Conversas sobre o futuro: sua memória pessoal corre risco

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Conversas sobre o futuro
sem nos preparar para o futuro, corremos o risco de perder até mesmo memórias do passado.
Foto: Pixabay

Sem nos preparar para o futuro, corremos o risco de perder até mesmo memórias do passado. Confira o porquê nesta edição das Conversas sobre o futuro

Oi, como vai você?
aqui é o Carlos Plácido Teixeira, jornalista do Radar do Futuro

Eu faço parte de uma geração de raros registros fotográficos dos tais momentos mais felizes da vida, como diziam as propagandas de gente feliz e sorridente. Sim, eu sou do tempo da Kodak, dos rolos de filme, das revelações em papel, caríssimas para a maior parte das pessoas. Fotografia era algo inacessível para as famílias. Gravações em filmes, então, nem pensar. Era um privilégio, para muitíssimos poucos. Por conta disso, eu e uma multidão dos nascidos até o final da década de 1990, de verdade, temos imagens raras de inúmeros eventos importantes da infância, adolescência ou da fase adulta.

Por incrível que pareça, a mesma carência de retratos e vídeos do passado pode ocorrer, em mais alguns anos, com quem tem todas as facilidades para, atualmente, tirar fotos com fartura, com celulares de última geração ou com máquinas fotográficas digitais. Algo que aconteceu comigo, em uma experiência traumática, relacionada com textos jornalísticos. No início da internet cheguei a acreditar, como se propagava com grande intensidade na época, que teria acesso aos conteúdos produzidos para a internet para sempre. Hoje, não tenho a memória da minha produção entre 1995 e 2005.

Este alerta tem o objetivo de destacar, mais uma vez, a importância de pensar no futuro. E sobre a necessidade de tomar consciência sobre a necessidade de preservar imagens para o futuro. Pense aí: onde estão as suas imagens da viagem que você fez em 2015 com a família para a Europa? Você tem certeza de que sabe? Aquele seu HD externo está funcionando direitinho mesmo? E o seu computador novo tem o “drive” de CD para que você possa conferir o passeio com as crianças na Disney em 2010?

Desconfie da memória

A sociedade corre o risco de perder registros nos próximos anos, inclusive os históricos por conta do excesso de confiança no “poder mágico das tecnologias”. No caso, as digitais. Tudo bem, que ser adolescente é bom demais, mesmo quando a pessoa tem mais de 60 e ainda acha que o importante é viver o hoje. O alerta vale para todas os seus dados e suas informações. A questão não é saber se vai existir capacidade de armazenamento e de processamento. Mas o fato é que suas fotos estão guardadas na nuvem sob responsabilidade das “big techs”, as “maiorais da tecnologia”. Agora mesmo, o Google Fotos está reduzindo o espaço para armazenamento de imagens. Pense nisso para não ficar sem suas memórias.

Tendências

O que puder ser automatizado, será

O braço de investimento de capital de risco da gigante de buscas Google acabou de co-liderar uma rodada de financiamento de US$ 25 milhões para a Merlin Labs, uma desenvolvedora de tecnologia de voo autônomo. A empresa pretende criar um “piloto digital verdadeiramente autônomo”. A startup em breve pode ter 55 aviões voando no espaço aéreo dos Estados Unidos. Sem pilotos.

E mais: o uso de novas tecnologias pode substituir o trabalho realizado por 53.600 servidores públicos federais que estarão aptos a se aposentar a partir de 2030, segundo uma pesquisa da Enap (Escola Nacional de Administração Pública).


Indicadores

Estudo realizado pela ZRG Brasil, empresa global de Executive Search e consultoria em lideranças, indica um aumento de 50% na participação de mulheres nos conselhos de administração das empresas neste ano. A ZRG ouviu 30 presidentes de conselhos de empresas de grande e médio porte de diversos segmentos, entre os meses de novembro e dezembro de 2020.

A Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, com apoio da H2R Pesquisas, constata a tendência do empresariado brasileiro em investir em inovação e tecnologia para aprimorar seus processos

O mercado de startups está em alta: o Brasil passou de 10 mil empresas em 2018 para 13.211 no final de 2020, o que representa um salto de 32,11%, segundo dados da Abstartups (Associação Brasileira de Startups)

Insights

Sol brilha no campo da energia

O Brasil é um dos países que mais instalaram sistemas de energia solar no mundo em 2020. De acordo com dados divulgados pela Agência Internacional de Energia (IEA) compilados pela Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), o maior país da América Latina alcançou 3,15 gigawatts (GW) em novos empreendimentos de geração solar ao longo do último ano, surgindo em nono lugar no ranking mundial, liderado por China, Estados Unidos, Vietnã, Japão e Alemanha.

A Cleanwatts, empresa de soluções tecnológicas de energia, lançou recentemente uma campanha de pré-registo em comunidades energéticas em Portugal. O objetivo é conseguir fazer chegar energia limpa — e mais barata — a um maior número de pessoas já a partir do mês de junho. A União Europeia introduziu um novo enquadramento jurídico que permite a venda de energia limpa diretamente aos consumidores através das Comunidades de Energia Renovável (CER) e das Comunidades de Cidadãos para a Energia (CCE).

Reconhecimento no pasto

Uma nova aplicação para os sistemas de reconhecimento de imagens chega ao campo: sistema de biometria para o gado no pasto. A tecnologia vai identificar cada animal por reconhecimento facial, com uma tendência que substitui brincos e marcações. Das poucas áreas com bom desempenho econômico, a agropecuária segue investindo em inovação tecnológica, aguardando apenas que internet de qualidade chegue ao interior.

Preocupação nos laboratórios

Cientistas estão preocupados com vazamentos em laboratórios de biotecnologia. A teoria de que o COVID-19 pode ser o resultado de experimentos científicos lançou um holofote sobre o trabalho dos biolabs mais seguros do mundo. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden voltou com a história de investigações sobre as origens da Covid-19. Para os pesquisadores, o comportamento é motivo de preocupações. Confira

Inovações & Inovadores

Promessa contra esclerose múltipla

Merck anunciou dados promissores do estudo Magnify-MS em pacientes com esclerose múltipla recorrente (EMR), tratados com cladribina oral (MAVENCLAD®). Os resultados podem contribuir para a capacidade de combater infecções e desenvolver anticorpos protetores a partir das vacinas. Os dados foram apresentados no Congresso Anual da Academia Americana de Neurologia (AAN).

e contra a osteoporose

A Anvisa para o lançamento do romosozumabe, produzido pelo laboratório Amgen. O anticorpo monoclonal para o tratamento da osteoporose é o primeiro medicamento do gênero com duplo mecanismo de ação, pois evita a perda de massa óssea e ao mesmo tempo regenera as partes já comprometidas pela doença.

Cenários

E se … estivermos vivos daqui a cinco anos

Os avanços da área de saúde nos próximos cinco anos serão a garantia de aumento da longevidade da população. Melhor dizendo, se você chegar a 2025 ou 2026 com boa saúde, tem muito mais chances de ganhar mais uma década de vida, pelo menos. A pandemia deu uma demonstração sobre como ainda há atrasos — afinal não foram criados as vacinas definitivas –, mas há um grande avanço, pois o tempo para a produção dos primeiros antídotos foram antecipados em alguns meses.


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