domingo, junho 7, 2026
22.5 C
Belo Horizonte

IA: Bancários defendem empregos, ganhos com produtividade e redução da jornada

Em negociação com a Fenaban, Comando Nacional dos Bancários conquista mesa permanente para debater o tema com os bancos

Carlos Vasconcellos 
Imprensa SeebRio 

O Comando Nacional dos Bancários participou, na segunda-feira, 28 de julho, de uma rodada de negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), em São Paulo, para discutir os impactos das novas tecnologias — especialmente a Inteligência Artificial (IA) — sobre o emprego no setor bancário.

Itaú é preocupação

Gerou preocupação entre os bancários do Itaú, o lançamento do aplicativo Itaú Emps, voltado para micro e pequenos empreendedores. A nova plataforma, baseada em autosserviço e com uso de IA generativa (GenAI), busca substituir a atuação de gerentes por soluções digitais que promovem maior autonomia dos clientes.

O aplicativo, que vem sendo desenvolvido há dois anos, atende profissionais autônomos e pequenos negócios com faturamento anual entre R$ 200 mil e R$ 3 milhões. (Mais detalhes, cliqu no link abaixo desta matéria). 

Mulheres mais atingidas

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), um em cada quatro empregos será impactado, em algum grau, pela Inteligência Artificial generativa. A pesquisa também aponta que as mulheres estão duas vezes mais expostas a funções com maior risco de extinção devido ao avanço dessas tecnologias.
“Debatemos os impactos da IA, que aumentam a produtividade dos bancos e, portanto, queremos que os benefícios da tecnologia sejam revertidos em melhores condições de saúde e qualidade de vida para os bancários e bancárias, com a redução da jornada de trabalho para a escala 4×3, aumento da participação nos lucros, valorização dos salários, da PLR e de toda a remuneração variável”, afirmou o presidente do Sindicato dos Bancários do Rio, José Ferreira, que participou da reunião em São Paulo.
“A Fenaban se comprometeu a estabelecer um calendário de negociações sobre o tema. Esperamos que os bancos não fiquem apenas no discurso, mas apresentem propostas concretas que beneficiem a nossa categoria”, acrescentou Ferreira.

Mais renda, menos jornada

Durante o encontro, os representantes sindicais defenderam que os ganhos de produtividade proporcionados pelas novas tecnologias sejam compartilhados com os trabalhadores. A pauta inclui a redução da jornada de trabalho, a preservação dos empregos, a valorização da categoria e o fim do processo de pejotização no setor financeiro.
O Comando defende que a tecnologia deve ser uma aliada da qualidade de vida, da geração de empregos e do equilíbrio social — e não um instrumento de concentração de renda ou eliminação de postos de trabalho.
“O que estamos vivendo com a IA é comparável ao impacto da máquina a vapor, da eletricidade, da computação e da internet – talvez de forma ainda mais acelerada. Não é a primeira vez que o trabalho passa por transformações tecnológicas. No século XX, por exemplo, conseguimos acabar com escalas abusivas nas fábricas. Agora, é hora de discutir novamente a redução da jornada semanal, para evitar a concentração de renda e promover o bem-estar social”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

Mesa permanente

A presidenta da Federa-RJ (Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores no Ramo Financeiro do Estado do Rio de Janeiro), Adriana Nalesso, avaliou como um avanço o fato de os bancos terem aceitado a criação de uma mesa permanente para tratar do tema.
“É muito importante essa mesa permanente sobre os impactos da tecnologia e o uso da IA. O assunto é de extrema relevância, pois afeta diretamente o emprego bancário, o atendimento aos clientes e até o meio ambiente”, destacou Adriana.

Ao final do encontro, a Fenaban apresentou dados sobre o Programa Mais Mulheres na TI, uma conquista da categoria bancária na última renovação da Convenção Coletiva de Trabalho. Foram disponibilizadas 3 mil bolsas de estudo pela escola PrograMaria e 100 bolsas pela escola Laboratória, voltadas para formação em tecnologia da informação.

Edições anteriores

Ferramentas de IA aumentam vigilância e tensão no trabalho

"Muitos empregos permanecerão no futuro, mas serão mais pressionados,...

Desinformação sobre PL da Misoginia cresce nas redes, diz estudo

Levantamento identificou mais de 289 mil posts na rede...

O que fazer quando as profissões morrem?

Em reportagem da Rádio UFMG Educativa, especialistas indicam caminhos...

O alerta das montanhas sobre lentidão na resposta às mudanças climáticas

A investigação focou em como o clima e o solo filtram as espécies, definindo a identidade de cada ambiente através das características das folhas. Essas estruturas funcionam como usinas fotovoltaicas vitais para a vida no planeta, mas possuem limitações milenares.

Por que ler 1984 ajuda a entender o presente e o futuro?

Obras distópicas são, na maior parte das vezes, o...