bhcentral mapa vista de cima colorizadoO Centro terá se transformado em área de moradia, de cultura e de lazer.

 

Carlos Teixeira
Jornalista e designer do futuro

Intervenção urbanística bem sucedida, em 2030 a proibição do trânsito de carros particulares, com ou sem motoristas, na Praça Sete, o ponto mais tradicional de Belo Horizonte, revigorou a região central – o hipercentro. A praça ajardinada que circunda o pirulito, monumento histórico da capital mineira, se transformou em ponto de referência e de encontro. Sem os carros, ónibus ou qualquer outro veículo, tendo ao fundo o Cine Teatro Brasil e outros prédios antigos reconfigurados.

Um grande passeio tomou conta da avenida Afonso Pena, do Palácio das Artes à antiga Rodoviária, transformada em museu dos transportes. E prédios antigos foram adaptados como moradias, centros de convivência e por projetos de inovadores, como escolas de artesanato com impressoras 4D. Ocupam as salas frequentadas antigamente por contadores, advogados, dentistas, exportadores de joias e negociantes de ouro, entre outros comerciantes e prestadores de serviços.

No antigo edifício do Bemge, que ninguém sequer lembra a razão do nome, desocupado no início dos anos 2020 e sem a destinação do passado recente, por falta de interessados, surgiu a primeira fazenda vertical da região central. Outras já haviam sido criadas em bairros, inclusive em shopping centers e na praça da Savassi. Os centros comerciais se adaptam à perspectiva de envelhecimento da população, à redução das taxas de natalidade e ao baixo poder aquisitivo da maioria da população.

Na prática, o Centro, convivendo com uma nova geração de artesãos e tocadores de instrumentos musicais, os hippies do século 21, tem o perfil uma área residencial e ponto turístico. Deixou de ser uma região comercial a partir dos anos 2020, quando o comércio eletrônico se consolidou e provocou o esvaziamento definitivo de lojas.

A informalidade das relações de trabalho e as tecnologias de comunicação deram fim ao sentido da existência de salas como lugares ocupados por empresas e profissionais. A internet em alta velocidade e em todas as coisas tornou irrelevante ter pontos comerciais.

Na terceira década, reuniões, globais, se fazem com auxílio de realidade virtual ou holografia. Robôs serão onipresentes, a realidade virtual e holografia projeta qualquer objeto. Procedimentos serão feitos por comandos de voz, não haverá telas em smartphone. Tudo é acessível em qualquer lugar em qualquer momento.

Lojas são apenas mostruários integrados ao ambiente. São pontos de apoio para as estruturas de comércio. Agora, predominam moradores. E gente que circula pelos vastos passeios em busca de cultura, de convivência e de busca de ocupação, em tempos de poucos empregos.

Muitos poucos trabalhadores com um salário fixo. A evolução das tecnologias não terá perdoado nem as atividades de baixa qualificação, nem os ocupantes de altos cargos executivos. Os trabalhos, quando conseguidos, serão de curto prazo, marcados por tarefas. E executados em casa ou em qualquer ambiente não corporativo. Os prestadores de serviços precisam ter custos reduzidos ao menor limite para concorrer com outras pessoas pelos trabalhos

Os nascidos em 2012 estarão completando 18 anos, iniciando um curso universitário – se esse ainda for um parâmetro de evolução do ensino, claro. Será uma geração para quem se previu, por volta de 2010, que 65% das profissões ainda não teriam sido criadas. É certo, por exemplo, que medicina e engenharia estarão mais integradas. Estarão dividindo tarefas em cirurgias de implante de expansão de memórias pessoais.

Muitos jovens estarão resgatando cursos e ensinamentos das áreas de ciências humanas e sociais. O aumento da demanda por filosofia e a disponbilidade de tempo das pessoas darão o estímulo para a criação de arenas onde as pessoas voltarão a discutir os clássicos da antiguidade e a imaginar o mundo adiante.