O desafio é saber o que os usuários realmente querem

Consultor de negócios estratégicos, o norte-americano James Lee elegeu o Google como a empresa  mais ligada no futuro de todos os tempos. O especialista relata que, há uns doze anos, quando questionado sobre como o empresa poderia ganhar dinheiro com sistema de busca de palavras-chave, o fundador Larry Page teria respondido que o negócio dele era, na verdade, desenvolvimento de inteligência artificial. A multinacional de tecnologia enfrenta o desafio de saber a diferença entre o que os usuários digitam em uma busca e entender o que eles realmente querem.

As aquisições de outras empresas, criadoras de inovações, mostram que o caminho trilhado pelo Google antecipa sinais sobre o futuro. Por isso, deve ser sempre acompanhada por quem deseja entender o que vem pela frente. Foi assim em 2014, quando a empresa comprou a empresa britânica DeepMind.

Foi um passo para a expansão dos seus planos de posicionamento. Enquanto os super computadores Deep Blue e Watson, da IBM, demandam dezenas de programadores para ganhar partidas no xadrez sobre um jogador profissional, o DeepMind utiliza a inteligência de uma rede neural de auto-aprendizagem, que aprende com assistência externa mínima. Nos últimos meses, o sistema domina mais de 50 clássicos jogos de vídeo Atari por conta própria, incluindo Breakout. Ele agora está aprendendo sobre o diagnóstico médico e reconhecimento visual.

Mas a inteligência artificial é apenas um dos muitos projetos que o Google define como “lançadores para a lua”, cada um dos quais mais audacioso no escopo, com potencial para se tornarem empresas de bilhões de dólares. Um exemplo, o Projeto Loon  utiliza uma frota de balões para montar correntes de vento de grande altitude e fornecer conectividade de internet em todo o mundo, bem como ter uma rede para flutuar torres de telefone celular acima das nuvens.

Hoje, o Google pode programar seus balões para ajustar a altitude, conforme necessário, e pode mantê-los no ar por até seis meses de cada vez. A empresa está em negociações com vários pesos pesados do reino das telecomunicações e tecnologia, incluindo Vodafone, Telstra, e Telefonica. Uma estratégia que, potencialmente, livra a necessidade de investimento no enorme custo do desenvolvimento de infra-estrutura sem fio baseada na terra em locais remotos.

Revolução – Existem também os carros sem motoristas do Google. A experiência em estradas já dura cinco anos. E já tem aprovação em quatro estados dos Estados Unidos – Califórnia, Nevada, Flórida e Michigan. Provavelmente, o Google não deve fabricar os seus próprios carros. Mas vai usar os veículos para incorporar as suas tecnologias nos automóveis produzidos pelos grandes fabricantes. Entre 2017 e 2020, esse pode ser um segmento de 200 mil dólares, segundo analistas.
 
Há mais o que acompanhar na trajetória da multinacional das buscas rumo ao futuro. Há projetos de estudos sobre longevidade e degeneração neurológica. Também a produção de dispositivos portáteis, como lentes de contato, que podem sentir e comunicar os níveis de glicose para diabéticos, e mudar a sua forma de fornecer a capacidade de se concentrar em diferentes distâncias.
 
Em categorias paralelas de investimentos estratégicos, o Google também comprou oito empresas de robótica nos últimos três anos, incluindo a Bot & Dolly, de controle de movimento, Meka Robotics, de robôs “sociáveis” e com expressões faciais, e o Boston Dynamics, desenvolvedor do “big dog” e “Atlas” robôs com pernas, entre outros. A lista segue com o investimento no negócio de casa inteligente, através de detectores de fumaça e termostatos.

“O que todas estas aquisições têm em comum é uma tendência muito, muito maior, conhecida como a “Internet das Coisas”, sintetiza o consultor James Lee . Para ele, está em foco o objetivo de mover a internet para o mundo real. E tornar objetos do cotidiano mais “inteligentes, pesquisáveis e conectado”. Segundo o especialista, o Google precisa dos tais “impulsionadores para a Lua. Afinal, o negócio de publicidade vai desacelerando e alguns desses projetos precisam ser bem sucedidos para garantir o futuro.

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