Insegurança crescente afeta transporte de cargas

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(Vladimir Platonow/Agencia Brasil
Exército reforça a segurança no Rio de Janeiro, com foco no combate ao roubo de cargas e repressão ao crime organizado foto (Vladimir Platonow/Agencia Brasil)

Carlos Teixeira
Radar do Futuro

Empresas de transporte de cargas convencionais estão deixando de fazer entregas no Rio de Janeiro. A decisão é um dos efeitos da constatação de que, no ambiente de insegurança pública no Brasil e particularmente no Estado, mesmo a entrega de produtos convencionais, como cigarros, café, carnes e produtos alimentícios, precisa ser feita com o uso de grandes aparatos de apoio. Inclusive com o uso de carros blindados.

A constatação sobre o agravamento do quadro de incertezas é o sócio e diretor comercial da Esquadra Transporte de Valores e Segurança, Marcos Vinícius Ferreira. “Há alguns anos, tínhamos basicamente dois segmentos: transporte de dinheiro e de produtos de alto valor agregado, como eletrônicos e joias. Hoje, é crescente a demanda pelos outros produtos”, assinala o executivo. Segundo ele, “o que antes era eventual agora está virando o comum, agravando o cenário de insegurança interna”.

Segundo a Federação de Transportadores do Rio de Janeiro, o foco dos ladrões de cargas vem sendo ampliado. Itens como frango, leite, chocolate e refrigerantes se tornaram muito visados. São mercadorias baratas que estão sendo roubadas por conta da facilidade de revenda imediata no pequeno comércio. Segundo a entidade, “para as empresas que distribuem em todo o Pais, o prejuízo se dilui, mas para as transportadoras regionais a situação fica difícil, levando à paralisação de operações.

Revisão de estratégias

Na verdade, os problemas não se concentram apenas no Rio de Janeiro, cuja capital está sob intervenção do Exército em um esforço de solução de problemas que continuam se agravando. Nos últimos quatro anos, segundo dados da Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (NTC&Logística), o número de casos envolvendo roubos de cargas no País cresceu nada menos de 49%. E as perdas superaram o índice de 56%.

No Estado do Rio, a cada 50 minutos há o registro de um roubo de carga. A região é lider nas ocorrências. Produtos alimentícios, cigarros, combustíveis, eletrônicos, produtos farmacêuticos, bebidas, têxteis e confecções, autopeças e produtos químicos são as cargas mais visadas no cenário atual. Com a disparada dos problemas, lideranças empresariais reivindicam a urgência de medidas para reforçar o transporte de segurança.

Um dos efeitos do acirramento dos problemas é que as empresas precisam mudar continuamente as suas estratégias. De acordo com Marcos Vinícius, a escolta armada passou a ser um padrão comum à distribuição de produtos. “Não existe mais transporte sem escolta”, atesta o executivo. As estratégias passam a envolver, então, o uso dos caminhões blindados, comboios e trocas frequentes de roteiros.

Há um aumento da complexidade do planejamento das entregas. A saída para transportadoras como a Esquadra, uma das maiores do mercado brasileiro, com sete mil funcionários e atuação nas regiões Sul e Sudeste e Brasília, é agregar novos serviços.  Inclusive com sinergia com estratégias e tecnologias militares, cada vez mais acessíveis. “Dependendo do produto, atualmente utilizamos inclusive acompanhamento aéreo, com helicópteros, algo impensável há alguns poucos anos”, afirma Marcos Vinícius Ferreira.

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