Cloud computing, ou computação nas nuvens, tende a ser um padrão de infraestrutura utilizada pelas empresas de TI nos próximos anos

ilustração: cloud computing pixabay

Carlos Plácido Teixeira
Jornalista I Radar do Futuro

Em mais alguns poucos anos, até talvez pouquíssimos, acordaremos pela manhã e vamos conversar com a nossa invisível e ubíqua assistente virtual sobre como era estranho quando tínhamos de baixar aplicativos em nossos celulares, em 2021. Um estranhamento semelhante ao de quem viveu os tempos em que instalávamos softwares nos computadores AT 386 com o uso de disquetes. Eram horas para instalar qualquer sistema. E ligar o computador era um exercício de paciência. Um estímulo a fazer mais um café na cozinha. Torcíamos pelo próximo lançamento de processadores, das máquinas e dos softwares necessários para /o trabalho.

Em 2025, nossas relações com as tecnologias serão outras, desde a hora em que acordamos e a assistente virtual manda um bom dia enquanto toma providências por você Nesse momento, ela já sabe coisas sobre você que você mesmo nem imagina. “Será como o papel da eletricidade hoje. Acendemos a luz e ela está lá, nem tomamos conhecimento do que ela é feita”, diz Vinicius Perrott, consultor de soluções de tecnologia e palestrante. Especialista em computação nas nuvens, ele é criador do podcast Papo Cloud, canal onde entrevista executivos e especialistas e apresenta resenhas sobre oportunidades, negócios relacionadas com tecnologias, com foco em cloud computing.

Na prática, o que pouco gente percebe é que a tecnologia já tem amplo uso no cotidiano dos usuários de equipamentos. Seja um smartphone, um computador de mesa, um notebook do trabalho ou um relógio inteligente. Também os usuários de WhatsApp de plataformas de transporte, como o Uber, ou das ferramentas compartilhadas pelo Google Drive. A tendência de conectividade a todo momento e em todos os lugares se consolida como força real para a mudança das relações de produção de toda a sociedade.

Cloud computing presente

Quais os serviços que já utiliza diariamente

  • Email
  • Armazenamento, backup e recuperação de dados
  • Criação e teste de aplicativos
  • Analise de dados
  • Streaming de áudio e vídeo
  • Softwares sob demanda
  • Internet das coisas

Durante a pandemia, sistemas conectados em redes externas foram a saída mais rápida para garantir a sobrevivência dos negócios. Viníciu s Perrot destaca que, na primeira onda do Covid-19, muitas empresas, em especial o comércio, recorreram ao desenvolvimento de plataformas como estratégia de combate ao incêndio da crise. Na segunda, houve uma percepção melhor sobre a possibilidade de preparação.

Com olhar crítico, de quem se especializa em olhar para as tendências do mercado, o especialista assinala que o processo de adoção das tecnologias tem dinâmica própria. E vai impactar o mundo real de formas diferenciadas. “A gente não vive no Second Life (jogo de simulação de mundos virtuais, famoso no início dos anos 2000)”, avalia.

Perspectivas

O futuro tende a ver a superação de dois dos grandes desafios dos cientistas envolvidos com o desenvolvimento das tecnologias. Capazes de consolidar a força e o papel da computação em nuvem, armazenamento e poder de processamento nos próximos anos vão fazer com que nossos computadores atuais pareçam carroças. Já existem desenvolvedores de soluções tecnológicas se preparando para oferecer a computação quântica, máquinas que funcionam a partir de qubit, partícula de nível subatômico.

Em mais alguns anos, o uso do termo “computação na nuvem” deixará de ser utilizado. Vinícius Perrot assinala que não é porque o conceito deixe de existir, mas porque será algo usual como a luz. Segundo um estudo publicado na Alemanha, mais de um em cada cinco responsáveis ​​pela tomada de decisões de TI na Alemanha acredita que o termo nuvem terá desaparecido em 2025. Mais de um em cada três jovens não conhece o termo.

Na Europa, ainda segundo o estudo alemão, mais de um em cada quatro dos tomadores de decisão de TI pesquisados ​​(27,3%) atesta que o termo tem meia-vida até 2025 ou menos. A menor adesão ao termo nuvem está na Holanda, onde 42,4% acreditam que ela desaparecerá até 2025. Também é interessante que cerca de um terço (33,6%) dos tomadores de decisão de TI na Alemanha já deliberadamente não usam o termo nuvem nas discussões com o conselho de administração. Eles consideram o tema muito técnico, complicado ou confuso para este público.

Os dados tendem a confirmar a tese de Vinicius Perrot de que a tecnologia vai sendo naturalizada, ao ser incorporada ao dia a dia. Será um momento em que viveremos a instantaneidade do funcionamento das máquinas. Escolheremos entre serviços disponíveis. Um efeito prático é que não saberemos mais qual a versão do processador de textos Word que estamos usando. Assim como não temos a menor noção de qual é o editor de documentos do Google. Isso será usual no cenário futuro. Assim como ter uma conversa bem casual com a sua assistente virtual quando começa o dia e você está um tanto preocupado com os rumos do planeta.


Confira o vídeo:

Entrevista com Vinicius Perrot

    A gente quer manter você bem informado sobre tendências impactantes

    Deixe abaixo o seu e-mail para receber nossos insights sobre o futuro.

    Seu Nome (obrigatório)

    Seu e-mail (obrigatório)

    Participe das conversas sobre o futuro. Deixe a sua opinião

    Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.