A redução de preços e os avanços das tecnologias vão assegurar boas oportunidades para os profissionais. Foto: Pixabay
A redução de preços e os avanços das tecnologias vão assegurar boas oportunidades para os profissionais. Foto: Pixabay

Carlos Teixeira
Radar do Futuro

Já nos primeiros anos da próxima década, fazendas em cantos isolados do Brasil serão capazes de produzir a própria energia e garantir o funcionamento de todo o processo de produção sem a necessidade de comprar a eletricidade de concessionárias. Das residências do proprietário e dos trabalhadores, passando pelas máquinas de moagem ou embalagem, e pelo abastecimento de tratores e colheitadeiras, a autossuficiência no abastecimento tende a ser regra graças à integração de diferentes fontes. Da energia solar, com uso de baterias altamente potentes, até o aproveitamento de biomassa.

No cenário desse futuro de curto prazo, a engenharia de energia, um campo relativamente recente entre as profissões das ciências exatas, tende a ser especialmente beneficiada pelo cenário de busca por fontes alternativas e pela expansão da demanda interna. Exemplo da força da atividade, de 2018 a 2020, a produção de microgeradoras crescerá três vezes. E até 2024 o crescimento será de cerca cinco vezes, alcançando 900 mil unidades independentes de geração, segundo projeções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Mercado atual

No cenário favorável ao engenheiro de energia, o Brasil ocupa o segundo lugar entre os países que mais empregam trabalhadores em segmentos de produtores de energia renovável. Enquanto a China, líder no ranking, tem 4,1 milhões de empregados, o mercado brasileiro contabiliza 1,1 milhão de trabalhadores. É o resultado de investimentos e do uso crescente das novas fontes de energia, entre elas eólica, solar, de biomassa e das ondas do mar.

O mercado de trabalho vive o momento de transição em que o desenvolvimento de tecnologias de produção, armazenamento e distribuição de eletricidade possibilitam a empresas e à população reduzir a dependência ou deixar de ser atendida exclusivamente por alguns poucos fornecedores, como as concessionárias estaduais. A matriz energética já ganha, hoje, um perfil variado, com o desenvolvimento das fontes renováveis, como hídrica, solar, eólica ou biomassa.

Perspectivas

A engenharia de energia tende a ter mais oportunidades de trabalho do que a maior parte das áreas tradicionais do setor. Entre as forças que jogam à favor da especialidade na próxima década, a evolução das matrizes energéticas limpas merece destaque, as fontes renováveis, em substituição ou complementação às tradicionais. Até mesmo a crise climática conspira a favor do processo de substituição de fontes fósseis.

Juntos, biomassa, eólica e solar devem reunir 28% do parque gerador brasileiro em 2025. De acordo com o relatório anual da empresa de pesquisa Bloomberg New Energy Finance (BNEF), o New Energy Outlook 2019 (Panorama da Nova Energia 2019), em 30 anos, as fontes limpas de energia serão as líderes do mix elétrico mundial. Segundo o estudo, as energias solar e eólica continuarão como líderes das novas capacidades instaladas, até responderem por 48% da geração mundial em 2050.

A tendência, diz o estudo, é consequência da contínua queda dos custos dessas tecnologias, que já são mais baratas em dois terços do mundo. A BNEF estima que as renováveis respondam por 77% dos US$ 13,3 trilhões de investimentos feitos em geração elétrica no mundo até 2050, os quais elevarão a capacidade mundial em 12 Terawatts (TW).

Até lá, as fontes intermitentes serão sustentadas pelas baterias de armazenamento, substituindo os combustíveis fósseis, como o carvão, que perderá maior participação mundial. Segundo o estudo, esse combustível passará dos atuais 37% para apenas 12% até 2050.

A ascensão dos carros elétricos nos próximos anos deve demandar 2.700 TWh de nova capacidade de energia ou 8% de toda a demanda em 2040, empurrando os custos da baterias para uma queda de 76% até 2040. Essa necessidade de energia para suprir o aumento de uma frota mundial mais limpa deverá ser compensada, em parte, pelo aumento da eficiência no uso de energia nos próximos anos, segundo estudo do BNEF.

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