Segundo o articulista, 740 startups que estão trabalhando e tendo impacto diretamente em algumas das áreas do ESG, uma nova proposta em consolidação

No século 19, o mundo foi europeizado. No século 20, foi americanizado. Agora, o século 21vai ser "asiatizado" – e muito mais depressa do que se possa pensar. foto: Pixabay
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*Marcus Nakagawa

Nestas últimas semanas de junho, o mês do Meio Ambiente, participei de vários debates e lives com empresas, acadêmicos e governos, ou seja, para os mais variados públicos. Fico muito feliz pela oportunidade e pela temática do ESG (Ambiental, Social e Governança, acrônimo ASG em inglês) estar cada dia mais em alta.

Foram diálogos muito produtivos, entretanto, ainda precisam ser inseridos no dia a dia das organizações, escolas, governos, casa das pessoas etc. É necessário avançar nesse processo, pois estamos na década da ação da Agenda 2030 da ONU, com os nossos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Um dos pontos que muito se questiona é o quanto a tecnologia pode acelerar o método de utilização nos processos e projetos, nas empresas e no governo. Neste caso, o livro “Como Evitar um Desastre Climático”, de Bill Gates, fundador da Microsoft, traz cinco perguntas para falar do clima: Como ligamos as coisas na tomada? Como fabricamos as coisas? Como cultivamos as coisas? Como transportamos as coisas? Como esfriamos e aquecemos as coisas?

Fantástico uma das pessoas mais ricas do planeta, que teve toda a sua trajetória mudando o mundo por meio da tecnologia, transformando o modus operandi da forma de trabalhar, criando um império em cima de bits e bytes, ter passado mais de dez anos estudando as causas e os efeitos das mudanças climáticas. E o bacana é que ele teve acesso aos principais especialistas mundiais para debater e ainda se preocupou em colocar de uma forma bem fácil de entender as repostas dessas perguntas.

Será que pessoas como ele, envolvidas nessa temática, podem abrir “janelas” (trocadilho para Windows) para que possamos nos desenvolver de forma inclusiva, acessível e justa, preservando e regenerando o planeta?

Essas cinco perguntas acima servem para nos questionarmos pessoalmente e perguntarmos para todas as empresas e governos. Mais do que isso, ir atrás dessa temática como uma oportunidade de negócios e melhorias dentro das companhias, não esquecendo que os grandes investidores estão de olho em perfis organizacionais que aprimoram sempre os seus indicadores de ESG.

Pensando nesses desafios como oportunidades, o Distrito Dataminer ratifica esse raciocínio na pesquisa com o título Inside ESG Tech, de 2021, explicando as questões atuais e entrevistando vários profissionais da área. Além disso, o relatório do estudo mostra um mapeamento totalizando 740 startups que estão trabalhando e tendo impacto diretamente em algumas das áreas do ESG.

Em 2000, eram somente 23 startups. Atualmente, no tema Social são 36% de startups, no Ambiental 35% e 29% na Governança, sendo que na última década as 260 startups sociais receberam aproximadamente 1 bilhão de dólares.

Ainda nesta pesquisa, aparecem muitas dessas startups trabalhando para resolver problemas sociais, ambientais e de governança das empresas, ou seja, no B2B. Sendo que 17,4% delas são para as questões de água e energia e 14,52% para Martech, diversas soluções para o relacionamento, comunicação e transparência com os consumidores, indicador importante relacionado ao social no ESG.

E, finalizando, o estudo apresenta empresas na área ambiental, como a Moss.Earth, fintech em crédito de carbono tokenizado; a Trashin, uma cleantech focada na gestão de resíduos 360 graus.

No social, apresenta a Zenklub, plataforma on-line que presta serviços de bem-estar e saúde emocional dentro das empresas; Opinion Box, startup de pesquisa digital dedicada às soluções de pesquisa de mercado; Incentiv.me, que atua na área de inovação tributária, criada para incentivar projetos de impacto social por meio da transformação dos impostos, em investimentos que gerem benefícios para a sociedade.

E na área de governança está descrito a Egalitê, que auxilia as pessoas com deficiência a entrarem no mercado de trabalho, além de as empresas a cumprirem a lei de cotas com um recrutamento assertivo; a Datarisk, que oferece uma plataforma de modelagem preditiva focada na concessão de créditos e análises de dados para gestão de riscos dos investimentos das empresas; a Ecotrace, que foca na rastreabilidade de alimentos ao longo da cadeia produtiva no Agronegócio; Eureciclo, que fica como o braço de compliance de logística reversa da New Hope Ecotech; e a Plataforma Verde, especializada no gerenciamento de resíduos por meio de blockchain.

Ótimos exemplos para respondermos às perguntas do Bill Gates e termos esperança de que conseguiremos sim, aliar a tecnologia ao ESG. Porém, precisamos acelerar e investir mais em empresas como essas. Mais do que isso, educar e informar uma quantidade maior de pessoas, sobre o movimento do desenvolvimento sustentável e a importância da tecnologia.

E você e a sua empresa, o que estão fazendo?


  • Marcus Nakagawa é professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS

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