A evolução da tecnologia vai fortalecer os processos de vigilância policial - foto: Pixabay
A evolução da tecnologia vai fortalecer os processos de vigilância policial – foto: Pixabay

Carlos Teixeira
Jornalista I Futurista

Logo no primeiro dia de 2020, antes de sair da delegacia de polícia, Pedro ganhou um microchip implantado no punho. Do tamanho de meio grão de arroz, o componente tecnológico sob o músculo só poderá ser retirado por cirurgia. Ou decepando o braço. A tecnologia vai impedir que ele se aproxime da ex-esposa, a quem tentou agredir após o pedido de separação. Qualquer tentativa de ultrapassar uma barreira de cem metros de distância em relação a ela resulta em um choque. E uma mensagem de alerta é enviada para grupos de pessoas, inclusive para a polícia.

Não está longe o dia em que microchips serão utilizados para monitorar e tentar controlar pessoas com perfil violento. Os passos estão sendo dados com os avanços exponenciais das tecnologias. Em 2017, uma empresa causou polêmica nos Estados Unidos ao anunciar que iria implantar chips no corpo de funcionários, como uma investida tecnológica para substituir os antigos crachás, além de chaves e senhas. Quase todos os funcionários da empresa já têm chips implantados em seus corpos. A empresa que forneceu os chips pretende começar a vender a tecnologias para companhias no Brasil.

Do tamanho de um grão de arroz, o microchip fica localizado entre os dedos polegar e indicador. Funciona como um código de barras para que leitores digitais o identifiquem. O sistema fica sabendo rapidamente o nome e área de atuação do trabalhador, além de dados de cartões de crédito para que eles consigam comprar itens na cantina da empresa.

Questão de tempo

Em 2020 e adiante, as condições para o monitoramento de pessoas por meio de tecnologias estarão dadas. Por sinal, na China o governo pretende no início da próxima década um sistema de identidade digital para avaliar o comportamento dos cidadãos em diferentes contextos, inclusive nas redes sociais. Cartões digitais, denominados de Sistema Social de Crédito, reunirá informações financeiras, atividades online e compartilhamentos de imgens e vídeos, entre outros indicadores de comportamento pessoal.

O envolvimento de questões relacionadas com privacidade torna a questão polêmica. Em uma série de matérias sobre o futuro do crime, o site Quantumrun chega a apostar em uma visão otimista. “Seja no mundo real ou online, planejar e executar crimes com sucesso até o final da década de 20 exigirá tanto tempo, gastos e poder intelectual que futuros mentores criminosos talvez possam finalmente perceber que é melhor fazer o dinheiro de maneira honesta”, avalia.

Um dos motivos é que haverá os avanços das tecnologias de vigilância.  Pense em avanços de sensores, câmeras, drones, inteligência artificial e internet das coisas, entre outras tecnologias, em um cenário de miniaturização, internet super rápida e poder de processamento assombroso. Até 2025, as câmeras convencionais terão resolução suficiente para ler as íris humanas a partir de 12 metros de distância. E até 2030, elas serão capazes de detectar vibrações em um nível tão baixo que podem identificar conversas através de vidro à prova de som.

Patrulhamento com drones

As câmeras não estarão apenas presas aos cantos dos tetos ou na lateral dos prédios. Elas também zumbirão acima dos telhados. “Drones de segurança se tornarão comuns até 2025, usados ​​para patrulhar remotamente áreas sensíveis ao crime e dar aos departamentos de polícia uma visão em tempo real da cidade – algo que é especialmente útil em perseguições de carros”, assinala o estudo do Quantumrun.

Os drones também serão equipados com uma variedade de sensores especiais, como câmeras termográficas para detectar crescimentos de maconha em áreas residenciais ou um sistema de lasers e sensores para detectar fábricas ilegais de bombas. O estudo ressalta que, em última análise, os avanços técnicos oferecerão aos departamentos de polícia ferramentas cada vez mais poderosas para detectar atividades criminosas. Redes de vigilância serão alimentadas pelo big data — a infinidades de dados disponíveis– e pela inteligência artificial (IA).

Os departamentos de polícia em todo o mundo, deslumbrados diante das possibilidades tecnológicas, tendem a apostar em sistemas de análise preditiva. São os recursos desenvolvidos com o objetivo de fornecer ferramentas capazes de analisar relatórios criminais e estatísticas, combinados com variáveis ​​em tempo real. Serão eficientes no poder de gerar previsões de quando, onde e quais tipos de atividade criminosa ocorrerão dentro de uma determinada cidade.

Informações levantadas contribuem para reforçar a vigilância em áreas da cidade onde o software prevê atividades criminosas. Ao reforçar o policiamento em áreas problemáticas, seguindo as estatísticas, a polícia estará melhor posicionada para interceptar crimes à medida que eles acontecem ou afugentar criminosos, incluindo crimes violentos.