Como o adiamento da tecnologia 5g impacta planos da TI

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Os brasileiros ainda devem esperar um tempo até receber os benefícios das conexões 5G. Ilustração: Pixabay
Os brasileiros ainda devem esperar um tempo até receber os benefícios das conexões 5G. Ilustração: Pixabay

Carlos Teixeira
Jornalista I Radar do Futuro

Em julho deste ano, do outro lado do mundo para nós brasileiros, os japoneses farão demonstrações explícitas do potencial das novas ondas tecnológicas, favorecidas, em especial, pela quinta geração da internet, as redes 5G. As Olimpíadas de Tóquio 2020 serão um prenúncio do que vem na próxima década, com conexão 5G, realidade virtual e pré-evento de e-Sports, um evento prévio de esportes eletrônicos.

O acesso a maiores velocidades possibilitarão uma nova experiência de transmissão. A começar pelo aumento do volume de transmissões feitas por streaming, concorrendo diretamente com as televisões. Os públicos estarão, mais do que nunca, imersos no processo de difusão.  Os estádios serão equipados com câmeras que conseguem escanear cada atleta em tempo real. Isso para as emissoras criarem melhores análises. Assim, poderão aperfeiçoar estatísticas e informar as condições físicas dos competidores diretamente nas transmissões.

Para o brasileiro, pode ser frustrante saber que algumas das novidades propiciadas pela aceleração tecnológica vão demorar algum tempo a mais para chegar ao País. O cenário é de postergação da implantação das redes, mesmo que existam iniciativas de desenvolvedores de projetos e de operadoras de telecomunicações.

Para Mário Moura, diretor de negócios do Instituto de Gestão e Tecnologia da Informação (IGTI), há razões para alguma expectativa favorável. “Vejo o mercado caminhando fortemente para a adoção soluções baseadas em inteligência artificial, visão computacional e realidade aumentada. Estas soluções além de reduzirem os custos operacionais para as empresas oferecerão serviços mais rápidos e confiáveis para a população”.

Transição

“Será questão de tempo até que estas plataformas sejam incorporadas ao dia a dia das pessoas da mesma forma que os smartphones no passado”, projeta Mário Moura. O executivo salienta que as tecnologias, até então, eram fortemente limitadas pela lentidão no acesso em tempo real aos grandes volumes de informações necessários para a ampla adoção das inovações.

Mas o adiamento de leilões de concessão de infraestrutura 5G para 2021 tem diversos impactos na economia brasileira. A implantação implicaria em investimentos na ordem de R$ 35 bilhões até 2021. Duas empresas estavam indicando a construção de fábricas no Brasil (Huawey e Ericson) com projetos na casa de R$ 5 bilhões (valor agregado de ambos). Além disso, existe todo um investimento em atualização das diversas ferramentas e plataformas de software usadas pelas telefônicas para suportarem as novas tecnologias e serviços tendo impacto estratégico forte na economia já que aborda profissionais altamente qualificados nas áreas de engenharia elétrica e computação.

A tecnologia 5G demanda maior quantidade de antenas aquecendo também o mercado para sua construção e instalação, bem como o mercado de aluguéis de espaço para as mesmas. Além disso, muitos investimentos em soluções de software que contavam com a baixa latência do 5G ficam também postergados, como na telemedicina e no desenvolvimento de veículos autônomos.

Confira abaixo a entrevista de Mário Moura para o Radar do Futuro:

1. O que os desenvolvedores tendem a fazer para evitar defasagens das condições de projetos?

O 5G tem como principais vantagens o aumento da largura de banda e a redução do delay. Isto permite um maior volume de dispositivos conectados simultaneamente bem como aplicações de tempo real e maior criticidade. A internet das coisas terá grande impulso com o 5G. Teremos cada vez mais equipamentos conectados à internet. Além disso, poderemos acessar grandes bases de dados em velocidades que até pouco tempo atrás eram incompatíveis com a necessidade deste tipo de aplicações.

Os grandes fabricantes têm promovido diversos pilotos com o objetivo de testar em condições reais o uso dessa tecnologia. A comunidade acadêmica vem também contribuindo com os mesmos. Existem esforços em diversos países tais como: Japão, Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Finlândia, Holanda, Portugal, Estónia e Romênia.

2. Até que ponto as empresas de telecom podem se antecipar antes do prazo?

As empresas vêm na prática realizando pilotos e laboratórios com a tecnologia. os ciclos de desenvolvimento de software são longos, dada a complexidade das soluções envolvidas, e elas precisam estar aptas a, tão logo as antenas estejam instaladas, disponibilizarem novos produtos visando reduzir o impacto financeiro dos investimentos.

3. Há riscos de defasagem em relação a outros países do continente ou dos países desenvolvidos?

Embora tenhamos 96,9% da população atendida pelo 4G, ocupamos hoje apenas a 50a posição em termos de velocidade de acesso. A lentidão, a instabilidade e o custo dificultam o acesso a aplicações que consomem intensivamente os dados. A demora em aderir ao 5G pode limitar a velocidade de adoção de novas aplicações e serviços amplamente apoiados em IOT (Internet of Things)

4. Como superar as dificuldades?

Além dos pilotos promovidos pelas empresas de telecomunicações, precisamos promover a formação de profissionais de alta tecnologia que possam suportar a demanda de desenvolvimento de serviços inovadores para este mercado. O incentivo ao empreendedorismo e ao ensino tecnológico nas escolas de ensino médio são essenciais para reduzirmos o gap do país. Temos ótimos exemplos no Chile, Israel e Coreia que criaram ambientes propícios à inovação e crescimento tecnológico.

5. Que áreas tendem a se beneficiar da tecnologia 5G no Brasil. Para onde vão caminhar os investimentos?

Teremos benefícios nas mais diversas áreas: cidades inteligentes com controles cada vez mais automatizados dos diversos serviços para a população (tráfego, transporte público e iluminação por exemplo). Evolução na segurança pública com a ampla adoção de ferramentas de reconhecimento facial e de padrão comportamental. Monitoração em tempo real da saúde das pessoas. Evolução no trabalho remoto com a diminuição das “fronteiras” entre o escritório e a casa das pessoas em quaisquer lugares do país. O surgimento de veículos e equipamentos autônomos para os mais diversos fins tais como manutenção remota das cidades e agricultura inteligente. Evolução na medicina à distância e no uso de robôs.

 

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