de seus produtos — o momento seria de uma transição lenta. A primeira grande avaliação pública e global da internet 5G rumo ao futuro exponencial ocorreria em 2020, no Japão, nas Olimpíadas adiadas.

O novo padrão de velocidade da internet seria implantado nos anos seguintes, com a propaganda favorável da transmissão dos jogos. Mas a publicidade não foi necessária. O sucesso de adaptação dos mercados às novas condições de funcionamento do sistema acabou sendo surpreendente.

O resultado do sucesso da experiência coletiva emergencial foi o estímulo à antecipação dos projetos baseados em uso da rede de telecomunicações. Por isso mesmo, ainda em 2020, empresas anunciaram a intenção em manter parte de seus funcionários trabalhando a distância. Ou já decretavam que o futuro do trabalho das áreas de escritório será híbrido: uma parte do tempo em casa ou em ambientes compartilhados e outra em companhia de colegas, em espaços que serão adaptados para novas estratégias de uso.

Aceleração

Em 2025, o ambiente econômico global continua sob a influência de conflitos, aprofundados a partir do momento em que a China ultrapassou os Estados Unidos como maior potência global. Ao mostrar a vulnerabilidade dos países dependentes de produtos e matérias-primas externas, a pandemia contribuiu para o aumento do protecionismo. De uma forma geral, os governos ainda estarão administrando o baixo crescimento de suas economias internas. E lidando com a insatisfação das populações por conta da ausência de respostas para as demandas mais urgentes, inclusive do combate à desigualdade e da queda da qualidade de vida.

Durante o curso, João é uma testemunha das mudanças aceleradas pela digitalização, definida no final da década anterior como a quarta revolução industrial. A transição para o novo período do capitalismo global, marcado pela presença e domínio de novas tecnologias, representa o maior acontecimento da civilização desde a ocorrência da Revolução Industrial no século 18. Há uma mudança de sistema, baseada na produção mecânica, dependente de mão de obra, para outro, digital, caracterizada pelo desenvolvimento de tecnologias em áreas como genética, física, biotecnologia, nanotecnologia, robótica e automação.

Os impactos desses avanços são percebidos em diversos setores da sociedade e afetam o desenvolvimento dos mercados e dos negócios, as relações de emprego e as relações sociais. As inovações também provocam discussões sobre a ética e limites das relações em geral, como acontece com as questões das manipulações biológicas e genéticas, entre outras. O estudante, como representante da geração, será um passageiro privilegiado porque domina as ferramentas tecnológicas. Mas preocupado.

No cenário geopolítico, o estudante terá acompanhado os efeitos da política econômica adotada pelo governo Joe Biden logo após a posse, no início de 2021. Para o horror de cronistas econômicos e políticos tradicionais, especialmente os brasileiros, o novo presidente dos Estados Unidos defendeu uma agenda social ambiciosa: estender os tentáculos do Estado, oferecendo pré-escola e faculdade gratuitas, assistência médica ampliada e novos incentivos fiscais para as famílias americanas, financiados, em grande parte, pelo aumento de impostos sobre os muito ricos. O cenário internacional não será, entretanto, de calmaria, por conta da ascensão da China como a economia mais dinâmica do planeta.

No Brasil, a convergência da adoção de novos modelos de negócios, da desregulamentação do sistema produtivo, da flexibilização dos mercados de trabalho e a insatisfação crescente com a incapacidade dos governos em oferecer soluções para os problemas coletivos terão, como resultados, e a herança do governo Bolsonaro, de desconstrução do Estado, inclusive do ensino público em todos os níveis, em sentido contrário ao resto do mundo. O questionamento global e local sobre o papel do Estado, com reivindicações de retorno de investimentos em bem-estar social será crescente. Inclusive com a defesa da renda básica universal.

Informalidade

João inicia a carreira profissional como empreendedor, o eufemismo disseminado como tendência para definir relações de trabalho precárias. Em sua nova carreira, ele provavelmente será um trabalhador autônomo, sem expectativas de um emprego tradicional, enquanto desempenha suas atividades como prestador de serviços sem vínculos, por projeto ou por hora. Ou vinculado a alguma plataforma.

Na transição da primeira para a segunda metade da década. a tecnologia assume poderes da ubiquidade, da onipresença, aquilo que está em todos os lugares. Teremos nossos assistentes pessoais, invisíveis. João nem vai se lembrar sobre onde ficou o seu último smartphone, pois o objeto desmaterializou-se. As telas sensíveis ao toque passaram a ter papel secundário, quase irrelevante, com a ascensão dos comandos de voz e telas em todas as partes. Os comandos de voz são a interface das pessoas, no cenário em que tudo pode ser tela. A inteligência artificial, com avanços em saltos, possibilitou a criação de novas ferramentas de trabalho.

As funções baseadas em rotinas são realizadas por sistemas ou máquinas automatizadas. Funções tradicionais e repetitivas, como caixas em bancos, supermercados e farmácias, foram praticamente dizimadas. Ainda restam uns poucos, no papel de gestores. Nas lojas, consumidores utilizam os sistemas automáticos que reduziram a necessidade dos humanos. E a administração de estoques está integrada entre lojas e fornecedores. O comércio eletrônico, acelerado desde a pandemia de cinco anos atrás, se consolida como alternativa popular entre os consumidores.

O nível de maturidade das tecnologias terá possibilitado a expansão dos investimentos em robótica. Até por conta de questões de distanciamento, determinado pelo trauma das pandemias e epidemias, os robôs colaborativos foram amplamente incorporados às fábricas. Confirmando projeções, robôs já são responsáveis por mais de 50% das atividades nas fábricas. E o seu uso se expande no ambiente doméstico, principalmente em países desenvolvidos.

Oportunidades

Se o mundo parece um tanto instável, vale pelo menos uma notícia tranquilizadora. No meio da década, e talvez até o fim dela, os jovens continuarão escolhendo profissões tradicionais. E o mercado de trabalho estará girando ainda em torno delas. Medicina, odontologia, enfermagem, psicologia, engenharia civil, direito, administração de empresas, educação física, ciências ciências e pedagogia, algumas das mais disputadas nos rankings dos processos de seleção anual do Enem desde o século passado, provavelmente continuarão com os mesmos nomes. E atraindo a maior parte dos interessados pelas carreiras universitárias.

O que tende a mudar são algumas de suas práticas, a incorporação de ferramentas de trabalho e interdisciplinariedade. João, nosso recém-formado, independente da sua área de bacharelado, já dominará conhecimentos adaptativos da atividade às inovações tecnológicas. Se for o caso da medicina, ele já estará utilizando recursos de inteligência artificial para identificação de imagens aplicadas aos diagnósticos. Ou lidando com robôs para a realização de intervenções. E se preparando para a implantação de chips cerebrais.

Se for odontologia, já será generalizado o uso de scanners e impressoras 3D para a produção de peças, com novos materiais, para a substituição de dentes dos pacientes. As ciências sociais usará sistemas de tradução instantânea, além do inglês ou espanhol, para coletar novas bases de informações, que ajudarão a entender o comportamentos da sociedade.

O recém-formado pode ter se formado em uma área de biotecnologia, que nada mais é do que a combinação da biologia com a tecnologia. Durante o curso, João pode ter percebido que as profissões tradicionais são a origem das novas formações no mercado. Quando os avós dele fizeram cursos superiores, um privilégio, por sinal, eram poucas as áreas e vagas disponíveis.

Após as reformas de tempos recentes, o sistema cresceu. Hoje, são mais de 540 alternativas de cursos disponíveis para os estudantes. Em 2025, a formação é cada vez mais interdisciplinar. Com novos e maiores desafios para os recém-chegados. Mas os desafios serão crescentes.

20 cursos mais procurados – 2019

MEDICINA286373
DIREITO135000
ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS115754
ENFERMAGEM97154
PSICOLOGIA81495
PEDAGOGIA78597
EDUCAÇÃO FÍSICA E SAÚDE63761
MEDICINA VETERINÁRIA60587
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS55264
ODONTOLOGIA48724
AGRONOMIA44147
ENGENHARIA CIVIL43470
NUTRIÇÃO42379
CIÊNCIAS CONTÁBEIS41859
FARMÁCIA40291
FISIOTERAPIA38549
CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO36507
ARQUITETURA E URBANISMO34471
MATEMÁTICA31263
GEOLOGIA30182
Fonte: Enem/Sisu MEC

Forças-chave do mundo do trabalho em 2025

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