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A força do eleitorado idoso nas eleições de 2018

A população idosa precisa se organizar para participar da eleição de outubro e fazer valer sua força numérica, apresentando suas demandas na área de saúde, previdência, trabalho, moradia, lazer etc
A população idosa precisa se organizar para participar da eleição de outubro e fazer valer sua força numérica, apresentando suas demandas na área de saúde, previdência, trabalho, moradia, lazer etc

José Eustáquio Diniz Alves
José Eustáquio Diniz Alves

O eleitorado grisalho será decisivo nas eleições gerais de 2018 no Brasil. Pela primeira vez na história, o montante de idosos de 60 anos e mais de idade, aptos a votar, será, significativamente, maior do que o montante de jovens de 16 a 24 anos e pode ser o fiel da balança nas eleições presidenciais, assim como nas eleições para governadores, senadores e deputados federais e estaduais.

Nas primeiras eleições presidenciais do século XXI, em 2002, havia 24,5 milhões de jovens (16-24 anos) aptos a votar, o que representava 21,2% do eleitorado, contra 15,2 milhões de idosos (60 anos e mais), o que representava 13,2% do eleitorado. Portanto, os eleitores jovens superavam os idosos em quase 10 milhões de indivíduos.

Nas eleições seguintes, o número de jovens foi caindo e o de idosos foi aumentando gradualmente. Nas últimas eleições presidenciais, em 2014, houve um empate técnico (com uma ligeira vantagem dos idosos). O número de jovens caiu para 23 milhões, o que representava 16,1% do eleitorado, enquanto o número dos idosos subiu para 24,3 milhões, representando 17% do eleitorado.

Mas a liderança grisalha fica mais evidente nas eleições gerais de 2018. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral, de março deste ano, indicam 22,3 milhões de jovens aptos a votar (representando 15,3% do eleitorado) e 27,3 milhões de idosos (representando 18,6% do eleitorado). Portanto, o número de idosos aptos a votar superará em 5 milhões o número de jovens, em outubro de 2018. Mas isto é só o começo, pois a força eleitoral dos idosos vai crescer muito ao longo do século XXI.

O eleitorado idoso (60 anos e mais) se igualou com o eleitorado jovem (16 a 24 anos) em 2013. Fazendo uma projeção para as próximas décadas, estima-se que os idosos com 42 milhões de eleitores serão o dobro dos jovens com 21 milhões de eleitores em 2030. Os idosos, com 60 milhões de eleitores serão o triplo dos 20 milhões de jovens em 2043. A vantagem da população grisalha continuará se ampliando ao longo do século e os idosos com 72 milhões de pessoas, em 2058, devem ter um montante 4 vezes maior do que os 18 milhões de jovens aptos a votar.

Cabe ressaltar que o poderio eleitoral do total de idosos vai ser acompanhado pelo poderio das mulheres idosas, pois estas serão entre 55% e 56% do eleitorado em meados do atual século. Portanto, só as mulheres idosas da década de 2050 serão duas vezes maior do que todo o eleitorado jovem de 16 a 24 anos. Assim, as mulheres com mais de 60 anos terão uma força extraordinária na medida em que o processo de envelhecimento populacional se aprofundar.

O poder do voto dos idosos, que é crescente em nível nacional, fica ainda mais evidente em dois dos grandes estados da região Sudeste. Em São Paulo, em 2002, o número de jovens aptos a votar era de 5 milhões (19,6% do total) e de idosos 3,3 milhões (12,7% do total). Em 2010, houve praticamente um empate. Em 2014, os idosos já superavam, significativamente, os jovens. Em 2018, o número de jovens aptos a votar estava em 4,5 milhões em março de 2018, o que representa 13,6% do eleitorado, enquanto o número de idosos chegou a 6,6 milhões, representando 20% do eleitorado total.

No Rio de Janeiro, em 2002, os jovens com 1,7 milhões de eleitores (16,9% do total) superavam os idosos com 1,6 milhões (15,9%). Nos demais anos, os idosos fluminenses já superavam os jovens, sendo que, em 2018, já são 2,9 milhões de idosos (23,1% do total) contra apenas 1,6 milhões de jovens (13,2%). Os idosos do Rio de Janeiro superam os jovens em 10% do eleitorado, a maior diferença entre todas as Unidades da Federação.

Na população brasileira, em 2018, os idosos (com 60 anos e mais de idade) representam 13% do total. Porém, entre o eleitorado, o percentual de idosos é de 18,6% do total de eleitores. Os jovens de 16 a 24 anos são 14,7% da população total do Brasil, em 2018, e são 15,3% do total de eleitores. Portanto, proporcionalmente, os idosos estão mais sobre-representados no eleitorado.

Isto configura um poder político significativo no presente. Numa eleição muito disputada, como deve ser o pleito de 2018, o voto grisalho pode decidir a eleição. Evidentemente, a população idosa precisa se organizar para participar da eleição de outubro e fazer valer sua força numérica, apresentando suas demandas na área de saúde, previdência, trabalho, moradia, lazer, etc.

Caberá aos candidatos e candidatas apresentar propostas para colocar o país no eixo e para revelar soluções criativas que garantam o bem-estar geral do povo brasileiro e o bem-estar da geração que já contribuiu com o avanço socioeconômico do país e muito ainda tem a usufruir e a contribuir.

José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE
E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

 

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