investir em mudanças de comportamento de consumo é um ponto essencial para criar um diferencial competitivo Foto por rawpixel.com em Pexels.com
Capaz de monitorar e, até mesmo, influenciar os consumidores e trabalhadores, a internet do comportamento tende a ser inovação de destaque em 2021

Carlos Plácido Teixeira
Jornalista I Radar do Futuro

“Uma tecnologia que deverá vir com muita força  a partir de 2021 é a Internet do Comportamento“. A previsão é de Leonardo Nogueira, CEO da Prosperi, empresa da área de Tecnologia da Informação. Expressão relativamente nova no jargão da área, a Internet of Behavior (IoB) é o processo de coleta e uso de dados para realizar o monitoramento de pessoas e grupos de pessoas, seja para a realização de estudos ou para influenciar indivíduos ou grupos demográficos. Durante a pandemia, o sistema foi utilizado para compreender melhor a forma como a população lidou com a necessidade de isolamento, aplicando ferramentas de geolocalização e mapas de calor.

À medida que as organizações melhoram não apenas a quantidade de dados que capturam, mas também como combinam dados de diferentes fontes e usam esses dados, a IoB continuará afetando a forma como as organizações interagem com as pessoas. Todas as empresas serão, cada vez mais, impactadas por tecnologias disruptivas, como, por exemplo, inteligência artificial e realidade aumentada”, assinala Leonardo Nogueira.

A IoB sintetiza em parte as tendências que envolveram as inovações tecnológicas. De um lado, a possibilidade de fato de novas aplicações, que se beneficiam de poder de processamento, banda larga e oferta de espaço nas “nuvens”. Na questão das perspectivas de curtíssimo prazo, a própria evolução do poder computacional vai ampliar as discussões sobre o tema da privacidade.

O executivo da Prosperi aposta que as empresas precisarão estar abertas a inovação para digitalizar suas atividades. A mentalidade digital será importante porque, cada vez mais teremos os consumidores influenciados pela internet e suas tecnologias. Um exemplo de mudanças que podem ser avaliadas vem da série “The Queens Gambit”, sucesso no Netflix. “Ela gerou um interesse nunca visto antes pelo jogo de xadrez, os números referentes a venda de tabuleiros, busca por treinamentos e acesso as plataformas do jogo, cresceram aceleradamente.”

Cenário

No início do ano, a IDC Brasil os resultados do seu estudo sobre perspectivas do mercado que mostram razões para otimismo, ao contrário de outros segmentos. De acordo com o relatório, o setor de TI deve registrar alta de 5,8% em 2020, impulsionado pelo crescimento do mercado de nuvem e software. A expectativa é de que os investimento em novos recursos tecnológicos aumentarão 10%.

Leonardo Nogueira reflete o otimismo apontado pelo estudo. Para ele, assim que iniciar-se o controle da pandemia, todas as atividades relacionadas ao convívio social deverão retomar de forma muito rápida, afinal, diz, “quem não espera ansioso a possibilidade de viajar, ir ao teatro ou assistir um show de seu artista favorito sem as restrições existentes hoje em dia.” Será ainda um ano ainda de incertezas, porém com mais otimismo do que 2020. “Globalmente, deveremos ter um cenário mais estável politicamente, devido a eleição do Joe Biden nos EUA, com maior possibilidade de diálogo e menos propenso aos embates.” 

Naturalmente, não será ainda um período de normalidade. O assunto pandemia continuará na pauta durante 2021, porém, com mais ênfase nos resultados das políticas de vacinação e eficácia das vacinas. Se os resultados das vacinas permitirem o controle da pandemia, a economia global deverá voltar a ter resultados positivos muito rapidamente. Para manter o otimismo, o jeito é esperar que as reflexões oriundas das dificuldades de 2020 façam com que a humanidade perceba a sua fragilidade e passe a valorizar mais o ser humano, suas diversidades e valores. 

“Acredito que 2021 deverá ser melhor, pois o choque gerado pela pandemia este ano dificilmente será superado, então, mesmo que a pandemia não seja totalmente controlada em 2021, ao menos, já passamos pelo baque inicial e nos adaptamos a conviver com nossas fragilidades”, diz o executivo. Para ele, “2020 nos ensinou de forma bem brusca, que mais importante do que inovar é fazê-la de forma acelerada. Para 2021, o foco é na mudança e realizar as transformações.”

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