O negócio das padarias será amplamente afetado nos próximos anos por mudanças  econômicas, políticas tecnológicas e sociais, incluindo novos comportamentos dos consumidores

Carlos Teixeira
Jornalista – Tendenciólogo

Menos pães e mais alimentos diferenciados para todos os horários do dia, além da manhã e do final do dia. O futuro das padarias passa pelo fortalecimento da tendência de oferta crescente de refeições pré-prontas para consumo em casa e apoio à praticidade. Além da diversificação da oferta de produtos de qualidade gourmet e disponibilidade de espaços para convivência. 

Na formação de novo mercado do setor, há questões econômicas, de relações de trabalho, demográficas e, claro, tecnológicas. São forças capazes de alterar o modelo de negócios da atividade, uma das mais tradicionais e com maior apelo entre candidatos a investidores. Massas, pizzas, sanduíches e assados congelados ganham destaque no cenário em que os consumidores demandam cada vez mais praticidade.

Um dos fatores mais importantes a levar em conta para captar as transformações é a transição entre gerações. Os nascidos digitais, registrados a partir dos anos 1990, entram com força no mercado para mudar os rituais e as prioridades de consumo.

O ritual do pão quente, comprado pela manhã ou no início da noite, tende a ser secundário nos hábitos de alimentação dos entrantes, protagonistas centrais dos mercados de trabalho e de consumo. Mas há, na transição, um aspecto positivo. Os pais e avós das novas gerações, os baby-boomers, nascidos nas décadas de 1950 e 1960, estão acelerando os pedidos de aposentadoria. E para esses, especialmente, o culto ao pão nosso de cada dia permanece.

Encasulamento

Ao contrário do que diz o discurso frágil de políticos e analistas econômicos, os próximos anos não serão de recuperação do ambiente interno brasileiro. Entre outras razões, porque o cenário atual não está sendo determinado apenas por questões de uma conjuntura instável. Há, em especial, mudanças geradas pela revolução digital. Mais conhecida por quarta revolução industrial. Vivemos um momento de transição de modelos de produção e de vida.

Por exemplo, as pessoas terão menos empregos, mesmo que garantam o acesso a trabalhos, capazes de garantir a sobrevivência. Praticidade e baixo custo serão palavras-chave para o comportamento do consumo de todas as gerações.

Novos e antigos estarão preferindo viver um processo de encasulamento. É a tendência de ficar em casa, usufruindo do desejo de construir ninhos confortáveis e capazes de nos proteger das realidade difíceis e imprevisíveis do mundo externo. Consumidores vão aderir à compra dos produtos para finalização em casa quando quiserem, sem a necessidade de consumo imediato. 

Congelamento

A demanda por produtos congelados e fracionados, com redução da quantidade disponível nos pacotes, tende a ser crescente. Atenderá melhor as famílias menores, os clientes que moram sozinhos e, em especial, novas categorias de trabalhadores que estarão trabalhando em casa.

Na verdade, a padaria deverá ter a oferta de produtos para a fome de qualquer hora. Também, alternativas de alimentos super frescos, para os momentos em que o mesmo consumidor sai de casa em busca de contatos humanos e de rituais de alimentação.

A evolução das casas inteligentes, graças às tecnologias de inteligência artificial e de internet das coisas, vai possibilitar ao consumidor controlar o processo de produção dos horários de alimentação individual e familiar. Imagine a situação: a “casa” identifica que você está a 10 minutos de casa e inicia o preparo de um alimento, que pode até ser um pão especial, para quando você chegar em casa. 

Forças do futuro

  • Encasulamento
  • Trabalho em casa
  • Prazer das recompensas  
  • Praticidade acima de tudo
  • Internet das coisas

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