Enquanto o restante do mundo teme a expansão das guerras, brasileiros seguem o descolamento do panorama global

CARLOS PLÁCIDO TEIXEIRA
A preocupação com a expansão de conflitos militares e guerras teve um crescimento expressivo entre as populações de várias regiões do planeta. A expectativa chamou a atenção no cenário internacional de acordo com o relatório “What Worries the World” – “O que preocupa o mundo” – do instituto de pesquisas Ipsos, referente a abril de 2026. Globalmente, as preocupações são fortemente influenciadas por tensões geopolíticas, oscilações nos preços de energia e impactos econômicos de conflitos.
Como reflexo das ações militares dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio, a preocupação com guerras atingiu 19% da população global em abril. Nos Estados Unidos, o temor subiu 15 pontos percentuais no mês e alcançou 27% da população. Na Europa, essa ansiedade também cresceu, atingindo 25% na França e expressivos 47% na Polônia.
A possibilidade de aumento da inflação é a principal preocupação global, apontada por 33% dos entrevistados. Em seguida, crime e violência, com 31% das menções. O tema pobreza e desigualdade social aparece em terceiro lugar, preocupando 28% da população mundial.
As preocupações em 2026 variam significativamente quando é feita a comparação do cenário global com o contexto brasileiro. Enquanto o restante do mundo se volta fortemente para a inflação e para os impactos das guerras, no Brasil a população se mantém focada em problemas estruturais e internos históricos, com um descolamento do panorama global.
Apenas 6% dos brasileiros se preocupam com conflitos militares. Com 47% das menções, crime e violência lideram como a “principal dor do brasileiro”, segundo a pesquisa global do Ipsos. A estabilidade do alto índice reflete o fato de que a violência e a atuação das facções criminosas, antes contidas nas capitais, se espalharam e avançaram para o interior do país.
Em pleno ano eleitoral, “corrupção política e financeira” foi o tema que mais cresceu, com 39% dos registros, alta de 11% em relação ao levantamento do ano anterior. Esse aumento foi impulsionado por escândalos noticiados envolvendo o sistema financeiro, diferentes frentes políticas e o Judiciário.
A pobreza e a desigualdade social ficam na terceira posição, com 36% dos entrevistados. Apesar de alguns índices econômicos positivos, como a queda de desemprego e crescimento do PIB, os brasileiros continuam achando o custo de vida difícil, em grande parte devido a altas taxas de endividamento e inadimplência das famílias. A saúde, com 35%, segue também como uma das prioridades e desafios que causam maior ansiedade na população.
O Ipsos ressalta que a combinação de receios internos faz com que 62% dos brasileiros acreditem que o país está caminhando na direção errada, adotando uma postura de cautela devido à ausência de sinais concretos de melhora a curto prazo.

