Como as tecnologias mudam o futuro dos CFOs

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Carlos Teixeira
Jornalista e Futurólogo

As decisões atribuídas aos CFOs ou diretores de finanças continuarão sendo tomadas e assumidas por pessoas, por cérebros de executivos humanos. Certo? Ernesto Schlesinger, executivo de finanças com mais de 24 anos de experiência profissional, pode não ter 100% de certezas. Afinal, com a velocidade e a profundidade dos avanços das tecnologias, surpresas sempre podem acontecer nos ambientes de negócios das próximas décadas.

Mas o cenário descrito acima tem uma chance enorme de ser a síntese das perspectivas das atividades dos diretores envolvidos com as decisões financeiras nas administrações privadas e públicas. Os riscos das previsões são menores do que a projeção para outras atividades. Um estudo de dois cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, atesta que há 13% de chances de substituição de altos executivos de finanças por sistemas e máquinas automatizados.

Com mais de 24 anos de experiência profissional, Ernesto Schlesinger, especialista em apoiar negócios que procuram alavancar recursos em cenários complexos e desafiadores, garante que “os CFOs precisarão abraçar o digital”. Ou seja, executivos das finanças precisam desenvolver um conhecimento mais profundo do panorama tecnológico digital e aprender a “falar digital”. O componente tecnológico dos processos de negócios não pode mais ficar isolado. “E o CFO precisará ter a capacidade de avaliar todo o escopo da tecnologia na sua área de atuação”.

Vista pela linha do tempo pessoal, desde a formação em administração de empresas e MBA em gestão empresarial no Brasil e exterior, a história de vida de Schlesinger seguiu paralela à trajetória do sistema produtivo e da influência tecnológica das décadas recentes. O executivo, que já passou por empresas como Unilever, Kraft, PricewaterhouseCoopers e Alcatel-Lucent, já ocupou diversas funcões de liderança e tem atuado como CFO e diretor de finanças nos últimos 14 anos, conviveu com as mudanças.

Da hiperinflação ao futuro

Quem começa hoje, munido de informações entregues pela computação e internet, não tem a menor ideia do que era a vivência analógica do período pré-informatização de tudo. Havia, então, a hiperinflação. De 2700% no ano de 1993.  Sofisticação da época era a calculadora financeira HP. No mais, anotar dados com lápis e borracha na mão para dar conta da correção monetária, uma artimanha das contabilidades públicas e privadas para dar conta da corrida dos preços.

“As fontes de informações eram limitadas, praticamente à Gazeta Mercantil, na época o principal jornal de economia, finanças e negócios do País”, recorda Ernesto Schlesinger. A implantação do Plano Real com a redução da inflação, a modernização da economia e a reestruturação do sistema produtivo, que incluiu as privatizações, contemporâneos do desenvolvimento da informática e da massificação do acesso à internet, deram início a uma etapa do desenvolvimento das áreas financeiras das organizações.

O Windows, sistema operacional da Microsoft, e o desenvolvimento das planilhas eletrônicas, tiveram um papel essencial nas mudanças ocorridas a partir do século atual para a atividade dos CEOs. “Até mesmo o Power Point, software de apresentações teve influência importante na mudança na dinâmica das atividades”, assegura o especialista. “As tecnologias trouxeram eficiência para as atividades”, assinala.

No passado as áreas de informática cumpriam o papel de “evangelizadores”, com o objetivo de convencer profissionais a trocar suas calculadoras, lápis e papel por sistemas informatizados. Agora e, mais ainda, nos próximos anos, a função deve ser desempenhada também pelos CFOs. Daí, a necessidade dos executivos assumirem a habilidade de “abraçar o digital”, como diz Ernesto Schlesinger.  

Afinal, o cenário é de profunda mudança, decorrente da influência exponencial da revolução digital. A possibilidade de ter instantaneamento acesso a análises de cenários sobre todas as variáveis de comportamento dos mercados globais, força a nova postura. Para Schlesinger, o desenvolvimento das competências em finanças é reforçado. Para ele, “conforme a área financeira dialoga mais com a liderança da empresa, haverá cada vez mais necessidade entre os profissionais financeiros de competências que apoiem a análise e o uso da tecnologia digital”.

Ele avalia também que as novas ferramentas têm de ser acompanhadas pela renovação da visão do CFO, além da capacitação da equipe de finanças em termos de processamento analítico, conhecimento de estatística e também de relacionamento. O raciocínio leva em conta que o intuito dessas tecnologias é liberar o tempo dos profissionais, para que estes possam dedicar-se mais ao entendimento do negócio.

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