robosindustriais1Especialistas perguntam se o sistema de produção terá empresas sem trabalhadores assalariados

Carlos Teixeira
Jornalista I Futurista

Nos primeiros anos da próxima década, o mundo acompanhará a abertura de empresas dotadas de produção “sem humanos” — serão as “human free”. Duvida? Na área têxtil já existem algumas experiências em um rumo parecido. Quando a produtora chinesa de vestuário Tianyuan Garments Company inaugurar a sua fábrica, em 2018, em vez de costureiras, as linhas de produção serão preenchidas com robôs autônomos –, supervisionados por humanos.

Graças à automação, integrada à internet, presente em qualquer objeto ou lugar, tudo funcionará, em algumas corporações da nova revolução industrial, à base de equipamentos comandados por inteligência artificial. Da venda à recepção do pedido e de matérias-primas, passando pela produção e remessa para o comprador, nenhuma atividade vai demandar a presença de um trabalhador assalariado.

Um estudo do Gartner, instituto especializado em estudos sobre o mercado de tecnologia da informação, reforça a previsão. Consultores traçam um quadro sombrio, segundo definição deles mesmos, dos avanços e impactos da automação sobre o mercado de trabalho.

O instituto constata que há, hoje, um movimento acelerado de adoção das inovações capazes de substituir mão de obra humana nos postos de trabalho. “O impacto da redução do trabalho irá causar agitação social e uma busca por novos modelos de produção em diversas economias maduras”, assinala o Gartner.

Os dados sobre desemprego no mundo tendem a confirmar as previsões dos pessimistas. A recuperaçao dos países desenvolvidos, em crise desde 2008, não está baseada propriamente no aumento da quantidade, muito menos qualidade, de empregos, mas na expectativa de controle de contas públicas. Na Itália, Grécia e Espanha mais de 50% da população abaixo de 25 anos permanece desempregada.

Nos Estados Unidos, o desemprego é menor e tende a cair. Mas é perceptível o aumento da concentração de renda e os sinais de pobreza em expansão. Aliás, empresas que mostram disposição de voltar com suas unidades industriais para o país, como uma tendência vinculada ao resgate do “made in usa”, estão mais interessadas em implantar novas fábricas modernas do que em contribuir para o fortalecimento do mercado de trabalho interno.

Otimismo

Há quem veja o futuro do mercado de trabalho com outro estado de espírito, com mais boa vontade e espírito aberto à abertura de previsões positivas. São os especialistas que acreditam na possibilidade de compensação natural do sistema produtivo, no processo de eliminação de funções. Em síntese, dizem os otimistas, profissões extintas são substituídas por outras.

Carl Frey e Michael Osborne, pesquisadores da Universidade de Oxford desenvolveram um trabalho em que identificam o potencial de sobrevivência ou morte de atividades. Mais exatamente, metade dos empregos atuais nos Estados Unidos pode ser automatizado em uma ou duas décadas. Além de gerar uma lista de 700 profissões, com a projeção de probabilidade de sobrevivência, os pesquisadores deram contribuição importante para quem tem dúvidas sobre o futuro. Eles apontam critérios de análise.

O primeiro indicador a considerar é o da rotina. Atividades repetitivas em fábricas, apoio administrativo, burocracia, vendas e transportes, tendem a ser eliminadas. A lista inclui caixas, balconistas, operadores de telemarketing, costura e bibliotecários. No sentido contrário, as profissões com maior chance de sobrevivência são aquelas que dependem de criatividade e sociabilidade. Jornalistas, por exemplo, continuarão sobrevivendo enquanto atividade intelectual, que exige interação humana e percepção. Mas a previsão do clima pode ser automatizada com o uso de algorítmos.