No cenário de tratamento medicamentoso, começamos a entrar de fato na era da terapia celular. Foto: Pixabay
No cenário de tratamento medicamentoso, começamos a entrar de fato na era da terapia celular. A medicina consolida as transformações rumo ao futuro. Foto: Pixabay

Carlos Teixeira
Jornalista I Editor Radar do Futuro

“Independente dos cenários futuros, o médico será necessário no mercado. Mas terá de se reposicionar.” A avaliação é do médico cardiologista Gilmar Reis, coordenador do curso de medicina da PUC Minas, câmpus de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, para quem o futuro da profissão vai exigir o resgate de comportamentos que foram se perdendo com o tempo no exercício diário da atividade. A humanização dos tratamentos será cada vez mais essencial nos ambientes de trabalho.

A medicina sente os efeitos da maturidade das tecnologias. Assim como outras áreas de conhecimento e de atuação profissional. A convergência da inteligência artificial, da internet das coisas, da disponibilidade de informações no sistema de big data com a evolução da genética, da biotecnologia e da nanotecnologia, entre outros campos de inovação, promete disseminar saltos exponenciais em atividades médicas de tratamento, acompanhamento e intervenção de pacientes.

O especialista em cardiologia, um dos pioneiros no desenvolvimento de pesquisas de inovações em Minas Gerais, aposta nas tecnologias como ferramenta de apoio ao trabalho, solução para os procedimentos voltados ao aprimoramento do atendimento de pacientes. Não como um elemento a mais de concorrência. “Hoje, temos tecnologias à disposição em todas as áreas da medicina. Caminhamos para um cenário muito interessante”, diz, reiterando o otimismo .

Terapia celular

No início dos anos 2000, Gilmar Reis foi um dos únicos pesquisadores brasileiros fora de uma universidade que teve um protocolo de células-tronco executado. Entre avanços e recuos do desenvolvimento científico, ele identifica o momento como propício para o crescimento da influência das inovações nos processos da saúde. “No cenário de tratamento medicamentoso, começamos a entrar de fato na era da terapia celular”, assinala.

O resultado, prevê, será a entrada, em breve, de vários protocolos de célula-tronco em várias áreas de conhecimento. “Além da cardiologia, na neurologia, endócrino, ortopedia, entre outras, são várias áreas em que parece que a coisa agora vai de fato engrenar”, atesta Gilmar Reis.

Na terapia genômica, salienta o especialista, estamos quebrando os primeiros grandes dogmas do tratamento ao se descobrir tecnologias específicas para a manipulação genética, com o objetivo de melhorar condições que infelizmente trazem grande morbidade para pessoas com problemas genéticos. Em síntese, para quem aguardava avanços de fato, as terapias genéticas estão chegando nesta transição entre a segunda e terceira década o milênio.

Medicamentos

No cenário do tratamento medicamentoso das doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, a medicina caminha para a situação em que o paciente toma uma pílula capaz de resolver problemas variados. Por exemplo, caminhamos para uma terapêutica em que a pessoa recebe uma injeção subcutânea e terá uma nova dose em 15 ou 30 dias. É o resultado da evolução da genética, da nanotecnologia e das proteínas.

Em termos de equipamentos, a evolução da medicina se direciona agora para as análises em tempo real da fisiologia, com tecnologias absolutamente inovadoras. Hoje, já existem equipamentos capazes de fazer ecocardiogramas em quatro dimensões no consultório. A miniaturização de equipamentos se alia ao aprimoramento de acesso a imagens em quarta dimensão, favorecendo os diagnósticos e o acompanhamentos dos pacientes. O profissional também se beneficia do maior acesso e uso de informações de estudos populacionais, com base em big data, que geram resultados efetivos  para populações inteiras.

Mesmo o ensino médico sente o efeito acelerado das inovações. E consolida a tendência de utilização de realidade virtual, de terceira dimensão, e realidade aumentada. O uso de óculos apropriados possibilita a inserção do estudantes no ambiente, seja de uma cirurgia ou de um acidente, com imagens muito próximas do dia a dia. A metodologia envolve o aprender-fazendo.

A evolução dos recursos de apoio cobra algum preço, assinala Gilmar Reis, reiterando a recomendação de que o médico vai precisar se reposicionar nas suas relações com o mercado de trabalho e com os seus clientes. É necessário entender que a inteligência artificial ou a telemedicina já são uma realidade, mas o profissional ainda tem uma pessoa diante dele, alguém que reivindica cuidados e atenção. “O paciente quer ouvir o retorno do médico sobre as demandas apresentadas”.

Confira a entrevista: Gilmar Reis – Cardiologista