agua torneira foto   onuA crise de afetará mais de um bilhão de pessoas que atuam no setor agrícola

Redação
Radar do Futuro

A crise global do abastecimento de água, esperada por organismos internacionais para os próximos dez anos, pode ter impactos sobre o mercado de trabalho, com a eliminação de milhões de postos de trabalho. No sistema produtivo atual, quase a metade dos trabalhadores do mundo, cerca de 1,5 bilhão, exerce funções em setores relacionados com o uso do recurso natural.

Segundo relatório apresentado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), como atividade vinculada ao Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, a agricultura, ou seja, a produção de alimentos, é o setor mais vulnerável. A disponibilidade do recurso vital e os efeitos agudos de secas e inundações terão impacto direto sobre a vida de mais de um bilhão de pessoas que atuam no setor agrícola.

Quinto maior fornecedor mundial de alimentos, o Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, teve perdas de 2,2 bilhões de dólares, ou 3,8% da produção da agricultura em 2014, como efeito das secas registradas na região. Segundo artigo publicado por Alex Mung, chefe da Iniciativa para a Água, no site do WEF, cenário ainda mais extremo foi registrado no estado indiano de Maharasthra, onde mais de 3 mil agricultores cometeram suicídio em 2015. Entre as diferentes causas para o fenômeno, estão os eventos climáticos extremos que devastaram culturas e colheitas.

Fonte: Forum Economico Mundial

Image: Programa de Avaliação Mundial da Água

A redução da oferta e da qualidade da água atinge, também, setores como a indústria, que se depara com riscos crescentes. Empresas que enfrentam escassez do líquido estão reavaliando seus planos estratégicos, potencial de crescimento, e as decisões de investimento, colocam em risco postos de trabalho existentes ou a criação de novas oportunidades.

No Chile, um exemplo recente envolveu a construção de uma grande mina de ouro, prata e cobre. O projeto foi suspenso indefinidamente pela empresa, obrigada a construir infra-estruturas de gestão da água, por causa de preocupações com a poluição do lençol freático local.

Enquanto isso, na África, a SABMiller, empresa líder global de cerveja, declarou publicamente que, embora existam alvos importantes para a expansão no continente, em países como a Nigéria e Zâmbia, os mercados também são considerados de alto risco por causa da disponibilidade de água.

Conexões

Mais e mais setores econômicos estão fazendo a conexão com o risco envolvidos na oferta de água, enquanto a sociedade concentra atenções no papel da agricultura e da indústria, especialmente os setores de bens de consumo, energia e extrativos. Segundo um estudo que analisou os impactos do estresse e escassez hídricos do turismo na região da Ásia-Pacífico, cerca de 500 milhões de turistas visitaram a região em 2014. Os turistas geram demanda extra de água em uma região onde 75% dos países já enfrentam algum tipo de problema.

A oferta insuficiente, de baixa confiança e de má qualidade vai limitar o crescimento e ou impedir o turismo de mercados existentes. Um impacto significativo para uma setor que contribuiu com aproximadamente 10% do PIB mundial em 2015, e que garante trabalho para 284 milhões de pessoas no mercado.

Também a área de saúde humana tende a sofrer impactos críticos, assinala o estudo do Fórum Econômico Mundial. Pelo menos 1,8 bilhão de pessoas em todo o mundo tem acesso a água de baixa qualidade ou contaminada, resultando em doenças. Para os empregados no mercado de trabalho, o fato se traduz em tempo fora do trabalho e perda de produtividade. De acordo com um recente relatório do PNUMA, mais de metade dos leitos hospitalares do mundo são ocupados por pessoas que sofrem de doenças relacionadas com a água.

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