Investimento em laboratório de testes fortalece a inovação do setor de eletricidade - foto: Pixabay
Investimento em laboratório de testes fortalece a inovação do setor de eletricidade

Redação
Radar do Futuro

Caso as condições políticas não sofram efeitos de interferências negativas do cenário futuro, o Sul de Minas tende se consolidar como o maior centro de inovação no setor elétrico da América Latina nos próximos anos. Será o resultado da combinação entre investimentos privados e estatais. Recursos e projetos estão gerando um complexo laboratorial que vai atender à demanda da indústria elétrica e eletrônica por testes de alta-tensão, alta potência, elevação de temperatura e ensaios mecânicos, entre outros, essenciais à competitividade da indústria.

Os investidores das indústrias e do governo do Estado esperam que a estrutura esteja pronta em 2020 para o início das operações. Tendo como referência a região de Itajubá, o desenvolvimento depende do sucesso de um investimento de R$ 425 milhões que está sendo realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com financiamento do BNDES, e o governo de Minas – por meio da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), Cemig e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Testes de equipamentos como transformadores, por exemplo, de usinas como a de Belo Monte, são feitos na Europa a um custo elevado de deslocamento. A falta de laboratório de testes amplia as dificuldades dificuldades envolvidas no desenvolvimento de produtos locais. Além disso, mesmo no mercado externo a oferta desse tipo de serviço é pequena.

Geração de empregos

Olavo Machado, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), acredita que será “grande o potencial da iniciativa para a geração de negócios, emprego, renda, arrecadação tributária, além do desenvolvimento de pesquisa para a inovação e geração de soluções a serem ofertadas no mercado”. Atualmente, a produção brasileira de máquinas e equipamentos elétricos é de cerca de R$ 75 bilhões ao ano. Apesar disso, esse mercado importa grande parte dos produtos: em 2017 foram R$ 21,59 bilhões contra a exportação de apenas R$ 8 bilhões.

O projeto, foi iniciado em 2015, e já atrai o interesse de empresas do setor, especialmente estrangeiras, interessadas em se instalar nas proximidades do laboratório. Um grupo chinês já teria reservado extensa área para se instalar em Itajubá, assim como a norte-americana Siva Power, líder em tecnologia avançada de fabricação de módulos solares, que anunciou investimento de R$ 800 milhões na instalação, também na cidade, de uma fábrica de painéis fotovoltaicos, dispositivos utilizados pela indústria de geração de energia solar.

Enquanto o Senai vai investir R$ 125 milhões e buscar outros R$ 188 milhões junto ao BNDES, a Cemig e Fapemig vão disponibilizar R$ 40 milhões cada para o desenvolvimento de projetos e pesquisa. Caberá à Codemge aplicar R$ 32 milhões na construção do edifício de 60 mil metros quadrados – denominado módulo C, destinado à instalação do laboratório. De acordo com Marco Antônio Castello Branco, diretor presidente da Codemge, o prédio será construído em 30 meses. Durante 50 anos, o Senai terá um aluguel subsidiado da propriedade.

O recurso aplicado pelo governo mineiro possibilitará ganhos em infraestrutura, pesquisa e desenvolvimetno, além de potencializar a produtividade e geração de emprego e renda na região. “Dado o protagonismo que Minas tem no setor de materiais elétricos – e a região de Itajubá se mostrou relevante por sua localização e pelas universidades e núcleos de pesquisa instalados – para receber o centro de inovação na área de transformadores de alta potência, de alta-tensão, tudo ligado aos produtos que são necessários para os setores de transmissão e distribuição de eletricidade”, assinala Castello Branco.

 

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