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Boletim semanal sobre as mudanças que impactam o futuro

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Uma chance para a natureza em 2021: a troca de Trump por Biden na presidência dos Estados Unidos pode representar a retomada de ações para o controle da crise climática

Bem-vindo a 2021!

Responsável pelo desenvolvimento e produção do Radar do Futuro, inicio nesta segunda-feira, 4 de janeiro de 2021, a publicação de um boletim semanal sobre temas relacionados com a identificação dos impactos das transformações digitais sobre a vida da sociedade, da vida das pessoas, das profissões e mercados. Em tempos tão difíceis, o objetivo é contribuir com a oferta de reflexões e informações relevantes para todos, após um ano de vivências fora de qualquer padrão, com aumento das mortes por conta da pandemia e a expectativa de que vacinas tragam algum retorno à normalidade.

Mais que nunca, precisamos entender e nos antecipar ao futuro. No mais, desejo que todos tenham, em 2021, um ano de realizações, na construção do tempos melhores.

Carlos Plácido Teixeira
Editor do Radar do Futuro


Enquanto a tecnologia evolui aceleradamente, a civilização anda devagar, quase parando. E até retrocede. Eis uma tese para tentar entender e antecipar o comportamento futuro da humanidade. A pandemia é reveladora de que as engrenagens da civilização versus tecnologia têm ritmos dissociados. Assim, talvez haja possibilidade de entender que um indivíduo em cada grupo de quatro brasileiros rejeita a possibilidade de ser vacinado contra a Covid-19. Na França, 48% da população também quer distância das agulhas.

A reação de grupos dos habitantes destes e outros países em relação à pandemia atesta o que cientistas já temem há algum tempo. “As teorias da conspiração estão abafando fatos legítimos que poderiam impactar negativamente o comportamento humano no futuro”, alertava, em 2019, matéria publicada pelo site The Independent. Incrível, na era da tecnologia e da informação, a ciência é posta contra a parede por pessoas conduzidas por dogmas.

É o que se vê agora, com a pandemia. Pesquisas realizadas em diferentes países mostram a mesma resistência das populações, seja à vacina ou às ações com o objetivo de retardar a propagação do vírus. A questão ganha ares de gravidade tamanha que, em 2019, a Organização Mundial da Saúde elegeu o medo das vacinas como uma das grandes ameaças à saúde global. A resistência foi apontada como uma grande geradora de novas vítimas de doenças que estavam sob controle. Portanto, os efeitos colaterais já aparecem.

Impactos futuros

Nos próximos anos, o mundo vai colher os efeitos do aumento da influência dos movimentos antivacina, uma tendência que cresce mundialmente, inclusive na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, neste ano, os programas de vacinação tiveram resultados frustrantes, mas a queda da demanda já vinha ocorrendo nos últimos anos. A mesma ciência que possibilita a interação dos indivíduos como nunca pela internet, favorece a disseminação das teses negacionistas.

“As consequências podem ser desastrosas, com aumento da morbidade e da mortalidade, não somente de crianças, mas também da população adulta. Seria um verdadeiro retrocesso em termos de saúde pública”, alertam os médicos da Associação Brasileira de Pediatria.

Em 2024

A demanda de passageiros por viagens aéreas pode se recuperar em 2024 ou 2025, com o tráfego doméstico e de lazer sendo o primeiro a mostrar “recuperação sustentada”.

Fonte: CNBC

Grande reset

Visto com ressalvas pelos críticos de esquerda, o Fórum Econômico Mundial articula um “grande reset”, movimento de mudança que tenta se antecipar a pressões por mudanças no capitalismo. “Devemos sair do neoliberalismo na era pós-Covid”, defendeu Klaus Schwab, o líder do Fórum. No site da Times, ele reconheceu que “o fundamentalismo do livre mercado corroeu os direitos dos trabalhadores e a segurança econômica, desencadeou uma corrida desregulamentadora para o fundo e uma competição fiscal ruinosa e possibilitou o surgimento de novos monopólios globais massivos. As regras de comércio, tributação e concorrência que refletem décadas de influência neoliberal terão agora que ser revistas.”

Reforçando, Klaus Shwab não é um líder de esquerda. Ele é principal executivo da organização que mobiliza lideranças econômicas, políticas e sociais do status quo.

Insights

Ansiedade financeira

Uma pesquisa realizada em novembro de 2020, pela Opinion Box, apontou que, no Brasil, 43% das pessoas viram sua renda diminuir e 45% sentiram que os gastos aumentaram neste período. E 62% passaram a valorizar mais a importância de ter dinheiro guardado, enquanto que 56% aprenderam a cuidar melhor do seu dinheiro. Pesquisa do segundo semestre de 2020 da Time/NextAdvisor mostra que 51% da população dos EUA sofre de ansiedade financeira.

Alimentação alternativa

Em Singapura, o governo aprovou a comercialização do primeiro alimento limpo do mundo, que não tem origem em animais abatidos. A decisão abre caminho para a startup Eat Just, de San Francisco, para vender carne de frango cultivada em laboratório. De acordo com o Barclays, o mercado de alternativas de carne pode valer US $ 140 bilhões na próxima década, ou cerca de 10% dos US$ 1,4 trilhão da indústria de carne global. A carne será usada inicialmente em nuggets, mas a empresa não informou quando estará disponível.

Opções de carne à base de vegetais, como Beyond Meat e Impossible Foods, são cada vez mais encontradas nas prateleiras dos supermercados e cardápios de restaurantes. Mas o produto da Eat Just é diferente porque não é baseado em plantas, mas sim cultivado a partir de células musculares animais em um laboratório. BBC

Combate ao HIV

As vacinações Covid-19 chamaram a atenção do mundo em novembro, mas, na mesma época, os pesquisadores por trás de um estudo conhecido como HPTN 084 também publicaram resultados espetaculares. O ensaio, realizado em sete países da África Subsaariana, descobriu que uma injeção de oito semanas com um medicamento chamado cabotegravir foi mais eficaz do que a medicação diária em forma de comprimido oral na prevenção do HIV em mulheres. The Guardian

Bebidas

The Air Company, com sede em Nova York, fabrica vodka com dois ingredientes: dióxido de carbono e água. Cada garrafa produzida retira o dióxido de carbono do ar. Foi escolhida como uma das finalistas do NRG COSIA Carbon XPRIZE de US $ 20 milhões, que visa incentivar a inovação na área de captura, utilização e armazenamento de carbono. The Guardian

Para entender o futuro

Regra básica para estudar o futuro: florestas de eucalipto não existem sem a ação do ser humano. As florestas de verdade são formadas por diversidades de tipos de árvores. E de outros tipos de habitantes. Em síntese, suspeite das generalizações ao tentar antecipar tendências. Evite coisas do tipo, a “geração Z não deseja ter um trabalho estável”. Ou então, “idosos não lidam bem com tecnologias”. Ou “as pessoas sairão melhores da pandemia.”

“Você consegue prever o futuro com precisão. Basta deixar de lado as partes sobre as quais poderia estar errado”

Daniel Burrus – O futuro como bom negócio

Pensadores do futuro

Ross Dawson é um futurista australiano, empresário e ex- corretor da bolsa. Dawson fundou o think tank Futuro Exploration Network. É consultor sobre futuros digitais para várias grandes organizações como a Ernst & Young , Macquarie Bank , Microsoft e News Corp.

site: Ross Dawson

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