A opção pela inovação aberta, mediante a parceria com universidades, instituições de pesquisa e inovação, startups e até mesmo consumidores, traz novas possibilidades pela rápida tomada de decisão e adaptação pela mudança
Existe um descompasso instalado, que a indústria sozinha – com seus relacionamentos tradicionais de inovação – não consegue corrigir.

*Beny Fard

É fato que a indústria está buscando se reinventar frente às novas e crescentes demandas do consumidor do século XXI, que está cada vez mais exigente e global, alinhado à nova economia. Os processos industriais são cada vez mais complexos, as mudanças são custosas e as transformações tomam tempo para ganharem força e vigor. Mas, a mesma tecnologia que nos traz inovações e mudanças de hábitos, complica a vida das indústrias nos seus processos produtivos e na cadeia de valor em seus diversos clusters, tendo em vista a velocidade de adaptação exigida pelo mercado e sua resposta em tempo de reengenharia e setup fabril.

Existe um descompasso instalado, que a indústria sozinha – com seus relacionamentos tradicionais de inovação – não consegue corrigir. E isso está ligado ao rush pela inovação global disruptiva, que acontece desde meados dos anos 2010 e é semelhante às exigências pela qualidade total na década de 1990 e, pela sustentabilidade na década de 2000. Neste caso, é importante perceber que nenhum destes movimentos de décadas passadas se tratou de modismo e sim de demandas claras do próprio mercado consumidor, que passou a ter cada vez mais voz e ser empoderado especialmente por meio do advento da internet e das redes sociais.

Por possuir no seu cerne características tangíveis de produção e o sigilo industrial como diferencial competitivo, a tendência da indústria quase sempre foi pela inovação fechada por meio de seus departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), ao invés da inovação aberta. Entretanto, não são mais apenas os departamentos de P&D os guardiões da inovação.  De forma totalmente fluida, a inovação vem influenciando mudanças e decisões críticas de mudanças no core business e em outros setores tangenciais das indústrias, tais como logística, compras, vendas, financeiro, recursos humanos, entre outros.

Na minha opinião, a opção pela inovação aberta, mediante a parceria com universidades, instituições de pesquisa e inovação, startups e até mesmo consumidores, traz novas possibilidades pela rápida tomada de decisão e adaptação pela mudança.

Tal qual afirmou Tom Kelley, fundador da Ideo, é “nas ruas” que está a inovação como resposta para a resolução desse descompasso, e ela se dá através da inovação aberta via consumidores engajados e empreendedores obstinados pela inovação, por meio de suas startups hiperfocadas.

Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, a projeção para o ano 2025 é de que 90% da população mundial tenha acesso à internet e use smartphones, e que 10% das pessoas usem roupas conectadas à internet, significando a possibilidade ainda maior de captura, processamento e estruturação de dados, gerando informações e conhecimento com compreensão do comportamento e predição das vontades do consumidor, que se tornam cada vez mais cruciais para a rápida tomada de decisão de vendas.

Eu acredito que o uso de dados gerados a todo tempo com as tecnologias móveis e em nuvem, permite que as indústrias tenham uma melhor compreensão do comportamento e na jornada de seus clientes finais, proporcionando melhorias de processos e antecipando necessidades, tudo com o objetivo de gerar uma melhor experiência ao usuário final.

Mesmo que não tenha nascido digital, a indústria precisa se adaptar às realidades da nova economia para garantir seu crescimento sustentado, e essa adaptação deve ocorrer rápido, pois os anos de 2019 e 2020 deverão ser ainda mais cruciais no contexto da exponencialidade digital. Com a conectividade e as soluções móveis tomando conta da economia, iniciativas baseadas em inteligência artificial e blockchain, a indústria terá ainda mais desafios e acesso a inovações para solucionar problemas cada vez mais complexos.

*Beny Fard – Head de operações do Stanford Research Institute no Brasil e Fundador & CEO da Spin Aceleradora de Startups, possui formação em engenharia elétrica com mais de 20 anos de experiência em processos industriais e negócios internacionais.