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Futuro do trabalho: Home office será mesmo o “novo normal”?

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A pergunta que fica é: Será que nós brasileiros estamos, de fato, preparados para uma rotina de trabalho sem interação com os demais colaboradores de uma companhia?
A pergunta que fica é: Será que nós brasileiros estamos, de fato, preparados para uma rotina de trabalho sem interação com os demais colaboradores de uma companhia?

Anderson Entrielli *

A Covid-19, de fato, vem mudando a maneira com a qual nos relacionamos com as coisas. Seja no campo pessoal – com as interações cara a cara praticamente nulas, ou pelo menos para os que respeitam a quarentena; seja nas relações de consumo, quando passamos a avaliar se precisamos mesmo comprar algo; ou até mesmo na nossa relação com trabalho. Esse último, arrisco dizer, é uma incógnita ainda, tanto para o empregador quanto para o colaborador.

Do sofá, da mesa da sala, escrivaninha ou até mesmo da cama, esses são os vários cenários que estão sendo utilizados ao longo desses mais de três meses de home office forçado. Muitas empresas, como o Facebook e o Twitter, começaram a se movimentar e anunciaram medidas que permitem seus colaboradores a se aventurarem em jornadas de trabalho dentro de suas próprias casas pelo menos até o final deste ano.

No Brasil, algumas pesquisas também já exploram esse cenário. Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que 30% das companhias pretendem manter o home office mesmo após o fim da pandemia. O relatório Potencial de Teletrabalho na Pandemia: Um Retrato no Brasil e no Mundo”, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), segue a mesma linha: segundo o documento, 22, 7% das atividades serão realizadas por teletrabalho daqui pra frente, o que deve impactar, ao menos, 20 milhões de trabalhadores.

Com isto posto, a pergunta que fica é: Será que nós brasileiros estamos, de fato, preparados para uma rotina de trabalho sem interação com os demais colaboradores de uma companhia? Ou ainda, será que nós temos estrutura dentro de nossas casas para poder trabalhar nesse formato chamado de o “novo normal”?

Para responder isso, trago o case da nossa própria empresa. Uma pesquisa interna realizada por aqui indicou que 60% dos colaboradores preferem voltar ao trabalho, mesmo tendo que se deslocar via transporte público por mais de 1h30 para chegar no escritório, que fica na Vila Olímpia, do que ficar trabalhando de casa. Uma grande surpresa! Mas, por que será que tivemos esse resultado?

No nosso levantamento ficaram claros os motivos pelos quais os nossos funcionários demonstraram necessidade de voltar aos seus postos de trabalho: “minha casa é pequena e tem outras pessoas que moram/vivem comigo”, “não consigo me concentrar”, “sinto falta da interação com meu time”, “me sinto preso(a) dentro de casa”, são algumas das justificativas.

Porém, se levarmos em consideração a realidade do brasileiro, os motivos podem ser outros. Muitas pessoas não têm estrutura em suas casas para conseguir desempenhar bem suas funções, por exemplo. Segundo informado pela Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel), a demanda de banda larga nesse período de quarentena aumentou em 70% desde março. Já as reclamações de qualidade de serviço chegaram a 40%. Ou seja, nem sempre a conectividade será boa o suficiente para sustentar o teletrabalho de maneira satisfatória.

Com isso, adotar medidas de home office pode ser muito perigoso, ainda mais em um cenário como este. Sim, é claro que a cultura de diversas empresas, e nos incluímos nisso, permite que nosso time trabalhe de onde preferirem e isso é ótimo. A questão é entender se o colaborador estará satisfeito e se terá insumos para que isso seja feito de forma permanente com a mesma qualidade do que antes. Cautela é necessária nesse momento!


  • Anderson Entrielli é gerente de marketing e vendas da Takí Pay, startup credenciada do Denatran com soluções para parcelar no cartão diversos tipos de pagamentos de tributos e boletos

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