Vivemos o momento de transição entre o modelo da revolução industrial e a produção da era da informação

 

As modificações recentes nas leis trabalhistas brasileiras, destinadas a abrir as portas para processos indiscriminados de terceirização, coincidem com um momento especialmente preocupante para o cenário do mercado de trabalho. Na verdade, em todo o mundo há motivos para tensões, que serão crescentes. Nem empresários escaparão das dificuldades previstas para a frente. A flexibilização na legislação brasileira é mais uma entre várias fontes de preocupações acrescidas ao repertório de acontecimentos negativos para o ambiente global das atividades de produção.

O aprofundamento das discussões sobre ameaças e oportunidades para a sociedade deveria ser um objetivo da sociedade diante das perspectivas de crise. O mercado vive o momento de transição entre o modelo da revolução industrial e a consolidação da estrutura de produção da era da informação. Não é uma simples coincidência o fato de que, no início deste ano, duas instituições de peso emitiram alertas sobre a gravidade da situação futura do desemprego.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, defendeu uma ação consensual para evitar que a “nova mediocridade da economia se converta na nova realidade”, depois de criticar um “crescimento mundial simplesmente insuficiente”, com efeitos altamente negativos sobre o emprego. No Panamá, o diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, alertava que a América Latina tem que se preparar para um “aumento do desemprego” nos próximos anos e que o mundo enfrenta uma “crise global de emprego”.

Antes de um encontro de autoridades nos Estados Unidos, Lagarde revelou o temor de que o crescimento econômico insuficiente pode se tornar na tal “nova realidade”, deixando milhões sem empregos e aumentando os riscos à estabilidade financeira global. Não é a primeira vez que ela toca no assunto. Em outubro de 2014, ela já demonstrava o receio de que a economia global poderia ficar presa na nova trajetória de crescimento “medíocre” com desemprego e endividamento altos, a menos que as autoridades tomassem medidas.

Ainda em abril, o Fundo Monetário Internacional divulgou um relatório que define um quadro de crescimento global, neste ano, similar ao do ano passado, embora seja ligeiramente melhor para economias avançadas e um pouco pior para mercados emergentes. Porém, o fim da crise global iniciada em 2008 não está tão próximo, como a própria Lagarde, governantes e especialistas econômicos gostariam de anunciar.

A Europa está travada, assim como o Japão. O desemprego entre jovens é enorme. A China reduziu as compras pelo mundo e revê taxas de crescimento. E os Estados Unidos não conseguem mostrar tendência firme de recuperação. Para cada resultado positivo anunciado, há um outro negativo. Até a qualidade dos empregos gerados nos EUA sofre questionamento. “A economia mundial corre o risco de ficar presa em dívida pesada e alta taxa de desemprego”, avalia Christine Lagarde.

Emergentes – “A desaceleração econômica nos países da América Latina e do Caribe terá impacto sobre o mercado de trabalho, podendo gerar aumento do desemprego e da informalidade”, afirmou o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, durante a 7ª Cúpula das Américas, no Panamá. Para reduzir esse impacto, ele defende a necessidade de empreender um processo de transformação produtiva que gere empregos. “Depois de quase uma década de avanços significativos, durante os quais o desemprego regional caiu para taxas mínimas históricas, agora temos de nos preparar para um aumento nos próximos anos”, disse Ryder.

Segundo a OIT, a taxa média de desemprego urbano na América Latina e no Caribe caiu de 11% para 6,1% nos últimos dez anos. A previsão para 2015, no entanto, com a continuidade do crescimento econômico lento, é de reversão do comportamento da oferta de vagas. “Temos que encontrar outros modelos de desenvolvimento que gerem mais e melhores empregos para todos”, disse Ryder se referindo aos países da América Latina e do Caribe. Segundo ele, é preciso diversificar o modelo de produção e incluir mais pessoas e empresas nos frutos do crescimento econômico. Somente para absorver os jovens que entrarão no mercado de trabalho, será preciso criar 50 milhões de empregos na região”, destacou o diretor-geral da OIT.

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