Precisamos acessar o potencial humano criativo e reinventarmos nossas vidas. Foto: Pixabay
Precisamos acessar o potencial humano criativo e reinventarmos nossas vidas. Foto: Pixabay

Rosa Alegria
Futurista

O futuro está mais perto do que podemos imaginar. A crescente velocidade das convergências tecnológicas somada aos mais de 3 bilhões de pessoas ocupando o planeta até 2050 aponta para uma eliminação de profissões e empregos jamais vista na história.

A inteligência artificial, a biologia sintética, a robótica e outras formas de automação, além da dinâmica populacional, irão mudar o futuro do trabalho. Temos duas escolhas: esperar por nos tornarmos uma civilização inútil, tal qual o escritor Yuval Harari pressupõe, ou aproveitar a transferência de funções que as máquinas irão assumir para nos libertar do trabalho hostil e sacrificante. Oportunidade rara de criarmos novos estilos de vida, mais criativos, prazerosos, humanizados.

Temos duas décadas adiante antes que a inteligência artificial comece a ser instalada em todo o mundo. Por isso, precisamos pensar a longo prazo e tomar ações imediatas, porque as mudanças em torno desse fenômeno (desastrosas ou aliviadoras) poderão levar também duas décadas.

Futuristas que como eu, trabalham com horizontes de planejamento de longo alcance, estimulam pessoas e organizações a olharem para o futuro e mudarem o presente.

Estamos diante de perigos inevitáveis: concentração de riqueza aumentando; crescente exclusão social; a economia crescente com o emprego decrescente; o retorno sobre o investimento em capital e tecnologia rendendo mais do que o investimento em trabalho; as máquinas substituindo humanos; desemprego estrutural de longo prazo como um cenário tendencial.

De acordo com o Banco Mundial, 1 bilhão de pessoas entrará no mercado de trabalho ao longo dos próximos 10 anos, ao mesmo tempo em que 2 bilhões de empregos serão eliminados em 2030.

Então o que fazer para responder a essa revolução sem precedentes?

Antes que a perplexidade congele o potencial transformador que ainda existe em todos os setores da sociedade, é preciso evitar desde já um provável flagelo econômico e acessar o potencial humano criativo (ainda pouco explorado) e reinventarmos nossas vidas.

Para tentar trazer respostas criativas a esse futuro que se aproxima, o Projeto Millennium rede global de pesquisadores futuristas, desenvolveu o estudo “Trabalho/Tecnologia 2050” que difere dos outros: apresenta mais soluções do que problemas.

Através de uma inteligência coletiva com especialistas em diferentes áreas envolvendo 45 países, entre eles o Brasil, aqui algumas das centenas de estratégias que iluminam nossos caminhos e despertam para a ação imediata: rever o conceito de trabalho mediante a aplicação da renda básica universal, popularizar a ciência e a tecnologia, criar um novo contrato social que se paute nos direitos dos trabalhadores em uma economia transacional e global, sistemas de educação que favoreçam habilidades sobre profissões, assim como ensinar o passado, ensinar também o futuro para as novas gerações.

Não existe receita mágica para mudar essa realidade. O que existe é a capacidade infinita que os seres humanos têm de sonhar e tangibilizar futuros que redefinam o trabalho pelo prazer e não pelo dever.

Rosa Alegria. CEO do Projeto Millennium no Brasil

Esse artigo foi originalmente publicado pelo Jornal Zero Hora em celebração ao Dia do Trabalho

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