Futuro da medicina: um dia na vida do paciente de reumatologia em 2025

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A medicina hiper especializada de 2025 dará condições para que um paciente de doenças reumáticas tenha uma vida saudável, com os seus problemas sob controle. Foto: Pixabay

Carlos Teixeira
Radar do Futuro

No dia 22 de março de 2025, aos 56 anos, Valter Miro comemora em casa, com a filha, a notícia mais esperada dos últimos cinco anos. Uma mensagem do médico atesta a cura integral dos efeitos da artrose e das dores do corpo que o acompanharam durante os últimos dez anos. Agora, há definitivamente a perspectiva de retornar a capacidade de andar de forma inteiramente normal, como fez durante 46 anos de sua vida antes que os problemas de saúde começasse a ocorrer.

A medicina hiper especializada colocou para pessoas como Valter, portadores de doenças reumáticas, uma nova esperança de vida com qualidade. Agora, há a possibilidade de controle total do mal que afeta 20 milhões de brasileiros. E de 10% da população global. A evolução de tecnologias de diagnóstico, tratamento e monitoramento oferece a possibilidade de antecipação de possíveis casos e suporte aos que já desenvolveram a doença. 

Confinamento, dependência de cuidadores e altas despesas com remédios faziam parte do cotidiano de Valter, dois anos após a doença se manifestar e ele passar por problemas que o colocaram em uma cadeira de rodas. Sem expectativas, convivia com amigos e com  momentos intensos de angústia e depressão. Nem mesmo o médico, Luis Tadeu, oferecia alternativas ao tratamento, diante da ausência de recursos novos disponíveis. 

A especialidade, ainda naquele ano, mantinha muitos traços de quando ela começou a se desenvolver no mundo. Em 1949, a descoberta da cortisona foi considerada um fato marcante. Foi provado, então, a possibilidade de reversibilidade da doença. Mas, a forma como o reumatologista de Valter levava o tratamento em 2020 não era, em termos, muito diferente daquele de décadas atrás. Recebia os pacientes de cadeiras de rodas nos consultórios avaliava a prescrição de remédios e emitia palavras de conforto. 

Revolução

Os primeiros anos da década de 2020 marcam uma revolução da atividade e novas esperanças para os doentes. Especialistas comemoravam, então, “saltos quânticos na compreensão dos processos fisiopatológicos”. E o desenvolvimento de avanços em várias áreas de conhecimento científico. Novos remédios de base biotecnológica reduzem as dificuldades de Valter Miro. E o médico adota um tom mais otimista graças aos contatos mantidos com um novo amigo, Robert Plac, especialista em inteligência artificial da IBM. 

O consultor de tecnologia da informação está envolvido com o projeto Watson, específico para a área médica. O projeto em desenvolvimento envolve o mapeamento de todas as imagens e as informações disponíveis sobre todos os segmentos de conhecimento da reumatologia. Este é o passo para, nos anos seguintes, aprimorar os assistentes virtuais, que funcionarão tanto como apoio aos médicos quanto para os pacientes.

Os pacientes do médico Luis Tadeu também têm uma nova fonte de esperanças de mudança de vida com a evolução da robotização, cujos preços caem de forma significativa em 2022. Em casa, já com todos os conceitos de uma residência inteligência, onde a internet das coisas propicia acesso permanente de Valer com o mundo via telas em todos os cantos e acesso a redes sociais, aparelhos robóticos inteligentes monitoram os horários de remédios e de outras atividades e auxiliam na busca por informações. 

Mas são os exoesqueletos que fazem a maior alegria dos pacientes de Luis Tadeu. A neurociência, especialidade que integra áreas diversas de conhecimento tecnológico, biológico e humanos, deu saltos importantes para viabilizar o controle de equipamentos pela mente. As cadeiras de rodas estão fadadas a deixar de existir em meados da segunda metade da década, quando os preços terão sido reduzidos..  

Humanização do atendimento

Desde 2024, o doutor Luis Tadeu vive na região sul da Bahia. A distância não impede que ele mantenha os contatos com os pacientes conquistados em 35 anos como especialista em reumatologia. Enquanto o atendimento não pode ser feito pelo uso de holografia, meio de comunicação que possibilita projetar imagens em ambientes externos em vias de amadurecimento, ele se contenta em utilizar os recursos de realidade virtual. 

É como se estivesse falando diretamente com os clientes. E a qualquer momento, com agilidade até maior do que nos tempos analógicos anteriores à revolução digital. Contraditoriamente, a atenção virou um fator essencial para que qualquer especialista mantenha pacientes fiéis em tempos de interação por máquinas. Por isso mesmo, uma vez a cada três meses, ele passa alguns dias em Belo Horizonte, cidade onde nasceu e trabalhou durante décadas. 

Nestes períodos, ele vai à casa ou marca encontros com cada um dos pacientes, para ouvir deles, pessoalmente, como estão os tratamentos e atualizar dados sobre a evolução da saúde. Valter e os outros clientes tendem a envelhecer com melhor qualidade de vida. E as perspectivas são cada vez melhores. Os seres humanos tendem a se tornar ciborgues, graças ao desenvolvimento de novos materiais que possibilitam o avanço da impressão em 3D de partes humanas. Mais que isso, a oportunidade a próxima fronteira envolve o conceito de 4D, “peças” que substituem as humanas e que se transformam durante os anos ano, garantindo vida longa e saudável mesmo para quem tem novos ossos e cartilagens.