Projeto  no Museu do Amanhã expõe rumos futuros da produção de roupas e acessórios.

Profissionais da indústria da moda são expostos a mudanças exponenciais da sociedade e a demandas pela criação roupas e acessórios que incorporem as inovações introduzidas pela revolução digital. A integração de tecnologias com vestuário ganha status de força para os negócio do futuro.

Na moda, a palavra combinar ganha uma nova conotação, como um desafio. Que ganhou expressão no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Um projeto  contribui para sinalizar o surgimento das novas demandas. Doze peças fazem parte de uma mostra que, até novembro, reúne roupas e acessórios sob a proposta de que sejam responsivas, sustentáveis e responsáveis. Ou seja, que incorporem tecnologias e novas abordagens sobre o comportamento e responsabilidades do sistema produtivo.

Impressão 3D, sensores, corte a laser e biotecidos são utilizados para demonstrar a existência de uma nova estrutura da indústria da moda, que vai obrigar estilistas, modelistas, designers de moda e demais integrantes da cadeia de produção a interagir com especialistas de áreas tecnológicas. O exemplo está dado na mostra do Museu do Amanhã. A criação de protótipos de tecnologias vestívelis – wireless – como o colar de segurança pessoal que pode ser acionado por comando de voz e o casaco que vira mochila com sinalização eletrônica de LED – foi o resultado do trabalho de um grupo interdisciplinar, composto por designers, em conjunto com especialistas em novas tecnologias.

Denominado como Programa de Tecnologia Na Moda, a experimentação que culminou na exposição, foi uma parceria entre o Museu do Amanhã, a plataforma multicultural O Cluster e a startup de biotecnologia ambiental residente da Incubadora de Empresas da Coppe UFRJ, Biotecam. “O objetivo do “Tecnologia na Moda” é pensar as roupas que usamos todos os dias de uma forma diferente. É explorar a junção de roupas com eletrônica, impressão 3D, sensores e biotecidos, aplicando essas técnicas ao que vestimos”, assinalou, em entrevista, Marcela Sabino, Diretora do Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA).

Dos 180 participantes iniciais, que fizeram parte da oficina até maio deste ano, restaram 14 residentes finalistas. Eles foram responsáveis pela confecção de roupas e acessórios funcionais, aplicando novas ferramentas, como o uso de biotecidos ─ peças produzidos por microorganismos ─ durante os cinco meses.

Os visitantes da exposição encontram a soma de criatividade, ciência, tecnologia e inovação. Ideias como a bolsa de biotecido de kombucha com trama de fungos, que usa painel orgânicos solares para recarregar o celular, podem projetar soluções para um cenário futuro. A mobil jaquet, que faz parte da mostra, conta com placas solares capazes de recarregar pequenos gatgets pessoais.

Segurança e praticidade também estão presentes na jaqueta\mochila feita em corte a laser com sinalização eletrônica em LED, que pode ser usada por ciclistas à noite. A exposição traz, ainda, um acessório em forma de colar capaz de informar a amigos e familiares sobre situação de risco do usuário, por meio de um comando de voz. Dessa maneira, o consumidor não precisa abrir mão da beleza para se sentir seguro, pois o design da peça não deixa a desejar. Colar é capaz de avisar amigos e familiares sobre situação de risco.

Colar é capaz de avisar amigos e familiares sobre situação de risco.

Ainda sobre wearables, há uma blusa e vestido com uma proposta super inovadora: a primeira é feita com malha interativa e fios de computadores que garantem uma programação responsiva do corpo, ativando uma performance com luz de LED. Já a segunda roupa é um vestido de noiva com robótica retrátil, que pode ter o comprimento da saia encurtado após o fim da cerimônia. Peças reúnem beleza e sustentabilidade.

Vale lembrar que todas as peças têm em comum a busca de soluções para problemas atuais e para e equilíbrio entre forma e funcionalidade.

As tecnologias usadas nas peças

Biotecido

Foi preciso repensar a produção tradicional da moda. Os criadores experimentaram novas técnicas e ferramentas, mantendo o equilíbrio entre forma e função. Os protótipos foram produzidos com biotecidos, desenvolvidos pela startup Biotecam. A tecnologia mistura biotecnologia e nanotecnologia para desenvolver tecidos feitos a partir de bactérias. Ou seja, materiais ecofriendly — termo usado para se referir a peças amigáveis ao ambiente, de baixa exploração.

Impressão 3D

As impressoras 3D, que se popularizaram nesta década, já são consideradas uma promessa para o mundo da moda e vêm sendo usadas por marcas famosas para a criação de peças experimentais. No projeto desenvolvido pelo LAA, foram usados plásticos PLA e ABS. O primeiro é biodegradável, produzido por meio da fermentação de vegetais ricos em amido, enquanto o segundo combina flexibilidade e resistência e é usado em peças de Lego, por exemplo. O processo de impressão adiciona os materiais em camadas para compor uma preça de roupa.

Acessórios foram feitos com impressora 3D

Corte a laser e sensores

Já a técnica de corte a laser utiliza um raio concentrado para aquecer e derreter o material. O resultado é um corte feito com maior qualidade e velocidade. As peças também trazem sensores e mecanismos robóticos como o vestido de noiva futurista, que possui um botão para alterar seu comprimento; a blusa de malha interativa, que ativa uma performance de luzes de LED conforme o movimento de quem está usando; e o acessório de segurança pessoal impresso em 3D, que pode ser acionado por comandos de voz para informar amigos e familiares sobre situações de perigo de quem o veste, fornecendo, inclusive, a localização.

Wearables em foco

Os protótipos em exibição no Museu do Amanhã mostram que o mundo dos wearables está cada vez mais próximo. A roupa vai além de uma forma de expressão, se tornando inteligente. A exposição também propõe uma reflexão sobre o papel da moda, pensando em soluções para os problemas atuais e projetando cenários futuros. As tecnologias são usadas com o propósito de apresentar um modelo sustentável de produção de moda, com roupas e objetos feitos de forma racional e respeitando o meio ambiente, sem deixar de atender às demandas do consumidor. Para isso, inovação é fundamental.

Com informações de TechTudo

 

CXom