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Tasso Lago*

Doze anos após o nascimento das criptomoedas, os bancos estão incluindo as moedas digitais no rol de investimentos. Esse movimento, que responde à uma demanda originada da parte dos investidores, reforça a credibilidade do mercado de cripto e aumenta o interesse pelas moedas digitais.

Pay Pal, VISA e Tesla movimentaram o cenário de moedas digitais nos últimos dias, colaborando para uma alta de 9,17 % no mercado. O fato de as empresas investirem nesse mercado, permitindo ao cliente não só ganhar criptomoedas, mas também gastá-las dentro do próprio ecossistema, traz um hype para a tecnologia e agrega valor às organizações pela inovação. Há uma demanda de pessoas querendo usar criptomoedas como forma de pagamento. Por isso, as empresas estão criando o meio de campo para aproveitar a euforia de mercado.

É um movimento positivo e que faz sentido para o mercado financeiro por ser uma resposta a um apelo do público. Há poucos anos, era difícil imaginar o cenário atual e, certamente, alguns ainda questionam a realidade desse mercado, devido à trajetória da moeda digital.

Originalmente, o Bitcoin era negociado nas ruas, no mercado peer to peer, de pessoa para pessoa. Alguns, inclusive, ficavam na famosa Wall Street para negociar. O sistema foi crescendo e, em 2017, o Bitcoin foi listado na bolsa de Chicago, levando o mercado amador a atingir seu ápice, sendo um ponto de inflexão para se tornar um mercado profissional. Conforme o sistema foi crescendo, também passou por alguns escândalos, como o da deepweb, onde Bitcoins foram utilizadas para comprar armas e drogas por acharem que a moeda digital não era rastreada.

O caso serviu para provar o contrário, mostrando que a blockchain funciona como um livro contábil, que registra entrada e saída de fluxo, ou seja, não é possível apagar ou propinar na rede. Atualmente, já se sabe que a rede aprende rapidamente: se vê alguma criptomoeda com boa tecnologia e funcionamento, a blockchain implementa o mecanismo para melhorar o sistema; da mesma forma, se encontra uma moeda digital com desempenho ruim (seja pela tecnologia ou pela performance), consegue identificar o erro e trabalhar para que não ocorra mais.

Além da segurança proveniente da rede criptografada, o Bitcoin é um artigo deflacionário, ou seja, existirão somente 21 milhões de unidades no mundo (atingindo esse número, não será mais impresso). Hoje, estamos em 18,6 milhões de unidades emitidas e, cada vez mais, a demanda pela compra aumenta e a oferta diminui, agregando valor à moeda proporcionalmente. O Bitcoin teve crescimento de 480,04% entre outubro de 2020 e março de 2021. Atualmente, um Bitcoin equivale a R$ 337.863,27.

Vejo claramente que a tendência de ser um investimento positivo nos próximos dez anos é real. Daqui a cinco anos, esse mercado será ainda maior. Estamos em um ciclo de alta, que mais cedo ou mais tarde, sofrerá correção – ação normal em qualquer bolsa de valor no mundo, mas ainda assim, a tendência segue de alta.

Já temos ETF’s de moedas digitais, por exemplo, que facilitam a entrada de capital para o investidor leigo, permitindo-o de comprar um ticket na bolsa de valores que investirá passivamente em criptomoedas para ele (isso ocorre na bolsa de Nasdaq, na bolsa brasileira e em várias outras pelo mundo). Estamos vendo também muitas criptos chegando ao universo digital para solucionar dores do mercado tradicional. Um exemplo é o mercado de finanças descentralizadas em que a DeFi atua.

Ela possibilita que um investidor pequeno tenha acesso a investimentos antes disponíveis apenas aos grandes. Isso ocorre porque, via blockchain, é possível um aporte por ticket menor. Outra inovação das criptomoedas é a opção de monetizar através do STO, Security Token Ofering. Através da ferramenta, é possível atrair investidores com interesse em um projeto seu. Digamos que tenho um terreno em Ilhabela, no valor de R$ 10 milhões e quero construir um condomínio no local, mas não tenho caixa para isso.

Divulgo o projeto explicando o valor para a construção e mostro a projeção de valorização em R$ 40 milhões. Depois, faço tokens do projeto para chamar atenção de investidores decididos a aportar no projeto. Isso seria impossível de fazer se dependesse de um IPO, por exemplo, pois o custo desse próprio instrumento é de muitos milhões de dólares. Com o STO, um investidor ou empresário pequeno consegue se monetizar sem precisar ter um montante alto para tal.

O crescimento do mercado é, portanto, promissor, e por isso pede uma convergência entre tradicional e digital por parte das organizações para expandir as possibilidades do universo cripto. Sobre a volatilidade, que costuma assustar muitos curiosos em relação às moedas digitais, destaco que existem alternativas, afinal, são mais de 8 mil criptomoedas atualmente. Algumas criptomoedas não são voláteis, como as chamadas stablecoins, por exemplo, que por serem pareadas com o dólar e o euro, podem ser utilizadas como meio de pagamento.


*Especialista em criptomoedas e fundador da Financial Move.

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