tratores sem operadores1 foto cnh industrial
Brasil é mercado prioritário para a venda de máquinas com tecnologias avançadas

Redação
Radar do Futuro

O perfil da produção agricola brasileira, baseada em grandes propriedades rurais, ajudar a tornar o mercado interno prioritário para a oferta de tratores autônomos, que trabalham sem operadores e controlados remotamente, por computadores ou tablets. O interesse especial da indústria de equipamentos em relação ao agronegócio nacional é reforçado pela CNH Industrial, que levou à Agrishow 2017, em Ribeirão Preto, o primeiro trator autônomo do mundo.    

Caracterizado pela conectividade entre máquinas, o protótipo, da marca Case IH,  representa uma visão do futuro da agricultura. Esse conceito, típico do desenvolvimento do conceito de “agricultura 4.0”, faz parte das iniciativas globais da CNH Industrial em Inovação Tecnológica Sustentável, desenvolvido com a participação de pesquisadores brasileiros, que contribuem para soluções aplicadas ao mercado nacional.

“O trator foi projetado para ter maior aplicação aqui”, reforça o diretor de Desenvolvimento de Produto e Engenharia Agrícola da CNH Industrial para a América Latina, Sergio Soares. O conceito, apesar de não ter sido desenvolvido no Brasil, teve a participação do time brasileiro da CNH Industrial, que coopera com o desenvolvimento de novos produtos e tecnologias em nível global.

Inovações

Outro bom exemplo, que segue a mesma linha de prioridades definidas pelas novas demandas, é o trator movido a biometano, da marca New Holland Agriculture, que visa reduzir custo com combustível, mantendo o mesmo desempenho operacional e utilizando energia limpa.

O protótipo, que está sendo testado no Brasil, emite 80% menos CO2 do que com combustível fóssil, aproveitando o crescente acesso a biocombustível. Este trator é equipado com motor de 136cv e 350Nm desenvolvido pela FPT Industrial, também marca da CNH Industrial.

Segundo Sergio Soares, há, hoje, de fato,  mais acesso às tecnologias. A automação não está presente apenas em máquinas como em todas as outras operações, além disso, estamos evoluindo com o big data, a Internet das Coisas e as startups, que estão se multiplicando.

 “As empresas da cadeia do agronegócio estão antecipando as tendências e observando as exigências dos próprios produtores rurais” avalia o executivo. Por meio de produtos, processos e serviços as empresas oferecem formas de aumentar a produtividade do campo e de reduzir os custos, fazendo estudos com sementes, firmando compromissos com o meio ambiente e aprimorando os equipamentos para o gerenciamento das máquinas e o controle de toda a lavoura.

Hoje, o produtor consegue acompanhar os resultados e resolver os problemas das suas lavouras em tempo real por meio da tecnologia embarcada nas máquinas. É possível reconhecer as informações dos produtos e os pontos a serem melhorados. Coisas que, há dez anos, não eram possíveis e produtos que não estavam no mercado. Isso tudo é resultado de investimento em inovação, pesquisa e desenvolvimento. “Outra coisa que está mudando é a forma de pensar dos nossos clientes, que têm buscado cada mais produtividade e competitividade nos seus negócios”, afirma Sérgio Soares.

As indústrias atestam o poder das tecnologias como principais forças de transformação do mercado. Ela está saindo dos centros de pesquisa e desenvolvimento das empresas para facilitar a comunicação e a mobilidade urbana, aumentar a produtividade, simplificar a logística, contribuir com a infraestrutura e aumentar a segurança. Essas novas tecnologias têm foco na criação de produtos, processos e serviços inovadores.

Máquinas sem operadores

Veículos que trafegam sem motorista já podem ser vistos em feiras e salões, mas ainda não são comercializados. Essa tecnologia também vai chegar, num futuro próximo, ao campo. Tratores que vão funcionar sem operador, controlados via computadores ou tablets, já estão saindo das pranchetas de projetos.

Muitas funcionalidades presentes na tecnologia autônoma já são realidade nas lavouras, como os sistemas de piloto automático e as técnicas de agricultura de precisão, como a telemetria.  

No caso do trator autônomo, além de ser pré- programado para operar em áreas mapeadas e remotamente supervisionado pelo operador, é possível ainda perceber obstáculos estáticos ou em movimento, parando a máquina até que o operador, notificado por alertas visuais e sonoros, especifique o novo trajeto.

“Se o sinal do GPS for perdido, por exemplo, o trator para de forma imediata. Até os dados meteorológicos são processados para definir as entradas no terreno a ser trabalhado”, disse o diretor. O campo é um ambiente altamente tecnológico e a agricultura é um dos segmentos que mais recebem investimentos por parte da empresa, devido ao bom desempenho e ao potencial do setor.

O trator autônomo foi desenvolvido na mesma plataforma do modelo convencional, o Magnum 380, e é equipado com motor da FPT Industrial, empresa que também faz parte da CNH Industrial. Segundo Soares, as vantagens são maior controle da operação, monitoramento e redução de custos.

Atualização

“Em termos tecnológicos, estamos no mesmo nível de outros mercados”, atesta o executivo da CNH. “Mas temos alguns desafios, como transporte dos dados e sinal de celular. Em compensação, somos empreendedores, temos muita motivação por parte das startups e dos produtores, que têm grande interesse pela tecnologia”.

Temos aqui na América Latina um setor de inovação especializado. Nos últimos cinco anos, alcançamos um aumento de 900% de pedidos de patentes de inventores brasileiros. Isso significa uma alta de 500% se considerarmos o número de patentes totais da CNH Industrial, incluindo as demais regiões do mundo.

 O foco em inovação na CNH Industrial é contínuo. Em 2016, a empresa investiu mais de US$ 860 milhões em pesquisa e desenvolvimento em todas as regiões do mundo. As inovações são o presente e o futuro, mas para que tudo isso caminhe junto, é preciso evoluir em alguns obstáculos, como a falta de sinal de internet nas regiões mais remotas, assim como a evolução de transmissão via satélite, internet das coisas e big data.