Há menos de duas décadas você não tinha pensado em consultar um webdesigner ou fazer um curso à distância vendo as aulas no computa­dor. Se a tecnologia elimina alguns postos de trabalho, ela também cria novas profissões. O consenso entre futurólogos é que estamos entrando em uma era de confiança na ciência como nunca vivemos e, por isso, em alguns anos sua profissão não vai mais existir nos moldes de hoje. Para traçar esse futuro, o governo britânico encomendou ao grupo Fast Future a pesquisaThe Shape of Jobs to Come (A forma dos empregos que virão, em português), um estudo com 486 participantes de 58 países em 6 continentes para elencar quais seriam as profissões dominantes nos próximos 20 anos. Essas mudanças são projetadas sobre o que já está acontecendo hoje: urbanização intensa, aumento populacional e do número de idosos, popularização da ciência ajudam a definir para onde irá o mercado de trabalho nas próximas décadas.

Segundo a pesquisa, uma das áreas que vai gerar mais empregos até 2030 será consultoria de bem-estar para idosos, profissionais capazes de articular diversas áreas da saúde para ajudar os velhinhos do futuro a viver melhor. Aliás, no mundo das novas pro­fissões, articulador virou palavra-chave. Aqueles que souberem unir diferentes áreas do conhecimento para gerar novos serviços, passam a valer ouro. Por isso é que vale cursar diferentes graduações ou seguir especializações dentro de uma mesma área. O especialista em Direito Digital Eduardo Kruel é um dos raros profissionais na área no Brasil. Seu diferencial dentro da profissão aconteceu, principalmente, pela dupla formação. “Antes de partir para o curso de direito, eu já tinha a graduação em tecnologia da informação.”

O Brasil está em posição privilegiada nesse cenário. Deve se firmar como um dos maiores poderes científicos mundiais por volta de 2025, se continuar seguindo a política de investimentos em pesquisas e colabora­ção internacional, diz um estudo de outra consultoria britânica, a Sigma Scan. Para se ter uma ideia, o número de cientistas formados dentro do país cresceu oito vezes nos últimos 15 anos. Já as carreiras que envolvam vendas e atendimento tendem a desaparecer. “Os serviços de e-commercevão acabar com muitos postos locais. Logo mais, as livrarias serão apenas um local de encontros, já que a venda de livros online já supera o comércio nas lojas”, diz Michael T. Robinson, diretor da Career Planner, uma das maiores empresas americanas de aconselhamento profissional.

Mas então, o futuro é quase a realização de um episódio dos Jet­sons, em que muitas das funções vão ser exercidas por robôs? Para o futurólogo britânico e autor do livro You Tomorrow, Ian Pearson, haverá espaço para o humano, especialmente nas artes. “Profissões de cuidados humanos ou artes não tendem a desaparecer. Quando queremos contato humano, não é só uma questão de performance ou eficiência. Às vezes é puramente uma questão de empatia. Precisamos saber que a outra pessoa pode nos compreender e se colocar em nosso lugar. Isso, só um outro humano pode fazer.”

– De fazendeiros verticais a guias turísticos espaciais e fiscais de modificações climáticas, 11 profissões na área de ciência, saúde, sustentabilidade e tecnologia que devem aparecer e ganhar importância nos próximos 20 anos.

• LlXÓLOGO

O QUE É –  O lixólogo, também chamado gestor de resíduos, será o profissional especializado em propor soluções para os detritos do meio urbano, não só das empresas, transformando­ os em fontes energéticas que gerem gás e outras formas limpas de energia.

POR QUE VAI BOMBAR – Só para se ter uma ideia, o volume de lixo produzido no mundo aumentou três vezes mais do que a população nos últimos 30 anos. Além disso. o aumento da qualidade de vida implica em consumo maior e aumento da montanha de lixo no planeta. Os salários para o gestor de resíduos nas empresas ficam entre R$1O mil e R$14 mil.

QUANDO VAI ROLAR – Pelo aumento de produção de lixo no mundo, a solução é para ontem. Já existem cursos na área de gerenciamento de resíduos e energia limpa no Brasil, os formados costumam ser contratados por empresas que precisam cuidar de seus detritos. O mercado em indústrias químicas e de saneamento também tende a se expandir.

COMO SE PREPARAR – Já existem cursos de pós­-graduação para gestão de resíduos, mas ainda não temos no Brasil cursos de graduação na área. O caminho mais fácil para quem quer trabalhar como lixólogo é a graduação em engenharia ambiental ou química e uma especialização nos cursos de pós-graduação focada em gestão de resíduos.

• GUIA TURíSTICO DO ESPAÇO

O QUE É – Com a largada dos primeiros voos turísticos comerciais no espaço, pre­vista para 2015, surge um novo posto de trabalho, o de guia espacial. Ele precisará ter noções de segurança em órbita e tam­bém de entretenimento, capacidade de co­municação, além de ser um bom contador de histórias, como os guias tradicionais.

POR QUE VAI BOMBAR – A proposta da empresa Virgin Galactic é de se tornar a primeira linha aérea comercial a levar pas­sageiros para o espaço ao custo de US$ 100 mil por 2 horas de entretenimento es­pacial. A companhia já tem seus primeiros voos em baixas órbitas previstos para 2015 e pelo menos 450 nomes na lista de espera. A Space Adventures, agência que, em par­ceria com a Nasa, já levou 7 turistas para o espaço, estima que por volta de 2020 apro­ximadamente 140 pessoas já terão entrado em órbita ao menos uma vez.

QUANDO VAI ROLAR – Os primeiros voos vão durar no máximo duas horas. Só daqui alguns anos é que os voos vão mesmo se estender para órbitas mais distantes, até 
bases na Lua ou outros planetas. O salário será a partir dos US$ 65 mil por ano.

COMO SE PREPARAR – Os interessados devem ter conhecimentos de cosmologia, astronomia, ciências espaciais, geografia, história e geologia. A empresa russa Coun­try of Tourism oferece um treinamento de 10 dias no Centro Gagarin que dá uma base de conhecimentos espaciais para que os in­teressados decidam qual rumo tomar.

• PILOTOS DE NAVES ESPACIAIS

O QUE É – A profissão dispensa apresenta­ções e mexe com nosso imaginário desde a década de 60, quando Yuri Gagarin completou uma órbita completa na Terra.

POR QUE VAI BOMBAR – Além dos trabalhos de exploração do espaço, o turismo espacial ampliou o campo de atuação. A ideia da Nasa é encorajar companhias privadas a atuar nas baixas órbitas. Assim que se tornar viável, ela compraria assentos nesses veículos.

QUANDO VAI ROLAR – Os dois primeiros pilo­tos para voos comerciais já estão sendo sele­cionados pela Boeing, para comandar a cápsu­la CST-I00 em 2015. A Virgin Galactic, que será a primeira linha aérea comercial do espaço, tam­bém abriu seleção. Exigem curso de graduação e brevês de voos. Os salários para astronautas ci­vis chegam a US$100 mil por ano.

COMO SE PREPARAR – Para formados em en­genharia aeronáutica, há a pós-graduação da Universidade de Houston, EUA, em ciências do espaço. Mas isso não é garantia de sair voan­do. No Brasil, as relações espaciais são media­das pela Agência Espacial. única que pode abrir concursos para astronautas.

• FAZENDEIRO VERTICAL

O QUE É – As fazendas verticais serão edifícios urbanos destinados à produção de hortifrutigranjeiros e os fazendeiros do futuro irão misturar planejamento urbano com agronomia. “Um prédio de 30 andares poderá produzir alimentos para cerca de 10 mil pessoas por mês e comportar também animais de pequeno e médio porte”. diz o arquiteto Rafael Grinberg Costa. que está trabalhando no projeto de revitalização de edifícios abandonados em São Paulo. “Poderemos comer alimentos mais saudá­veis e dos quais sabemos exatamente a procedência.”

POR QUE VAI BOMBAR – Alimentar a população de quase 9.1 bilhões de habitantes. prevista para os próximos 40 anos. será insustentável. Isso vai representar cerca de 1 bilhão de hectares de terra a mais para o cultivo de alimentos. segundo a ONU. “Além dos problemas de devastação e contaminação do solo, o transporte de alimentos até a cidade representa um grande problema”. diz Jean Ometto. pesquisador do Inpe.

QUANDO VAI ROLAR – Segundo o centro de pesquisas britânico Fast Future. as fa­zendas verticais serão realidade já em 2015. No Brasil, onde não faltam terras para cultivo, o projeto tende a levar mais tempo a ser implantado.

COMO SE PREPARAR – Não há um curso específico para se tornar fazendeiro verti­cal, mas será necessária uma forte base em agronomia. conhecimentos de engenharia, arquitetura e urbanismo, todos cursos já existentes no Brasil.

• FISCAL DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS

O QUE É – Na previsão dos futurólogos. até o clima será espaço para disputas políticas. É aí que entra o fiscal de alterações climáticas, que irá monitorar em­ presas ou órgãos governamentais que tiverem per­missão para fazer alterações meteorológicas. Seria também função dele conceder licenças para inter­venções nos padrões climáticos e evitar ataques terroristas químicos na atmosfera, por exemplo.

POR QUE VAI APARECER – “Esse tipo de prática nem poderá ter efeitos ambientais nocivos”. diz Jean Ometto. pesquisador do Inpe, sobre a necessidade de se acompanhar as intervenções ambientais.

QUANDO VAI ROLAR – Segundo a Fast Future, os primeiros da área devem aparecer por volta de 2020. Tudo depende do futuro climático. Mas na China já existem camponeses recrutados pelo governo para ajudar a produzir chuvas em áreas secas.

COMO SE PREPARAR – Profissão que está ape­nas na previsões, os fiscais ainda não chegaram aos meios acadêmicos. Um ponto de partida seriam cur­sos de meteorologia ou gestão ambiental, mais no­ções de legislação na área.

• CONSULTOR DE BEM-ESTAR NA VELHICE

O QUE É – Profissional da área de saúde dis­posto a construir pontes entre os pacientes da 3a idade e os serviços que podem trazer a eles melhor qualidade de vida. Os cuidados envol­vem o contato com médicos, questões de mo­radia, treinamento esportivo e até de aconse­Ihamento financeiro.

POR QUE VAI BOMBAR – De acordo com pro­jeções da ONU, idosos serão 19% da população em 2050. Por isso, novas doenças crônicas surgem, aumenta o uso de medicamentos e exa­mes. A telemedicina, a transmissão digital de in­formações médicas, vai possibillitar gerenciar à distância a saúde do paciente e dar melhor atendimento aos idosos. Para Chao Lung Wen, presidente do Conselho Brasileiro de Teleme­dicina e Telessaúde, esses estrategistas irão também acompanhar deficientes físicos.

QUANDO VAI ROLAR – Na Europa, esse pro­fissional já é uma realidade e a tendência deve aparecer por aqui em alguns anos, já que a po­pulação idosa aumenta. O consultor de bem-estar pode atuar como autônomo ou ser um as­sociado dos sistemas de saúde.

COMO SE PREPARAR? – É mais um articulador, por isso sua formação pode ser em qualquer ra­mo da saúde. O importante é que ele tenha co­nhecimentos das outras áreas. A Faculdade de Medicina da USP já estuda criar um curso de pós-graduação com esse fim.

• PERITO FORENSE DIGITAL

O QUE É – Uma mistura de geek com Sher­lock Holmes, o perito busca evidências digi­tais diante das acusações de ataques a ser­vidores e contas bancárias, roubo de dados, pedofilia e outros crimes na rede. Os peritos também se ocupam de encontrar provas pa­ra crimes offline. “Eles deixam vestígios mais rápido nainternet que fora dela”, diz o espe­cialista em direito digital. Eduardo Kruel.

POR QUE VAI BOMBAR – Só no Brasil, são registrados 77 mil crimes cibernéticos por dia, segundo pesquisa da Norton. O país tem 40 milhões de usuários de internet, a oitava população cibernética do mundo, segundo a consultoria comScore. “A área está só come­çando no Brasil, são poucos os profissionais realmente gabaritados”, diz o perito federal criminal Pedro Eleutério, autor do livro Des­vendando a Computação Forense.

QUANDO VAI ROLAR – A profissão já exis­te, mas vai crescer com o aumento do uso de serviços de e-commerce, transações bancá­rias virtuais e o alcance da rede de computa­dores no país. Os concursos da Polícia Fede­ral para preenchimento dos cargos de peritos digitais ficam em torno dos 100 candidatos por vaga. Exigem curso superior em ciência da computação e os salários podem chegar aos R$ 14 mil.

COMO SE PREPARAR – Até bem pouco tem­po, os peritos digitais eram quase autodida­tas que manjavam de sistemas de compu­tação. Hoje, o ramo está se especializando cada vez mais. O perito tem mesmo que ser um geek, mas também ter uma boa base de direito. Além dos cursos profissionalizantes, a profissão já tem respaldo no meio acadêmi­co também. A FIAP e a Universidade Anhem­bi Morumbi, por exemplo, têm seus cursos de pós-graduação em gestão de segurança da informação. A Universidade Estadual de Campinas (Unicarnp) também já tem um nú­ cleo de estudos em segurança digital.

• ENGENHEIRO DE SIMULAÇÃO

O QUE É – Profissional responsável por co­ordenar testes virtuais que avaliam os ris­cos e benefícios de um projeto em um am­biente virtual, ou seja, antes que ele seja colocado em prática.

POR QUE VAI BOMBAR – Os testes em computadores reduzem o custo das opera­ções em qualquer área. “Se o avião comer­cial da Boeing custou 200 milhões de dóla­res para sair do papel, teria custado muitas vezes mais se não houvesse uma engenha­ria para testes”, diz João Batista do Espí­rito Santo Neto, coordenador do curso de Ciências de Computação da USP. O futuró­logo britânico lan Pearson prevê que os processos de simulação estejam cada vez mais presentes na vida cotidiana. “As simu­ 
lações estarão em todos os lugares, com imersão 3D e interatividade completa”, diz. Testemunhas policiais, por exemplo, podem ir com jurados à cena do crime, recriada por meio de simulações.

QUANDO VAI ROLAR? – Os processos de simulação já estão a todo vapor na indús­tria e tendem a se intensificar nos próximos 20 anos. O que ainda não existe são cargos especificos para essa função, que têm si­do assumidos por engenheiros da compu­tação. Fora do Brasil já existem. Segundo o Departamento de Trabalho Americano, os salários vão de US$ 67 mil a US$113 mil.

COMO SE PREPARAR? – É possível formar­ se engenheiro especializado em simulação por meio dos cursos de pós-graduação. Por exemplo, a USP, Unicamp, lTA e universida­des federais do Rio Grande do Sul, Pernam­buco. Minas Gerais e Rio Grande do Norte têm formações na área.

 • NANOMÉDICO

O QUE É – Vai ser o profissional responsável pela utilização de nanorrobôs e nanopartículas para curar, diagnosticar e prevenir doenças. Poderão atuar em pesquisas, atendimento em consultórios e diagnósticos.

POR QUE VAI BOMBAR – A nanomedicina vai desde a reparação de tecidos até as práticas de terapia genética. “É uma das grandes áreas do futuro: aumenta a efetividade da cura e aproveita melhor os recursos de saúde”, diz Chao Lung Wen, presidente do Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde.

QUANDO VAI ROLAR – Só entraremos em contato com os primeiros nanomé­dicos por volta de 2025. Mesmo assim, estudos avançam na área. Cientistas da Universidade da Califórnia já estão utilizando técnicas de nanotecnologia para construir “navios cargueiros” de nanômetros que flutuam pela corrente sanguí­nea a fim de identificar tipos de câncer. A complexidade da formação a coloca entre as profissões mais bem pagas do futuro, segundo a Fast Future.

COMO SE PREPARAR – Será necessário entender de química, biologia, robóti­ca e medicina, claro. No Brasil já se pesquisa a aplicação da nanotecnologia na área médica, mas cursos de graduação ainda estão longe de acontecer. A Uni­versidade de Londres tem um centro de estudos no assunto.

• MODELADORES DE ÓRGÃOS

O QUE É – Por conta dos avanços na área de biotecidos, robótica e polímeros, já começa a ser possível a criação de órgãos para reposição ou membros de alta performance. O público iria de atletas do futuro a soldados mu­tilados em combates.

POR QUE VAI BOMBAR – A aplicação da modelagem e reconstrução de órgãos é abrangente: vai da criação de pele artificial para queimados ou para pesquisas na indústria farmacêutica à construção de órgãos mais com­plexos para transplantes. No Brasil. são quase 70 mil pessoas na fila de espera para receber órgãos novos. A possibilidade de construí-Ios em laboratórios mudaria esse quadro e poderia resolver deficiências físicas.

QUANDO VAI ROLAR – Os primeiros avanços para a for­mação deste profissional estão previstos para 2020. Por enquanto, alguns pesquisadores em universidades e centros de estudos se dedicam a essa área, mas ainda produzem em pequena escala. Por aqui, o pesquisador Mar­cus Castro Ferreira, da Faculdade de Medicina da USP, estuda o desenvolvimento de peles artificiais in vitro. E um laboratório alemão que começou a produzir tecido cutâneo para pesquisa na indústria farmacêutica e para transplantes tem planos de instalar uma filial no país.

COMO SE PREPARAR – No Brasil não existe ainda um curso de graduação específico na área. Mas o futuro mo­delador de órgãos humanos poderá atuar em diferentes áreas. Ele pode desenvolver, por exemplo, seu trabalho em ciências da computação. Assim ficaria responsável pelos projetos de modelagem de órgãos que envolvessem mapeamentos genéticos. Ou poderia atuar em pro­jetos e simulações de tecidos. Esse profissional pode ainda atuar na área médica e trabalhar com desenvolvi­mento clínico – é ele quem vai garantir a integração do novo tecido ao organismo receptor. O ideal seria um pro­fissional com base forte nessas duas áreas. No Brasil, existem cursos de pós-graduação na área de biomodela­gem de tecidos, mas é importante completar essa forma­ção com conhecimentos em tecnologia para os proces­sos de modelagem virtual.

• BIOINFORMACIONISTA

O QUE É – É o profissional que vai casar informa­ção genética com o desenvolvimento de drogas e técnicas clínicas. Será o responsável também por mapeamentos genéticos para a prevenção de do­enças. Mas o uso da bioinformação tem limites mais amplos. A professora da Faculdade de Medi­cina da USP, Gilka Gattás, por exemplo, usou recur­sos da área para coordenar um projeto de localiza­ção de desaparecidos cruzando amostras de DNA.

POR QUE VAI BOMBAR – Além da identificação precoce de doenças, o bioinformacionista pode cui­dar do sequenciamento genético de plantas para empresas de alimentos transgênicos.

QUANDO VAI ROLAR – Hoje os profissionais es­tão concentrados no universo acadêmico. De acor­do com o ProFuturo, núcleo de estudos da FIA, por volta de 2020 eles serão comuns em hospitais e em clínicas de diagnóstico. Terão ainda um papel na in­dústria farmacêutica, já que os medicamentos serão feitos de acordo com os genes do paciente.

COMO SE PREPARAR – No Brasil. os estudos estão restritos aos cursos de pós-graduação. A profissão mistura área biológica – medicina, bioquímica, bio­logia molecular -, e de exatas, especificamente ciências da computação. “O profissional ligado à área digital de sequenciamento de genoma tende a vir dos cursos de ciências da computação”, diz João Batista do Espírito Santo, coordenador do curso de Ciências de Computação da USP.

por Flavia Pegorin

“O que é que você quer ser quando crescer?” Não tem pai, tia ou vovó que não faça essa pergunta quando vê uma criança crescendo. Todos adoram projetar qual profissão aquela menininha esperta ou aquele garotinho fofo terá quando for adulto. A maioria escuta como resposta “médico”, “astronauta”, “professora” ou “super-herói que salva o mundo todos os dias”. É curioso pensar o que pensaríamos se a criança dissesse “eu vou ser especialista em lidar com vírus e bactérias e conter epidemias”. Nas profissões do futuro, talvez seja assim mesmo.

A revista norte-americana Forbes perguntou, em uma entrevista, quais as profissões do futuro que são mais promissoras na visão do escritor Thomas Frey, um renomado “futurólogo” (essa, sim, uma profissão inusitada já nos dias de hoje). Frey, acostumado a avaliar tendências em diversos ramos de atividades, selecionou seis áreas de atuação que ele, como estudioso, acredita serem grandes mercados de trabalho para as crianças de hoje – e os adultos caçadores de uma nova oportunidade de amanhã.

Algumas profissões do futuro

Logística avançada

De acordo com o especialista, a demanda por pessoas que saibam controlar estoque e envio de mercadorias mundo afora já é imensa, mas a coisa só tende a crescer. “A posição dos profissionais de logística está mudando drasticamente”, explica Frey. Ele acredita que, em breve, essas pessoas terão que se mover para além de bens físicos, abraçando também o mundo da defesa, por exemplo, e dos projetos públicos, trabalhando com o uso de drones e utilizando veículos sem condutor.

Hacker “do bem”

Já acontece aqui e ali: empresas veem o nível de conhecimento de hackers e os contratam “para o bem”. No futuro, segundo Frey, vai haver ainda mais campo para aqueles que conhecerem os desmandos do submundo da tecnologia e quiserem colocar suas habilidades a serviço de empresas privadas. Bastará que certas regras sejam mais bem estabelecidas – do que é certo e errado no campo virtual – e, logo, poderá haver até diplomas de “Hacker Ético Certificado”.

Estatístico

Hoje em dia, nos EUA, um estatístico ganha cerca de US$ 87 mil ao ano. O salário, nos próximos anos, tende a crescer quase 30%. Isso porque a habilidade de prever riscos, principalmente, está muito em alta. Atualmente estatísticos são empregados comuns em bancos e seguradoras mas, segundo Thomas Frey, em breve eles serão essenciais em inúmeras outras áreas. Como medicina e saúde, por exemplo, cujo sucesso dependerá muito de estatísticas precisas.

Epidemiologista

Até pouco tempo, eles ainda eram raros e não faziam mais do que um salário modesto por ano. Mas bastou a gripe suína, a gripe aviária e ameaças apavorantes do gênero entrarem nos noticiários para os especialistas em epidemias ganharem espaço. E vão ganhar mais ainda: há registros de que a classe cresça mais de 35% nos próximos anos – e os governos mundiais vão disputar tais profissionais à tapa.

Com o avanço das tecnologias biológicas, em breve os epidemiologistas poderão se formar não só na Faculdade de Biologia, mas em saúde pública e afins – criando formas de ajudar a sociedade a driblar um vírus ou detectar antes dos engenheirosse cavar um túnel em determinado lugar pode desencadear doenças. Sim, Frey diz que vamos precisar de um epidemiologista “em cada esquina”.

Engenheiro front-end

Já ouviu falar? É o famoso desenvolvedor de internet, alguém que viabiliza todas aquelas páginas que usamos diariamente na rede. A demanda já é crítica. E empresas que não conversam no ambiente virtual com a clientela tendem a morrer. Assim, a área tende a ganhar o dobro de espaço em mais alguns anos, fazendo dessa pessoa que atua entre os programadores e os designers uma joia preciosa. Thomas Frey diz que, no futuro, tornar a aproximação das empresas com o público atraente e intuitiva é o que vai diferenciar os bons profissionais.

Químico alimentar

Vai assar um bolo e quer que ele saia perfeito? Chame um químico alimentar. Essa turma não estará na linha de frente da sua cozinha, mas é quase isso; eles poderão, além de tornar cada sabor mais delicioso, ser os responsáveis pela comida do futuro. “O ramo vai pirar”, empolga-se Frey. A demanda por dietas saudáveis e gostosas, a sanha mundial por novidades alimentares, o uso de impressoras 3D para criar “comida em casa” — não é balela! A NASA já estuda coisa semelhante – fará dos químicos alimentares astros.

É questão de perguntar novamente para a criançada se eles mantêm a posição de se tornarem médicos, professores, comissários de bordo ou mesmo presidente da nação. Porque as profissões do futuro já aparecem mais interessantes no cenário.

 

 

 

Mais 20 profissões do futuro


 

 

por Marina Ogawa

No passado as carreiras eram lineares e estáveis, as pessoas escolhiam uma profissão e seguiam com ela até a aposentadoria. No entanto, esse modelo não funciona mais naquilo que a empresa de tendências Sparks & Honey chama de: era da tecnologia moderna. As carreiras agora são mais complexas, fragmentadas, especializadas e colaborativas, além de estarem cada dia mais envolventes.

Abaixo você pode conferir 20 profissões que podem tornar-se necessárias e até mesmo indispensáveis nos próximos 10 anos.

Algumas delas sequer foram inventadas, mas possuem um grande potencial e outras já existem, mas sua demanda tende a crescer também:

1. Conselheiro de produtividade

Com a ênfase na produtividade e no “fazer diferente”, somado a novas tecnologias, as pessoas precisarão de ajuda ao combinar questões como produtividade, saúde, bem-estar, aconselhamento de carreira e gestão de tempo.

2. Personal Curador digital

Profissional responsável por recomendar e manter seu rol de aplicativos, hardwares, softwares e demais informações de modo a melhorar a sua vida profissional e pessoal.

3. Balanceador microbiológico

Profissional especialista que avalia a composição microbiológica de um ambiente ou indivíduo, além de recomendar um balanceamento no ecossistema para uma vida saudável.

4. Desorganizador corporativo

Especialista que quebra as hierarquias corporativas de modo a oferecer as empresas um organograma cada vez mais colaborativo.

5. Tutor de curiosidade

Um conselheiro que não apenas fornece inspiração e conteúdo para despertar a curiosidade, mas que também ensina a arte da descoberta.

6. Especulador de moedas alternativas

Especialista que estuda o mercado das “bitcoin” e outras moedas virtuais de modo a criar novas oportunidades de investimento.

7. Pastor urbano

Especialista em cuidados com plantas em jardins de pequena escala que existem em áreas urbanas não usuais.

8. Faz tudo 3D

Especialista em impressões 3D que pode consertar ou criar tudo o que uma pessoa precisar.

9. Administrador de morte digital

Um especialista que cria, administra ou exclui dados após a morte de alguém.

10. Arquivista pessoal

Especialista que organiza e cataloga todos seus conteúdos pessoais de modo a documentar sua vida.

11. Especialista em desintoxicação digital

Um conselheiro especialista em separar o stress individual causado pela tecnologia e o mundo digital para termos uma melhor qualidade de vida.

12. Especialista em crowdfunding

Profissional capaz de entender como promover e arrecadar fundos para um projeto através de financiamento público.

13. Consultor de novas habilidades

Como um consultor financeiro, esse profissional ajuda seu cliente a desenvolver e, algumas vezes, até a adquirir novas habilidades de modo a fazer com que ele alcance cargos mais relevantes e até mesmo inéditos nas empresas.

14. Personal trainer com base em dados

Profissional instrutor de saúde que não apenas recomenda dietas, mas que também analisa dados da rotina pessoal e aptidões de modo que o cliente tenha uma melhor qualidade de vida.

15. Cinegrafista de experiências

Profissional que vive experiências para consumo dos “exploradores de sofá”.

16. Conselheiro de não escolaridade

Profissional que incentiva os alunos a “viver a vida” ao invés de buscar apenas os caminhos tradicionais de ensino.

17. Consultor de privacidade

Especialista em analisar quais são as vulnerabilidades no aspecto de segurança dos campos pessoais, físicos e virtuais.

18. Consultor de car

Profissões do futuro próximo

Saiba onde estará o filé trabalhista daqui alguns anos

por Flavia Pegorin

“O que é que você quer ser quando crescer?” Não tem pai, tia ou vovó que não faça essa pergunta quando vê uma criança crescendo. Todos adoram projetar qual profissão aquela menininha esperta ou aquele garotinho fofo terá quando for adulto. A maioria escuta como resposta “médico”, “astronauta”, “professora” ou “super-herói que salva o mundo todos os dias”. É curioso pensar o que pensaríamos se a criança dissesse “eu vou ser especialista em lidar com vírus e bactérias e conter epidemias”. Nas profissões do futuro, talvez seja assim mesmo.

A revista norte-americana Forbes perguntou, em uma entrevista, quais as profissões do futuro que são mais promissoras na visão do escritor Thomas Frey, um renomado “futurólogo” (essa, sim, uma profissão inusitada já nos dias de hoje). Frey, acostumado a avaliar tendências em diversos ramos de atividades, selecionou seis áreas de atuação que ele, como estudioso, acredita serem grandes mercados de trabalho para as crianças de hoje – e os adultos caçadores de uma nova oportunidade de amanhã.

Algumas profissões do futuro

Logística avançada

De acordo com o especialista, a demanda por pessoas que saibam controlar estoque e envio de mercadorias mundo afora já é imensa, mas a coisa só tende a crescer. “A posição dos profissionais de logística está mudando drasticamente”, explica Frey. Ele acredita que, em breve, essas pessoas terão que se mover para além de bens físicos, abraçando também o mundo da defesa, por exemplo, e dos projetos públicos, trabalhando com o uso de drones e utilizando veículos sem condutor.

Hacker “do bem”

Já acontece aqui e ali: empresas veem o nível de conhecimento de hackers e os contratam “para o bem”. No futuro, segundo Frey, vai haver ainda mais campo para aqueles que conhecerem os desmandos do submundo da tecnologia e quiserem colocar suas habilidades a serviço de empresas privadas. Bastará que certas regras sejam mais bem estabelecidas – do que é certo e errado no campo virtual – e, logo, poderá haver até diplomas de “Hacker Ético Certificado”.

Estatístico

Hoje em dia, nos EUA, um estatístico ganha cerca de US$ 87 mil ao ano. O salário, nos próximos anos, tende a crescer quase 30%. Isso porque a habilidade de prever riscos, principalmente, está muito em alta. Atualmente estatísticos são empregados comuns em bancos e seguradoras mas, segundo Thomas Frey, em breve eles serão essenciais em inúmeras outras áreas. Como medicina e saúde, por exemplo, cujo sucesso dependerá muito de estatísticas precisas.

Epidemiologista

Até pouco tempo, eles ainda eram raros e não faziam mais do que um salário modesto por ano. Mas bastou a gripe suína, a gripe aviária e ameaças apavorantes do gênero entrarem nos noticiários para os especialistas em epidemias ganharem espaço. E vão ganhar mais ainda: há registros de que a classe cresça mais de 35% nos próximos anos – e os governos mundiais vão disputar tais profissionais à tapa.

Com o avanço das tecnologias biológicas, em breve os epidemiologistas poderão se formar não só na Faculdade de Biologia, mas em saúde pública e afins – criando formas de ajudar a sociedade a driblar um vírus ou detectar antes dos engenheirosse cavar um túnel em determinado lugar pode desencadear doenças. Sim, Frey diz que vamos precisar de um epidemiologista “em cada esquina”.

Engenheiro front-end

Já ouviu falar? É o famoso desenvolvedor de internet, alguém que viabiliza todas aquelas páginas que usamos diariamente na rede. A demanda já é crítica. E empresas que não conversam no ambiente virtual com a clientela tendem a morrer. Assim, a área tende a ganhar o dobro de espaço em mais alguns anos, fazendo dessa pessoa que atua entre os programadores e os designers uma joia preciosa. Thomas Frey diz que, no futuro, tornar a aproximação das empresas com o público atraente e intuitiva é o que vai diferenciar os bons profissionais.

Químico alimentar

Vai assar um bolo e quer que ele saia perfeito? Chame um químico alimentar. Essa turma não estará na linha de frente da sua cozinha, mas é quase isso; eles poderão, além de tornar cada sabor mais delicioso, ser os responsáveis pela comida do futuro. “O ramo vai pirar”, empolga-se Frey. A demanda por dietas saudáveis e gostosas, a sanha mundial por novidades alimentares, o uso de impressoras 3D para criar “comida em casa” — não é balela! A NASA já estuda coisa semelhante – fará dos químicos alimentares astros.

É questão de perguntar novamente para a criançada se eles mantêm a posição de se tornarem médicos, professores, comissários de bordo ou mesmo presidente da nação. Porque as profissões do futuro já aparecem mais interessantes no cenário.

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