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Futuro da indústria de máquinas pesadas: novos modelos de negócios

A partir de 2020, a paisagem das fazendas brasileiras começa a ser mudada de verdade com chegada de tecnologias como os veículos autônomos. Foto: Divulgação
A partir de 2020, a paisagem das fazendas brasileiras começa a ser mudada de verdade com chegada de tecnologias como os veículos autônomos. Foto: Divulgação

Carlos Teixeira
Jornalista – Radar do Futuro

O ano de 2020 tende a ser marcante para o início efetivo do salto disruptivo das tecnologias para dentro das fazendas de médio e grande porte. Paralelo ao processo de adoção de recursos como a inteligência artificial, internet das coisas e aumento da velocidade de acesso à rede mundial de computadores, será possível testemunhar, de fato, os tratores autônomos, conduzidos sem a intervenção humana direta, circulando pelas propriedades, realizando atividades de plantio e colheita da produção. E propriedades administradas à distância.

Diretor de Soluções de Precisão e Telemática da CNH Industrial para a América Latina, Gregory Riordan assinala que, nos próximos cinco anos, a agricultura vai receber aplicações comerciais de máquinas autônomas que conseguem planejar, se conduzirem dentro de uma propriedade e inclusive tomar decisões quando acontecerem imprevistos. “Quando uma vaca ou um carro entrarem na frente de um trator ou colheitadeira, a máquina saberá o que fazer. Caso não saiba, ela para.”

Segundo o executivo da CNH Industrial, o mercado movimentará, até 2024, US$ 140 milhões na América Latina. Em um ritmo de crescimento muito rápido, exponencial. Inclusive porque tende a ser a resposta necessário para um problema relatado frequentemente pelos proprietários das fazendas: A carência de mão de obra qualificada. “Para as médias e grandes propriedades, o tema tem sido muito importante”, atesta. A automação tende a compensar a ausência de trabalhadores capacitados.

Reposicionamento

No cenário disruptivo, as indústrias de máquinas pesadas convivem com o desafio de reposicionamento de suas marcas e valores institucionais. As mudanças de prioridades e estratégias foram evidentes no dia 26 de setembro, durante a segunda edição do Innovation Day, que levou colaboradores, fornecedores, parceiros, pesquisadores e jornalistas à unidade da empresa na capital paranaense. Evento destinado a mostrar como a inovação nos segmentos agrícolas, de construção, transporte e energia ajuda na melhoria da eficiência, produtividade e inclusão, o cardápio de atividades destaca a importância da atenção à experiência do cliente, criando valor nos processos, produtos e nas soluções que são entregues.

“Penso inovação como uma jornada. É algo que deve ser construído diariamente. Queremos ter continuamente um ambiente de inovação onde a colaboração e a cooperação interna são mais importantes que a competição”, afirma Vilmar Fistarol, presidente da CNH Industrial para a América do Sul. “Estamos trabalhando com métodos, disciplina, benchmarking, treinamento e muito foco em um novo jeito de fazer negócios, um novo olhar para a atividade produtiva e empresarial”, completa.

Os engenheiros responsáveis por cada marca apresentaram as tendências para cada segmento, citando exemplos de produtos com tecnologias implementadas que melhoram a experiência do cliente, contribuem para a sustentabilidade e levam a inovação para o setor de energia, transporte, construção e agrícola. As novidades e planos apresentados confirmam que a agenda de transformações está acelerada e que, os próximos anos são de aceleração de anúncios sobre as transformações do cenário dos segmentos de atuação.

Prestadores de serviços digitais

Indústrias de máquinas pesadas, como a própria CNH Industrial, vestem a camisa de empresas digitais. Deixarão de ter presença exclusiva em suas fábricas e endereços de distribuidoras para reforçar a presença na rede como geradoras de soluções e parceira de negócios. Inclusive com a negociação de máquinas e peças via comércio eletrônico. A corrida é também pela adaptação das tecnologias às novas demandas, como o ônibus autônomo, que deve começar a rodar definitivamente a partir de 2021.

Além de autonomia, o veículo incorpora outras forças, como sistemas de propulsão alternativas, que levam em conta, como prioridade assumida, a questão da sustentabilidade, que vai estar cada vez mais em pauta entre as exigências da sociedade. A utilização de biometano como energia para mover tratores em fazendas, por exemplo, vai criar um novo modelo de negócios, em que fazendas poderão ser autossuficientes, com custos 40% menores do que os gastos com o diesel tradicional.

Como define Sérgio Soares, diretor de Desenvolvimento de Produtos e Engenharia, o futuro do agronegócio é extremamente conectado. A indústria deixa de ser vista como um fornecedor como outro, para ser entendida como um “hub”, um centro na rede, capaz de gerenciar relacionamentos e ser um ponto de busca de soluções para demandas dos produtores.

No contexto evolutivo, máquinas são receptoras e geradoras de dados, em sistemas integrados à internet — na nuvem, com o big data.  Focado no resultado, os produtores tendem a se despreocupar com seus equipamentos, que serão capazes de recomendar ações, tomar decisões e prever manutenções.

Entrevista

Gregory Riordan

Diretor de Soluções de Precisão e Telemática da CNH Industrial para a América Latina

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