O mundo dos negócios valoriza, e vai continuar valorizando, o estatístico, que analisa dados e gera informações estratégicas para processos de tomada de decisões - Foto: Pixabay
Perspectivas para 2021 Foto: Pixabaty

A entrevista abaixo o analista financeiro Rodrigo Cohen avalia as perspectivas deste ano. Confira abaixo:

Quais as perspectivas para 2021? Será melhor, será igual ou pior?

Quando falamos sobre o que esperar de um ano novo, existem as pessoas pessimistas, que enxergam o lado mais vazio do copo, e as otimistas, como eu, que prefiro olhar o lado positivo. Para mim, o que podemos esperar para 2021 é um ano melhor. Inclusive, 2020 não foi um ano ruim, muito pelo contrário. Foi um ano muito bom, na minha opinião, tirando, obviamente, o lado dos óbitos, do desemprego, da quarentena e de todos os outros motivos em virtude da pandemia, que são pontos negativos, mas que poderiam ter acontecido em qualquer outro ano, como estudos mesmo apontam.

2021 vai ser o ano para colocar em prática tudo o que aprendemos em 2020, ou seja, um ano muito melhor, nem igual e muito menos pior que o anterior. Fomos obrigados a nos reinventar neste ano e muitas pessoas conseguiram fazer isso de forma rápida, como eu mesmo, que trabalho no mercado digital há anos. 2020 foi o ano do Mercado Digital e quem não trabalhava com isso foi obrigado a se adaptar e a pandemia veio para acelerar ainda mais esse processo.

Quando se fala de mercado e de economia, um dos maiores termômetros em qualquer país é a Bolsa de Valores. A dos EUA já subiu muito, voltou ao patamar pré-crise e, inclusive, já até o rompeu, atingindo as máximas históricas. Quem, em 2020, poderia dizer, em março/abril – pico da crise -, que no final do ano os EUA já teria superado a crise e ainda teria sua Bolsa muito mais valorizada do que antes da pandemia? Isso mostra expectativas positivas diante de um momento de incertezas no mundo todo, especialmente em relação às eleições nos EUA, que inclusive já foram decididas. E não importa quem venceu, pois a Bolsa seguiu subindo com a vitória de Joe Biden. Isso também traz uma estabilidade maior pro mundo e pro Brasil, consequentemente.

No Brasil, temos um certo nível de aceleração das aprovações de reforma e a confiança do governo tem aumentado, independente do lado político, e isso traz a confiança do investidor estrangeiro, que é quem movimenta grande parte da nossa economia, gerando empregos e renda, fazendo com que a nossa Bolsa de Valores também tenha voltado para o patamar pré-crise e já está quase rompendo a da época do Carnaval. Estamos nos recuperando e, com certeza, 2021 tem grandes chances de ser melhor que 2020 já foi.

Quais estratégias de atuação no cenário?

Para mim, estratégias de atuação, em qualquer cenário, é você estar em constante reinvenção de si próprio, se adaptar e estar antenado com tudo o que está acontecendo, em termos de tecnologia, da sua área de trabalho. É necessário ser um verdadeiro camaleão e se adaptar a qualquer situação, a fim de se manter no mercado.
Nós tivemos uma grande oportunidade de se adaptar no que diz respeito à tecnologia, que está presente em tudo na nossa vida. O mercado e o mundo foram os mais rápidos nesses últimos tempos e a tendência é que as mudanças sejam cada dia mais rápidas. É necessário estar sempre antenado e em constante adaptação a elas. Para você se manter vivo, é obrigatório que isso aconteça e que use as mudanças e adversidades não para ter medo e cair, mas para te dar ainda mais força e impulso para ir atrás de seus objetivos.

Quais tecnologias devem impactar suas atividades? E quais as mudanças de comportamento dos consumidores?

Hoje em dia, o mundo online está cada vez mais forte. Temos o e-learning (o EAD, no Brasil), entretenimento online (serviços de streaming de vídeos), compras online, que cada vez mais cresceram durante a pandemia, especialmente na Black Friday deste ano. Empresas como a Magazine Luiza e Via Varejo, por exemplo, que já são gigantes do e-commerce aqui no Brasil, tiveram suas ações muito valorizadas em 2020, mesmo com a pandemia, a quarentena, a queda do nível salarial das pessoas e o desemprego recorde no país, o que mostra a evidente tendência de que as pessoas devem se adaptar e criar cada vez mais possibilidades de trabalhar online.

Para mim mesmo, que trabalho há anos no mercado digital, pouca coisa mudou diante do atual cenário, eu brinco que estava em quarentena há anos sem saber, pois essa já é a minha realidade, muitas vezes eu mal saía na rua. As pessoas precisam saber que isso é uma realidade e que algumas empresas, inclusive bancos, corretoras e instituições em geral, permitiram que os seus colaboradores trabalhassem de casa, foi criada toda uma estrutura para isso e muitos nem vão voltar ao que era antes.

Com certeza, o encontro presencial é muito importante, mas é preciso também estar preparado para o mundo online e, cada vez mais, as empresas irão adotar essa política, pois para elas mesmas isso é vantajoso. Eu tenho uma empresa que hoje possui 25 colaboradores, todos trabalhando de casa, online e os custos são muito menores do que se eu tivesse despesas com locação para esses funcionários e outras despesas inerentes ao negócio. As empresas de e-commerce também têm essa vantagem de não precisar de vendedores e equipes para vendas presenciais.

É claro que o mundo online está cada vez mais forte, o que não quer dizer que o mundo presencial/físico irá acabar, mas é importante todos ficarmos de olho nessa tendência cada vez mais em ascendência.

Em relação às mudanças de comportamento dos consumidores, é evidente que, cada vez mais, ele irá fazer pedidos online, pelo celular, seja por aplicativos de pedidos online de comida e/ou mercado, ou mesmo outras empresas de e-commerce, que vem recebendo cada vez mais pedidos via aplicativo. É preciso, como eu disse, estar cada vez mais preparado para isso.

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