Notas econômicas: 16 a 20 de novembro de 2020

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Computador aberto em tela de comércio eletrônico da Amazon - foto: Pixabay
As promoções de final de ano serão importantes para definir o comportamento dos consumidores nos próximos meses

Acontecimentos que marcaram o noticiário político e econômico da semana

Paulo Roberto Bretas
Economista e Conselheiro do Corecon-MG

Entender o ambiente digital se tornou um desafio ainda maior para os negócios durante a Black Friday deste ano. Só em 2020, com o isolamento, 135 mil empresas que, até então eram físicas, migraram para o varejo digital, segundo a Compre&Confie e ABComm. Diante desse cenário, algumas das soluções são criar plataformas que conversem entre si, como apps e um site, e conhecer melhor o usuário. Ferramentas de inteligência artificial, como um bot, por exemplo, ajudam a promover ofertas mais personalizadas. E mais opções de pagamentos ampliam a chance de compra — segundo a Ayden, cresceu em 60% o volume de compras online entre as classes C e D. (Meio)

Tecnologia 6G: Enquanto o 5G ainda avança pelo mundo, alguns países já planejam o 6G. A Coreia do Sul quer começar a testar essa tecnologia em 2026 para já estar disponível comercialmente pelo menos em 2028. Nos testes, o objetivo é atingir 1Tbps em velocidades de transmissão de dados, o que equivale a cerca de cinco vezes mais rapidez do que o 5G e redução de latência para um décimo dos serviços atuais. Outra notícia é que o primeiro satélite 6G do mundo já está em órbita. O satélite foi lançado semana passada pela China e será usado para a construção de cidades inteligentes, prevenção de desastres e proteção do meio ambiente. Esse tipo de conexão, segundo o governo chinês, é até 100 vezes mais rápido que a do 5G, disponível no mercado. (Meio)

Um Brasil que dá certo: A Embraer informou que assinou, com o governo da Hungria, um contrato para a venda de dois aviões cargueiros KC-390, aeronaves de transporte multimissão da nova geração, na configuração para reabastecimento aéreo. As entregas estão programadas para começar em 2023 e a Embraer não divulgou os valores da venda. (Valor)

Economia

Desempenho

Pobreza no Brasil: Se fossem desconsiderados os efeitos de Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Auxílio Emergencial, a pobreza teria avançado de 10,3% da população em dezembro de 2019 para 14% em setembro deste ano, como resultado do impacto da pandemia. Com o aumento de quatro pontos percentuais, esse grupo dos mais vulneráveis atingiria o total de 29,6 milhões de pessoas, com ampliação de perfil dos que caem na pobreza. O cálculo da taxa considera integrantes de famílias com renda abaixo de US$ 1,90 per capita ao dia, por paridade do poder de compra. Ou, em moeda nacional, de R$ 154 per capita ao mês, em valores de dezembro de 2020. (Valor)

Proteção aos mais pobres: Enquanto o governo federal não define um redesenho da atual estrutura de proteção, Estados e municípios já contabilizam uma demanda maior por assistência social. De janeiro a agosto, os gastos com assistência social no agregado de Estados e capitais somou R$ 6,3 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões nos governos estaduais e R$ 2,8 bilhões nas prefeituras. A assistência social demanda muitos menos recursos que pastas como saúde ou educação, mas os gastos para essa área avançaram 18% nos Estados e 14% nas capitais de janeiro a agosto deste ano, na comparação nominal com iguais períodos de 2019. Uma elevação destacável em período em que governos estaduais e municipais precisaram ser socorridos pela União para recompor receitas e fazer frente às demandas da pandemia. (Valor)

Bons Negócios: Os ganhos expressivos das empresas ligadas aos setores de commodities e alimentos compensaram o impacto da pandemia nos resultados do terceiro trimestre no grupo das companhias brasileiras com ações negociadas em bolsa. Os números que vieram a público nas últimas semanas mostram um avanço surpreendente nos principais indicadores de resultados, mesmo com as restrições sociais, e seus reflexos na economia, impostas pelo avanço do novo coronavírus. Com aumento da receita e o controle de custos, tais empresas tiveram um desempenho não só melhor do que o do segundo trimestre – o auge da crise sanitária, com fechamento do comércio e das fábricas -, mas superior ao do mesmo período de 2019, pré-pandemia. (Valor)

Com o orçamento mais apertado das famílias por causa da pandemia e das altas taxas de desemprego, a previdência complementar vai mal neste ano. Mas, com a entrada de um período sazonalmente favorável para o setor, as instituições aceleram suas ações e estratégias, com novos produtos e campanhas para motivar o investidor a construir uma reserva para a aposentadoria. (Valor)

Incorporadoras de Imóveis : As incorporadoras com foco nos padrões médio e de alta renda apresentaram resultados fortes, no terceiro trimestre, com crescimento de receita, margem e, consequentemente, melhora da última linha do balanço. Empresas aproveitaram o período para lançar projetos e atender à demanda que tinha sido represada nos primeiros meses da pandemia de covid-19. A continuidade do bom desempenho é esperada para o quarto trimestre. No segmento de baixa renda, porém, não se verificou um cenário tão positivo. A receita também teve expansão, mas a luz amarela se acendeu, com preocupações da pressão do aumento dos custos de matérias-primas sobre as margens. Em imóveis de maior valor tem sido possível repassar para os preços as altas nos custos, o que se mostra mais difícil nas unidades populares devido ao teto dos valores do programa habitacional Casa Verde e Amarela. (Valor)

Indicadores

Inflação 2020: Com a pressão causada pelo preço dos alimentos, foram expressivas as alterações nas previsões para inflação. Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a SPE espera alta acumulada de 3,13% em 2020, ante o 1,83% previsto em setembro. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que corrige o salário mínimo, deverá ficar em 4,10% neste ano, ante os 2,35% projetados antes. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), por sua vez, deverá fechar o ano em 20,98%, ante 13,02%. (Valor)

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apontou alta de 3,05% no segundo decêndio de novembro, ante 2,92% no mesmo período do mês anterior. Com o resultado, a taxa acumulada em 12 meses passou de 20,56% para 24,25%, informou o FGV Ibre. (Valor)

Cai a confiança: A prévia extraordinária das Sondagens da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com dados coletados até o dia 13/11/2020, sinaliza recuo da confiança empresarial e dos consumidores em novembro. Em relação ao número final de outubro, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) recuaria 0,9 ponto, para 96,2 pontos, enquanto o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) cairia 2,2 pontos, para 80,4 pontos. (Valor)

Crescimento do PIB: O Ministério da Economia revisou para queda de 4,5% a estimativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Na grade de parâmetros anterior, divulgada em setembro, a projeção era de queda de 4,7%. Para o PIB do ano que vem, a pasta agora espera uma alta de 3,2%. Para o terceiro trimestre, a expectativa é de recuo de 3,9% frente ao mesmo período do ano anterior. Na divulgação anterior, esperava-se um recuo de 4,9%. Em relação ao segundo trimestre deste ano, a projeção é de avanço de 8,3%. (Valor)

Boletim Focus: A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial em 2020 subiu de 3,20% para 3,25%, segundo o Boletim Focus, do Banco Central (BC), divulgado dia 16-11-2020 com estimativas coletadas até o fim da semana passada. A mediana das projeções do mercado para a variação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020 voltou a subir, de -4,80% para -4,66%, vindo de um piso de -6,54% atingido no fim de junho. (Valor)

Previsão do PIB: O governo federal melhorou ligeiramente sua projeção para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, vislumbrando uma recuperação mais forte da economia. A previsão de queda, antes de 4,7%, passou para 4,5%. Atualmente, analistas de mercado esperam uma queda de 4,66%, segundo o boletim Focus do Banco Central (BC). O governo manteve, ainda, sua projeção de crescimento para 2021 em 3,2%. (Valor)

Crescimento do crédito: As instituições financeiras estão mais otimistas em relação ao desempenho do crédito neste ano. A nova edição da Pesquisa Febraban de Economia Bancária, realizada entre 4 e 11 de novembro, projeta crescimento de 11,8% na carteira total em 2020. A estimativa anterior, de setembro, era de 9,4%.De acordo com o levantamento, o setor prevê crescimento de 13,6% no crédito com recursos livres, acima dos 10,7% projetados anteriormente. Houve avanço em especial nas perspectivas para a carteira de pessoas jurídicas (alta de 15,7% na pesquisa de setembro e de 20,4% em novembro), refletindo a demanda por capital de giro. Na carteira de pessoas físicas, a expectativa agora é de aumento de 7,8% neste ano, ante uma perspectiva de alta de 6,7% captada na edição anterior. Para o crédito direcionado, a projeção subiu de 7,6% em setembro para 8,6% na pesquisa mais recente. (Valor)

Drenagem do FGTS 1: As medidas adotadas pelo governo para estimular a economia, como o saque emergencial ou ainda na data de aniversário, serviram para impedir a queda mais abrupta do PIB neste ano, mas fizeram com que as retiradas do Fundo Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) superassem a arrecadação bruta em R$ 10,948 bilhões no período de janeiro a julho. As informações são do site do fundo. (Valor)

Monitor do PIB: O Monitor do PIB-FGV aponta crescimento de 7,5%, na atividade econômica no terceiro trimestre, em comparação ao segundo, e crescimento de 1,1% em setembro, em comparação a agosto, divulgou o FGV/Ibre. Na comparação interanual, a economia teve queda de 4,4% no terceiro trimestre e de 2,3% em setembro. O setor de serviços ainda apresenta grande resistência à recuperação com grande influência das atividades de administração pública e de outros serviços. (Valor)

Consumo das famílias: Segundo a FGV, o consumo das famílias retraiu 5,1% no terceiro trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2019. Apesar de negativo, este resultado mostra continuidade da tendência ascendente em relação a queda de 13,2% registrada no segundo trimestre. O consumo de bens apresenta recuperação mais evidente com crescimento no consumo de produtos não duráveis (1,0%) e de duráveis (0,9%), a despeito da retração de 13,7% do consumo de semiduráveis, aponta a FGV. O consumo de serviços, embora esteja com taxas menos negativas desde o resultado do segundo trimestre, ainda apresenta a recuperação mais lenta, tendo recuado 8,7%, no terceiro trimestre. (Valor)

Investimentos: A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) retraiu 2,2% no terceiro trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2019. O único componente ainda apresentando retração nesta comparação é o de máquinas e equipamentos (-8,2), embora esta queda esteja sendo cada vez menor desde a retração de 29,3% no segundo trimestre. (Valor)

Exportações: A exportação de bens e serviços cresceu 1,7% no terceiro trimestre, em comparação ao terceiro trimestre de 2019. Os principais destaques positivos são o crescimento da exportação de produtos agropecuários (15,9%), da extrativa mineral (16,0%) e de bens de consumo (19,2%). (Valor)

Importações: A importação retraiu 24,4% no terceiro trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2019, registrando queda em praticamente todos os seus componentes. Segundo a FGV, a única exceção é a importação de produtos agropecuários que cresceu 8,5%. As fortes quedas de bens intermediários (-17,6%) e dos serviços (-32,2%) explicam a maior parte desta retração, embora os bens intermediários estejam com queda menor no terceiro trimestre que as registradas anteriormente, enquanto a importação de serviços continua em desaceleração. (Valor)

Estrangeiros na Bolsa: No ano, a saída de estrangeiros somou R$ 60,13 bilhões, até 17-11-2020. Ao considerar o mercado primário (IPOs e follow-ons), com entrada de R$ 19,61 bilhões até setembro, o fluxo externo na bolsa de valores está negativo em R$ 40,51 bilhões em 2020. (Valor)

Setores

Indústria automobilística em crise: Nos últimos anos, o Brasil sempre esteve entre os dez maiores produtores de veículos do mundo. O potencial do mercado de um país continental, de onde se pode abastecer a América do Sul, seduziu os principais fabricantes dos Estados Unidos, Europa, Japão e Coreia. Atraídas por incentivos, essas multinacionais construíram um parque industrial gigante. Recentemente, porém, o país começou a perder força no cenário global. A situação agravou-se com a chegada de um governo que não tem a indústria automobilística nas prioridades, a iminência do fim de benefícios fiscais, a perda de renda do consumidor e o enfraquecimento das exportações pela crise Argentina. Mas o dado mais preocupante é que o Brasil perdeu relevância no desenvolvimento de novos carros, que se concentram, hoje, na eletromobilidade, direção autônoma e tudo o que envolve novas necessidades de transporte. (Valor)

Indústria acorda 1: Ao analisar o acordo de livre-comércio Mercosul-União Europeia (UE), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acendeu a luz amarela: constatou que o setor privado colocou muita atenção sobre redução de tarifas e bem menos nos instrumentos de defesa comercial (medidas antidumping, antissubsídio, salvaguarda). Agora, a representação da indústria preparou um estudo de 88 páginas com sugestões para o governo levar em conta, em futuras negociações de acordos preferenciais de comércio, uma defensa reforçada do setor contra práticas consideradas desleais dos parceiros. (Valor)

Indústria acorda 2: Ter capacidade de defesa comercial ajuda a abrir o mercado e investir no país. A baixa de tarifas de importação é comparada ao motor do carro que aumenta o comércio, enquanto os instrumentos de defesa comercial são o freio para situações imprevistas e prejudiciais decorrentes da liberalização. (Valor)

Estoques das Indústrias: Apesar de seguidas altas na produção industrial, os estoques do setor continuam em queda e abaixo do desejado pela indústria. É o que constatou relatório de sondagem sobre o mês de outubro divulgado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). A variação indica diminuição dos estoques de produtos finais em outubro. O resultado refletiu o crescimento das vendas acima da produção, de acordo com o relatório. (Valor)

Utilização da Capacidade Instalada: A utilização da capacidade instalada (UCI) da indústria subiu 2 pontos percentuais e chegou a 74%, quatro pontos acima de setembro de 2019, a melhor marca para o mês desde 2013. A indústria foi bastante afetada pela pandemia da Covid-19 no Brasil. No segundo trimestre, auge do distanciamento social para combater a disseminação da doença, o setor encolheu 12,3%. Nos cinco meses de recuperação, o setor compensou a perda de 27,1% entre março e abril, quando a Covid-19 atingiu o país. (Valor)

Decisão do Cade 1: O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição, pela Seara (JBS), do setor de maionese e margarina da Bunge. O negócio, fechado no final do ano passado por R$ 700 milhões, envolve as fábricas de São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco, bem como as marcas Delícia, Primor e Gradina. (Valor)

Decisão do Cade 2: Por unanimidade e com restrições, o plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição da Liquigás por um grupo formado por Copagaz, Itaúsa, Nacional Gás e Fogás. Para dar andamento à incorporação da empresa, o Cade impôs algumas medidas para reduzir o patamar de concentração de mercado em algumas regiões, por meio de vendas de participação. Em 2018, o órgão antitruste já havia barrado a venda da Liquigás, que é a vice-líder nacional do setor de gás de cozinha. Na ocasião, o negócio envolvia a Ultragaz, a líder do segmento. (Valor)

Toyota: Há 23 anos, a Toyota construiu na Argentina uma fábrica que se transformou numa base de exportação. Somente neste ano, 80% dos carros ali produzidos seguiram para 23 países, incluindo toda a América Latina. Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil sonha em replicar no Brasil um modelo de produção como esse. Mas, uma série de problemas que envolvem custo de produção fazem com que no Brasil a exportação não passe dos 20%. (Valor)

Consumo e comportamento

Hábitos alimentares 1: A quarta etapa da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou que os brasileiros estão longe do consumo ideal de frutas e hortaliças. Segundo o levantamento, apenas 13% praticam o consumo recomendado desses alimentos. Dos entrevistados 14,3% disseram ter consumido cinco ou mais alimentos processados no dia anterior à entrevista. Esses produtos são considerados um fator de risco para a saúde das pessoas. São exemplos bebida achocolatada e iogurte com sabor, biscoitos, bolo de pacote, salsicha e outros embutidos. Nesse quesito, o IBGE identificou que a prevalência desse hábito na área rural é de 7,4%, bem menor do que nas cidades (15,4%). (Valor)

Hábitos alimentares 2: Os melhores hábitos de consumo acontecem entre a população branca (15,1%) e com ensino superior completo (22,4%). Por sexo, a maior taxa de consumo correto se verifica entre mulheres (15,4%), enquanto só 10,2% dos homens o fazem. Os mais velhos se revelaram os maiores consumidores de frutas e hortaliças. Entre jovens de 18 a 24 anos, só 7,4% disseram comer em quantidade adequada, índice que sobe conforme a idade, até alcançar 17,9% para aqueles com mais de 60 anos. (Valor)

Saúde dos brasileiros: A quarta etapa da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, do IBGE, mostra que 52% da população com 18 anos ou mais tinha pelo menos uma doença crônica, sendo as mais prevalentes a hipertensão arterial, problemas na coluna, depressão e diabetes. Todas as enfermidades pesquisadas na edição anterior da PNS, em 2013, viram suas prevalências aumentarem. Para o analista do IBGE Gustavo Fontes, possíveis explicações são o envelhecimento da população, o aumento da obesidade e a expansão do acesso à rede de saúde e diagnósticos. (Valor)

Atividades Físicas 1: O número de pessoas que praticam exercícios físicos como lazer no Brasil aumentou de maneira significativa entre 2013 e 2019, e chega a quase um terço da população com 18 anos ou mais. Em 2019, 30,1% dos brasileiros praticaram o nível recomendado de atividade física no lazer, enquanto esse percentual foi de apenas 22,7% em 2013. Entre homens, esse percentual foi de 34,2%, enquanto para as mulheres foi de 26,4%. (Valor)

Atividades Físicas 2: Os classificados como “insuficientemente ativos” ainda são 40,3% dos adultos brasileiros, percentual considerado alto. Essas pessoas não praticaram atividade física ou o fizeram por menos de 150 minutos por semana, seja no lazer, no trabalho ou em deslocamentos. (Valor)

Política

Governo

Josias de Souza: “Jair Bolsonaro será candidato à reeleição em 2022. A eleição municipal não altera esse plano. Mas o eleitorado sinalizou ao presidente que o segundo mandato depende do êxito, não do gogó. O terraplanismo sanitário e a ideologia sem resultados foram como que jurados de morte no primeiro turno da eleição da pandemia. Mas Bolsonaro reagiu como se sua Presidência estivesse cheia de vida. Crivado de recados, o presidente assistiu pela TV à derrota de candidatos que apoiou. Sem se dar conta de que internet não tem borracha, correu às redes sociais para apagar a lista dos seus preferidos. A onda de extrema-direita que levou Bolsonaro ao Planalto virou marola em 2020. Mas o presidente leva a mão à prancha. Enxerga na conjuntura eleitoral uma “clara sinalização de que a onda conservadora chegou em 2018 para ficar’.” (UOL) (Meio)

O Brasil está correndo o risco de “virar uma Venezuela” – pelo menos na Assembleia Geral da ONU e nos principais conselhos das Nações Unidas. O país vai perder direito de voto em todas as instâncias do organismo multilateral, a partir de janeiro, caso não pague pelo menos US$ 113,5 milhões até o dia 31 de dezembro. O pagamento não quitaria toda a dívida acumulada pelo governo brasileiro, que chega a US$ 386 milhões e inclui contribuições orçamentárias para missões de paz, mas é a quantia mínima para evitar a punição. (Valor)

Carlos Andreazza: “A eleição municipal será o menor dos problemas de Bolsonaro. Há exagero em nacionaliza-la, em responsabilizá-lo diretamente pelo derretimento daqueles que apoiou; talvez com o intuito — politicamente legítimo — de lhe colar derrotas. Ok. É do jogo. Ele perdeu. Os candidatos pelos quais pediu foram mal. Mas que não se leia na fotografia projeção de fraqueza. Será erro subestimá-lo — senhor da máquina federal — à luz do que expressam as urnas.” (Globo) (Meio)

Não foi só Bolsonaro que se revelou um mau cabo eleitoral. A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves gravou vídeos de apoio para nove candidatos. Só emplacou uma: Flávia Borja (Avante), eleita vereadora em Belo Horizonte (MG). (Meio)

Falhas na LDO: O impasse político que está inviabilizando a votação do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021 evidencia uma carência do arcabouço fiscal brasileiro: a falta de uma regra permanente de contingência para a gestão orçamentária. Normalmente, a LDO estabelece um plano para o caso de não aprovação do orçamento, determinando a execução de 1/12 de pelo menos parte das despesas. A questão é que não há previsão sobre o que fazer se não tiver LDO. (Valor)

Privatizações: Num momento em que o Amapá sofre com o apagão elétrico o ministro Paulo Guedes afirmou que é preciso privatizar a Eletrobras. Ele admitiu que a venda de estatais não avançou e, sem citar nomes, atribuiu a demora a um acordo de centro-esquerda no Congresso contra privatizações. (Valor)

Economia no pagamento de juros: O governo deve economizar R$ 400 bilhões em juros em quatro anos, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, na Premiação Melhores e Maiores 2020 da Revista Exame. Já foram economizados R$ 80 bilhões no primeiro ano e R$ 120 bilhões no segundo. São esperados mais R$ 100 bilhões em cada um dos próximos dois anos. Isso foi possível pela mudança do mix da política econômica: fiscal mais apertado e monetário um pouco mais frouxo, disse Guedes. (Valor)

Lei Kandir: O plenário do Senado aprovou projeto de lei que prevê o pagamento das perdas de arrecadação provocadas pela Lei Kandir. O texto estabelece a transferência de pelo menos R$ 62 bilhões para Estados e municípios, conforme acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) entre a União e o Fórum Nacional de Governadores. Este valor pode ser acrescido de outros R$ 3,6 bi, se os parlamentares aprovarem a proposta de emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo, que está parada no Parlamento. A matéria segue agora para a Câmara dos Deputados.

Gestão pública

Projeção do déficit: Analistas consultados pelo Ministério da Economia melhoraram sua projeção para o déficit primário do governo central neste ano, mas passaram a ver um rombo maior no ano que vem, conforme boletim Prisma Fiscal. Agora, a perspectiva é de um déficit de 844,8 bilhões de reais em 2020, abaixo dos 858,2 bilhões de reais apontados no relatório do mês passado. A cifra histórica reflete os vultosos gastos da União com o enfrentamento à pandemia de coronavírus. Para 2021, a conta foi piorada a um déficit de 224,8 bilhões de reais, ante 218 bilhões de reais anteriormente. (Brasil 247)

Perigo à vista: Em um ano tão difícil como 2020 não há muito para comemorar. Já há uma preocupação com alta de preços, falta de matéria-prima e a possibilidade uma segunda onda da doença, o que pode ter impactos relevantes nos resultados do quarto trimestre e dos primeiros meses de 2021. Também não está claro, até agora, quais serão os efeitos do fim dos programas emergenciais do governo federal. (Valor)

Monitoramento da Inflação: O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que os riscos de aumento da inflação são temporários e estão sendo monitorados pela autoridade monetária. Além disso, afirmou que há preocupação com a rolagem da dívida porque o Brasil se endividou mais e tem concentração de vencimentos devido ao encurtamento dos prazos. (Valor)

Dívida Pública e Pobreza: Campos ressaltou que o Brasil tem uma das dívidas brutas mais altas entre os emergentes. Ele lembrou que a dívida já era alta e a situação fiscal do país já era frágil antes da crise. Segundo o presidente do BC, a dúvida que surge é se o efeito pobreza abortará o crescimento, diante do elevado endividamento, quando o mundo se recuperar e as taxas de juros voltarem a subir. (Valor)

Raul Veloso: Na situação excepcional em que a pandemia colocou o país, com elevado déficit público e necessidade de recursos para saúde e também para um novo programa de transferência de renda, o economista Raul Velloso defende a emissão de moeda. Não há, diz ele, por que financiar tudo com a emissão de títulos. Ele também critica os que defendem a manutenção do teto de gastos e aponta a necessidade de investimentos do setor público como forma de retomada econômica no pós-crise. (Valor)

Inadimplência: Eurico Fabri, vice-presidente executivo do Bradesco, afirmou que a inadimplência no sistema financeiro certamente vai crescer em 2021, já que está atualmente em mínimas históricas, após as medidas de flexibilização adotadas pelos bancos para ajudar os clientes a passar pela pandemia. (Valor)

Agenda Fiscal: A provável paralisia da agenda fiscal contraria os sinais dados pelo governo nas últimas semanas, de que a pauta seria destravada após as eleições. A falta de avanço nas reformas estruturais emite um sinal negativo para o mercado, parcialmente contrabalançado pelos sinais de retomada da economia. (Valor)

Securitização de dívidas: Um dos pontos que geraram maior disputa nas negociações das medidas de socorro aos Estados, a possibilidade de reestruturação de dívidas com mecanismo de securitização até agora não andou. Apesar de aprovada na Lei Complementar 173 sob demanda dos governadores, o Tesouro Nacional não registrou nenhum pedido para dar aval (garantia) para qualquer Estado.

Swap Cambial: O Banco Central (BC) iniciou, no dia 17-11-2020, leilões diários de swap cambial para rolagem do vencimento de janeiro. O estoque total é de US$ 11,8 bilhões, ou 235.950 contratos. (Valor)

Venda de ações do BNDES: O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fez no dia 16-11-2020 mais um movimento de venda de ações da carteira de renda variável da instituição. O banco se desfez de 40 milhões de ações de Vale, cotadas a R$ 63,62, em operação em bloco na bolsa feita via corretora do Bradesco que totalizou R$ 2,54 bilhões. O valor por ação ficou próximo da cotação do fechamento da empresa ontem, de R$ 64,92, com alta de 2,64% sobre o último pregão. O Morgan Stanley foi o principal banco na compra, segundo fontes próximas da transação. Esse é o segundo movimento de venda em “block trade” feito pelo BNDES com ações de Vale. O primeiro ocorreu em agosto, quando o banco vendeu R$ 8,1 bilhões na bolsa, também em um único dia, de ações da empresa fora do bloco de controle. Na ocasião, o banco tinha posição de 6,1% no capital da mineradora e reduziu essa fatia para 3,7% do capital total. Na época se definiu um período de bloqueio (lock-up) para a venda de ações da mineradora pelo BNDES, o qual venceu no mesmo período em que expirava o acordo de acionistas. (Valor)

Eleições

Eleições 2020: O número de eleitores que preferiram não participar da eleição para prefeito no domingo, 15 de novembro – seja anulando, votando em branco ou não comparecendo — superou os candidatos mais votados em 483 cidades do Brasil, incluindo a maior delas, São Paulo. Na capital paulistana, 3,6 milhões de eleitores não votaram. Isso é mais do que os 2,8 milhões de votos que Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), que foram para o segundo turno, receberam somados. No domingo, o país registrou a maior abstenção em 20 anos. (Folha) (Meio)

Educação

Novo Fundeb: O projeto de lei de regulamentação do novo Fundeb prevê que parte dos novos recursos da União aos Estados seja repassada para entidades privadas credenciadas, como o Sistema S, para complementar a oferta de ensino técnico profissionalizante. A proposta contraria o que tem defendido o governo Bolsonaro, que busca ampliar o escopo de escolas privadas sem fins lucrativos aptas a receber verbas do Fundeb para todo o ciclo da educação básica, da educação infantil ao ensino médio. (Valor)

Internacional

Priorizar pedestres e bicicletas: Barcelona criou um plano para priorizar pedestres e bicicletas em vez de carros. No centro da cidade, 21 ruas vão ser redesenhadas para terem menos vagas de estacionamento e mais ciclovias, espaços para crianças e áreas verdes. A ideia é que ninguém fique distante de mais de cerca de 200 metros de um pequeno parque. O novo projeto será implementado nos próximos 10 anos. (Meio)

Carros Elétricos 1: A fabricante de veículos elétricos chinesa NIO reportou um aumento de 146% nas vendas de seus veículos no terceiro trimestre de 2020, na comparação com 2019, totalizando 4,27 bilhões de iuanes (US$ 650 milhões), enquanto a receita geral do trimestre aumentou 137% para 4,53 bilhões de iuanes. A expectativa de forte crescimento nas vendas de veículos elétricos e o aumento das avaliações daTesla e de recém-chegados como a Nio estão estimulando uma das maiores transformações na indústria automobilística em um século, impulsionando novos investimentos e abrindo as portas para novos concorrentes e marcas. (Valor)

Carros Elétricos 2: As vendas de veículos elétricos representam apenas cerca de 2% do total das vendas de automóveis em todo o mundo, mas devem crescer em meio a regulamentos cada vez mais rígidos sobre emissões de escapamento em todo o mundo. Políticas ecológicas da União Europeia e da China e de estados americanos como a Califórnia estão levando os fabricantes de automóveis a investir bilhões de dólares em tecnologia e modelos elétricos. (Valor)

Revolução Industrial Verde: Em 2030, cinco anos antes do previsto, será proibida no Reino Unido a venda de carros e vans novos movidos a combustíveis fósseis, anunciou o premiê Boris Johnson. A medida faz parte de um plano de “revolução industrial verde” que inclui ainda investimentos em energia eólica marinha, reflorestamento e ênfase em carros elétricos. (Meio)

Grandes Fortunas: A Câmara de Deputados da Argentina aprovou, graças ao apoio pontual de blocos menores de oposição ao governo, um projeto de lei para taxar grandes fortunas no país. O projeto agora será avaliado pelo Senado. (Valor)

O TikTok ganhou mais 15 dias do governo dos USA para definir um acordo de aquisição com uma empresa americana e não ser removido do país. A ByteDance, responsável pelo app, está em negociações com a Oracle e o Walmart. Os detalhes do acordo, no entanto, incluindo quanto controle as empresas americanas teriam sobre o aplicativo, continuam em discussão. (Meio)


Fontes: Jornal Valor, UOL, Canal Meio Newsletter, Folha, Carta Capital, Brasil 247, Globo

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