Estamos próximos de fazer dos 100 os novos 60

Carlos Plácido Teixeira
Editor – Radar do Futuro 

Estamos mais próximos de fazer dos 100 os novos 60. Se depender de grupos de pesquisadores e empresas de tecnologia, em um futuro relativamente breve a qualidade de vida de uma pessoa ao completar 100 anos será semelhante à de quem entra, hoje, no grupo dos sexagenários. Centenários serão portadores de boa saúde e sem restrições sérias para a realização de atividades sociais, esportivas ou culturais. Farão parte da regra, e não da exceção, pelo menos em segmentos de média e alta renda. Bem ao contrário do que ocorre hoje, quando encontramos, surpresos, um exemplo isolado de alguém que, aos cem anos, aparenta ter encontrado uma fonte da juventude para manter atividades cotidianas.

A esperança de criação de fórmulas para a combinação entre idade avançada e preservação de agilidade está na pauta comum de instituições privadas e públicas de pesquisa. Os interesses são, inclusive, econômicos. Não se trata apenas de enfrentar mais um desafio humano, rumo ao antigo sonho de alcançar a imortalidade. Já que as pessoas tendem a viver mais, que seja, pelo menos, sem depender da atenção de profissionais de saúde. Para os governos e planos de saúde, significa a redução de gastos com medicamentos e internações hospitalares. Para o mercado, gente que continua a consumir.

Novas iniciativas em pesquisas têm à frente, com destaque, John Craig Venter, um bioquímico e empresário americano conhecido por trabalhos pioneiros no sequenciamento do genoma humano e, mais recentemente, por seu papel no desenvolvimento de uma forma de vida artificial. Associado a outros cientistas, o cientista criou a empresa Human Longevity Inc, que propaga o conceito de que os esforços da ciência não devem se restringir a pretensão do aumento da longevidade. A meta é alcançar uma vida que valha a pena. “Nosso objetivo é ampliar e melhorar a saúde, a vida útil de alto desempenho e mudar a face do envelhecimento”, diz a empresa em seu site.

Há, em vários pontos do planeta, mais pesquisadores perseguindo o objetivo de acrescentar anos e qualidade às estatísticas de idade da demografia. A multinacional de tecnologia Google tem planos para o desafio da expansão do tempo de vida das pessoas. No ano passado, a empresa lançou uma companhia voltada para o mercado de saúde, chamada Calico, que tem a mesma ênfase em fazer com que as pessoas vivam mais no futuro.

Desafios – Hoje, 14 milhões de pessoas têm mais de 65 anos no Brasil. São  6,9% dos brasileiros. Até o ano de 2050, o país terá 65 milhões de idosos, representando 22,5% do total da população. O número total estará, então, em com tendência declinante. Com exceção do México, a população será maior do que a de qualquer país latino americano.

A projeção sobre o quadro da velhice no futuro requer a compreensão sobre os interesses dos governos e de setores econômicos, como o de seguros, em ver as pessoas envelhecendo – um dado certo – com a menor quantidade de complicações de saúde. Reportagem produzida pelo jornal Washington Post assinala o esforço das seguradoras em apoiar um sistema de reconhecimento facial. Cientistas contratados por empresas do setor estão trabalhando em um recurso que vai possibilitar identificar a probabilidade de problemas de saúde dos indivíduos, a partir da análise do envelhecimento do rosto. A tecnologia gera um benefício adicional para os clientes, que podem mudar seus hábitos antes que seja tarde demais.

Os interesssados em identificar oportunidades de mercado, devem, portanto, analisar mais do que as tendências demográficas de envelhecimento. O futuro das atividades voltadas aos novos velhos não estará limitado a centros geriátricos ou asilos. Pelo menos na classe média e populaçao de alta renda, grande contingente das pessoas prestes a entrar na terceira idade já começou a mudar de estilo de vida há algum tempo. Além de ter largado o cigarro, homens e mulheres se voltam para a prática de esportes com regularidade. E são positivas em relação à aposentadoria, com planos de viagem ou mesmo de continuidade do trabalho.

Quem fez 65 anos em 2015, terá 71 em 2020 em um ambiente diferente. Novos recursos, como as tecnologias vestíveis, vão possibilitar o monitoramento permanente da saúde das pessoas. Ainda na década atual há a expectativa de descobertas de tratamentos de doenças degenerativas, como alzeimer e parkinson. Com a evolução de tratamento dos vários tipos de câncer, a perspectiva de aumento do número de pessoas que vivem em condições favoráveis será crescente, mesmo sem as pesquisas.

INDICADORES

Centenários com saúde de 60

ACONTECIMENTOS

Avanço de pesquisas genéticas e tratamentos baseados em biotecnologia e nanotecnologia

Descobertas de curas ou tratamentos de doenças degenerativas

Novas gerações: investimentos contínuos em saúde e qualidade de vida

 

TENDÊNCIAS

Aumento da expectativa de vida

Novos esforços de aumento de pesquisas sobre longevidade

 

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