Automação: o que esperar do futuro do varejo

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A tendência: o varejo global vai acelerar os investimentos em automação de suas atividades
grocery cart with item
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Carlos Plácido Teixeira
Jornalista I Radar do Futuro

Em janeiro, a Amazon, líder global do comércio eletrônico, anunciou a intenção de abrir lojas de conveniência em áreas suburbanas nos Estados Unidos. Serão unidades da marca Amazon Go, conhecidas por possibilitar aos consumidores a realização de compras sem a necessidade de passar por caixas humanos ou de enfrentar filas. O projeto indica a disposição da empresa em levar o conceito para diversos negócios, incluindo supermercados e lojas de roupas.

O movimento da “big tech” dos Estados Unidos revela que o mundo está mais próximo do dia em que lojas com modelos semelhantes, sem caixas humanos, controladas por sensores e automatizadas, sejam um padrão para o mercado. Brevemente, será cada vez mais comum acessar centros de compras onde funcionários são imperceptíveis, com câmeras espalhadas com tecnologia de visão computacional para que o consumidor pegue o que precisa e vá embora sem passar por nenhuma fila. E tudo cobrado automaticamente na conta.

Ainda vai demorar uns cinco anos, avalia Fábio Turuta, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Gertec, empresa especializada no segmento. Ainda existem etapas, que já começaram a ser ultrapassadas, até o momento de automação total. Hoje, a etapa evolutiva da automação é caracterizada pela migração para produtos integrados, tudo em um, e terminais inteligentes. Segundo o executivo da Gertec, uma inovação que facilita a vida do comerciante, que não precisa comprar várias máquinas.

Ambiente de aceleração

Depois de caminhar pausadamente nas últimas décadas, os investimentos em automação tendem a ser acelerados nos próximos anos no comércio em todo o planeta. Da porta para dentro, administrações de lojas e grandes corporações vão se adaptar à transição da era da computação para a era digital. Proprietários ou gestores vão compreender, por vontade própria ou não, que a nova fase de introdução de inovações de funcionamento das lojas envolve a convergência dos equipamentos e sistemas tecnológicos.

Sob a força da digitalização, todas atividades envolvidas na gestão de negócios estarão à mão, em poucos e pequenos aparelhos. Ou, como assinala Fábio Turuta, “all in one”, tudo em um. Os investimentos em automação do setor varejistas ganharam maior velocidade globalmente por conta das mudanças do cenário do mercado de consumo. A pandemia é um marco da mudança de velocidade. Nos Estados Unidos, o comércio eletrônico cresceu com velocidade mais de três vezes maior de 2019 a 2020 do que nos cinco anos anteriores.

Processo de organização e realização de tarefas produtivas, administrativas ou comerciais com o uso de máquinas inicialmente e com softwares, mais recentemente, a automação no ambiente das lojas começou com as primeiras calculadoras, seguidas pelas caixas registradoras. Primeiro, as mecânicas e depois para as eletromecânicas, responsáveis por uma verdadeira revolução na gestão do fluxo de recursos. Dos equipamentos mecânicos, incluindo máquinas de escrever e de ponto, a história evoluiu para computadores e leitores de códigos informatizados desde os anos 1990 até o início do século.

Mas a automação propriamente, em que tarefas são realizadas com a cada vez menor necessidade de intermediários humanos, começa a ganhar força propriamente a partir dos anos 2010, acompanhando a evolução do comércio eletrônico e das tecnologias de informação e comunicação. O salto é cada vez mais rápido. Até os pequenos varejistas, que antes não tinham acesso à tecnologia, acabaram sendo forçados a se adaptar para se adequar às exigências de rapidez, qualidade e segurança dos consumidores e mesmo por mudanças na legislação.

Entre a primeira fase da automação, definida pela introdução da informática e de softwares de gestão, como os de folha de pagamento, e o momento atual, há algumas diferenças importantes. Por exemplo, nos primeiros momentos da convivência com as tecnologias, o computador era uma novidade absoluta. Então, existiu a necessidade de convencimento de empresários e consumidores sobre as vantagens da adoção das tecnologias.

Hoje, existem hábitos consolidados. Mesmo os grupos de pessoas mais idosas, com mais 70 ou 80 anos, estão acostumados com o uso de computadores e possuem smartphones próprios. E as resistências às compras pela internet foram superadas, ou pelo menos atenuadas, por uma grande parte da população diante da pandemia. A comodidade virou um dos sinônimos das demandas dos consumidores de todos os segmentos da população.

Forças de mudanças

Confira abaixo as principais as forças que favorecem a automação do comércio:

Potência tecnológica

A oferta crescente de recursos baseados em tecnologias digitais que ampliam a eficiência e a produtividade em todas as atividades, da gestão de estoque, controle de vendas, atualização de informações sobre produtos, negociações com fornecedores e monitoramento de consumidores.

Toda empresa é uma empresa de tecnologia

Amazon, Alibaba, Uber e Mercado Livre são redes de comércio ou empresas de tecnologia que comercializam produtos e serviços? As empresas são levadas a adotar o perfil digital, integrando as suas operações a partir do uso intensivo de tecnologias.

Enfim, a internet é tudo

A ubiquidade, sentimento de que a internet é onipresente, força os ajustes das estratégias para oferecer relacionamento permanente com todos os públicos.

Devagar. E de repente

Mudanças de mercado cada vez mas abruptas, fechando processos que já vinham ocorrendo. Brevemente, mas não inesperadamente, o comércio terá de se adaptar à aceleração dos efeitos da introdução da realidade virtual e aumentada, do metaverso como influência de comportamento e mesmo fatores demográficos e ambientais, como os impactos das mudanças climáticas.

Ebulição das mudanças sociais

Conveniência é tudo para quem experimenta hoje as facilidades das compras, seja em lojas físicas ou virtuais. Novas demandas, engajamento em causas, mudanças de valores refletem as mudanças, especialmente da geração Z, digital de nascença, mais pragmática, que predomina como força motriz dos mercados. Neste contexto, será necessário avaliar os efeitos do home-office no comportamento da classe média.

Tendências gerais

Algumas das tendências e temas relacionados com automação que merecem ser levados em consideração pelos gestores do comércio:

Aceleração de mudanças – entre grandes grupos do varejo e consultores especializados cresce a percepção de que a transição se acelera. Não só tecnológica, mas econômica, política, social, comportamental etc.

Incertezas demandam atenção – a pandemia estimulou o sentimento de que as incertezas permanecem, com resultado das mudanças aceleradas e da vulnerabilidade, forçando investimentos em adaptabilidade e flexibilidade.

Experiência do consumidor – o tema é central na visão do mercado, que reconhece a predominância de novos comportamentos de quem compra com o apoio das tecnologias. Os investimentos em monitoramento e compreensão do consumidor tendem a ser crescentes, com o uso de sistemas de inteligência artificial.

Apropriação tecnológica – mais que usar as tecnologias, o comércio precisará adotar postura criativa no uso das inovações, como a realidade virtual ou aumentada. É essencial o aprendizado de apropriação, ou seja, não esperar que terceiros ofereçam soluções para necessidades internas.

E mais …

  • Uso de sistema baseados em inteligência artificial
    • Automação de processos
    • Previsão de demanda com aprendizado de máquina
    • Análise de dados para gerenciamento de custos e segurança
  • Novos modelos de comercialização: diversidade de compra
    • compra on line e retirada na loja
    • compra on line
    • compra na loja
  • Novos modelos de pagamento
  • Robótica
    • Robotic Process Automation
    • Hiperautomatização (automação + inteligência artificial)
  • Sistemas de rastreamento de itens
    • Realidade aumentada para trabalhadores e consumidores
    • Análise de comportamento do consumidor
    • Previsão de demanda orientada por inteligência artificial
  • Realidade virtual e aumentada
    • Para trabalhadores e consumidores
  • Gerenciamento de inventário
  • Assistentes virtuais

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